Eternal Mourning – “The Resident Sadness”

Luto Eterno

Por Phil Peres

Os Eternal Mourning foram um octeto oriundo de Santiago do Cacém, Setúbal, formado em 1995, tendo editado duas demo-tapes e 3 álbuns de estúdio, sendo este “The Resident Sadness” o segundo da sua relativamente curta mas prolífera carreira. Em 2003 este disco é editado pela Espanhola Goimusic, tal como tinha sido o álbum de estreia  “Delusion & Dementia” dois anos antes, uma estreia que prometia muito e que a qualidade veio-se a confirmar aqui neste sucessor. Gothic/doom era o género praticado pelos Eternal Mourning, onde as vozes, ora masculina de Mário Pereira, ora feminina de Rita Gamito, se casavam na perfeição com as harmonias das guitarras de José Meninas e Mimi, do teclado imponente de Miguel Santos e dos violinos de Marta Lourenço, além do baixo e da bateria de Marco Faria e Nuno Costa, respetivamente. As claras influências de bandas norueguesas tais como Theatre of Tragedy (antigo), Tristania, The Sins of Thy Beloved ou Sirenia eram claras, sem ser mais uma cópia e sobretudo porque faziam musica com alma lusa muito própria, que se notava na construção dos seus temas e também nalgumas partes cantadas na língua de Camões. Tendo saído uns anos antes e tínhamos tido mais uma banda nacional a atingir altos voos e aproveitado o hype no género, tendo sido o timing da sua existência talvez o seu calcanhar de Aquiles. Temas em destaque: “My Resident Sadness”, “Limonin Kiss”, “Sun of Superficiality” ou “Mirror (The Burning)”, o tema final deste incrível disco, onde a voz de Rita e o piano de Miguel Santos brilham a um nível de rara beleza, embora o disco seja todo excelente, fazendo com que estes 52 minutos valham bem a pena.

Baú do Dr. Phil #63: Eternal Mourning – “The Resident Sadness”

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