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Ordem para (re)descobrir

Este mês, num formato algo diferente, vou falar-vos de forma resumida dos míticos Vasco da Gama, formados em 1982, quando o guitarrista luso-descendente Carlos Jorge Miguel, residente em França, visitou Portugal, com o intuito de melhor conhecer o País e fazer carreira.

O músico sempre preferiu tocar originais em detrimento das covers, pelo que desde logo definiu bem o caminho a seguir, conforme me confidenciou em entrevista recente: “Quando tocas versões perdes a originalidade, a criatividade. Em última instância, perdes a tua identidade”.

Após o guitarrista publicar dois anúncios na revista Música & Som, a formação completou-se com o baixista Tó Andrade (ex-Go Graal Blues Band), Luís Sanches (voz) e Gil Marujo (bt). Cantar em Português constituiu desde logo um imperativo.

Com apenas três meses de existência, a banda estreou-se ao vivo a 14 de janeiro de 1983 no Rock Rendez Vous. “Ensaiávamos intensivamente seis dias por semana, das 10h00 às 20h00. Portanto, estávamos preparados”, afirmou na nossa conversa.

Naquela época, a generalidade dos agentes musicais em Portugal ainda não compreendia o Heavy Metal enquanto género musical nem sabia como o trabalhar, fosse ao nível da produção em estúdio, do marketing ou da imagem, daí que “a melhor forma de os grupos se mostrarem aos executivos das editoras era em palco”, revelou nessa nossa conversa.
“Foi isso que sucedeu connosco. Convidámos um representante da Discossete para assistir ao espetáculo e assinámos contrato. Sabíamos que tínhamos uma abordagem diferente das outras bandas: no som, na postura, na imagem”.

“Vasco da Gama” chegou aos escaparates em 1983. A qualidade do primeiro álbum de genuíno Heavy Metal alguma vez gravado e editado por um agrupamento nacional traduziu-se em vários espetáculos esgotados, constituindo as atuações de 21 e 22 de junho de 1984 no Rock Rendez Vouz os exemplos maiores.

Com poucos exemplares fabricados e mal distribuídos, “Vasco da Gama” transformou-se num dos itens mais raros e procurados da música pesada nacional, atingindo no século XXI valores acima dos 400€ nos sites de vendas de vinil usado e plataformas de leilões online. Tornou-se, desta forma, imperativa a reedição do álbum em vinil e, pela primeira vez, no formato de CD.

Sem os masters disponíveis, restou à loja de discos e editora Carbono Lisboa (responsável pela empreitada) extrair o áudio de um exemplar do longa-duração em vinil, restaurando-lhe o som através da eliminação de ruídos vários.

Reeditado em 2019, “Vasco da Gama” veio responder à imensa procura de fãs e colecionadores. Como extras, o CD inclui uma segunda parte, intitulada “Live at Rock Rendez Vous 27 de Maio de 1983”, que disponibiliza alguns temas ao vivo — os inéditos «Apresentação da Banda», «A Terra» e «Abismo», além de «Vasco da Gama» e «Morte».

Curiosidades

O 3-way split Ibéria – Samurai – Vasco da Gama, lançado em 1988 pela Discossete, engloba duas canções dos Vasco da Gama («Morte» e o tema homónimo), constituindo o último registo em que a banda participa.

Dico
17.01.2022

Arqueologia Metálica #7 | Vasco da Gama

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