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“Epitáfios”

António “Tony” Moura é um nome mítico do rock nacional. Cantor e guitarrista dos anos 60 e 70, era, à época, considerado um dos melhores intérpretes em ambas as vertentes.

No final da década de 60 formou os Psico (ex-Os Espaciais), quarteto completado por Vasco Moura (baixo), José Calvário (teclados) e Álvaro Marques (bateria).

O repertório apresentado ao vivo (essencialmente em concursos de Música Moderna e liceus) incluía originais dos Pink Floyd, Led Zeppelin, Deep Purple, The Doors, Grand Funk Railroad, Uriah Heep ou Ten Years After.

A 8 de agosto de 1971 a banda atuou no Festival Vilar de Mouros, já com Alberto Jorge no baixo e “Juca” Rocha (já desaparecido) no órgão Hammond. Verificam-se então sucessivas alterações no alinhamento (aliás, as mudanças de line-up foram uma constante ao longo do percurso da banda) e boa parte do repertório hard rock vê-se substituído por temas dos Yes, Gentle Giant ou Joe Cocker.

Mais tarde, os Psico iniciam a composição de repertório original baseado numa sonoridade Prog Rock, mas preservando as influências hard.

Na segunda metade dos anos 70 Gino Guerreiro, o baixista da época, desaparece e a banda encontra em Filipe Mendes (ex-guitarrista dos Chinchilas e Heavy Band, futuro Roxigénio) o substituto.

Em homenagem ao companheiro falecido, o grupo compõe o longo tema «Epitáfio Sinfónico», apresentado em dois espetáculos sob a designação “Epitaphium Sinphonicum” no Teatro Sá da Bandeira (Porto). Desse tema retiram as composições “Al’s” e «Epitáfio Sinfónico», editadas no formato de single em 1977 através da Alvorada.

Ambas as músicas são instrumentais. Nas suas estruturas Prog Rock, abrilhantadas pela ambiência hard, denotam-se também influências jazzísticas, essencialmente em “Epitáfio Sinfónico”, numa confluência de géneros muito bem conseguida. Os solos de guitarra e de teclados são uma constante nos dois temas.

Apesar de ter logrado alcançar o objetivo de gravar um disco, a banda chega ao fim ainda em 1977.

Curiosidades

– Músicos como António Garcez (Pentágono, Arte & Ofício, Trabalhadores do Comércio) ou Sérgio Castro (Rocka, Pentágono, Arte & Ofício, Trabalhadores do Comércio) passaram também pelos Psico.

– Alberto Jorge, um dos baixistas que integrou a banda, é pai do também baixista João André (ex-Roxigénio, ex-W.C. Noise).

– Filipe Mendes, também conhecido como Phil Mendrix, faleceu a 13 de agosto de 2018.

– “Al’s” integra a compilação “Biografia do Pop/Rock”, editada pela Movieplay (1997).

Dico
07.11.2021

Arqueologia Metálica #6 | Psico

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