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O meu primeiro contacto com os Siddharta, no ano de 2018, não foi com um álbum, mas sim com uma canção – “Junto a tu Edén”. De imediato me cativou a voz invulgar de Fernando Pleite, com um timbre inconfundível e uns vibratos arrepiantes, que me fez querer saber mais, ouvir mais. Descobri então, que este tema é a faixa bónus do terceiro álbum da banda, Siddharta III, lançado em 2016.

Nascidos em Fuengirola lançaram a sua primeira maqueta entre 1993/1994, sob o nome inicial da banda – Penumbra. Mais tarde, mudam o nome para Siddharta, nome que surge devido ao livro de Herman Hesse, autor do qual Fernando Pleite gosta bastante.

Em 2001, com o álbum de estreia “Octubre”, cuja reacção do público e da crítica excedeu todas as expectativas, recebem a distinção de Grupo e Disco Revelação de Rock espanhol.

Em 2004 voltam a surpreender com “Todo O Nada”, um álbum de melodias grandiosas, uma verdadeira obra prima do rock melódico do país vizinho. Mas, se recebem o tudo, dos seus seguidores, o nada vem da indústria musical espanhola que os ignora. Siddharta não foge à dicotomia sonho/desilusão e à necessidade de fazer uma paragem para se reencontrar e ao seu caminho.

Assim, após uma paragem de cerca de 6 anos, a banda regressa em 2011, assumindo um quase alter ego denominado 7 Lunas, com um novo trabalho: “Morir de cero”, um álbum de letras nostálgicas, melodias profundas e onde a voz de Fernando Pleite ganha ainda mais brilho. Este trabalho é como um espreitar pela fechadura para o que seria “III”, lançado em 2016 e que vem mostrar que Siddharta tem o seu lugar específico no panorama musical espanhol.

Em plena pandemia anunciaram que estavam a trabalhar no próximo álbum, e lançam três singles fortíssimos e que deliciaram os fãs que há tanto ansiavam por novidades: “Respira” (maio, 2020), “No Te Rindas” (setembro, 2020) e “Lo Mejor de Mi” (janeiro, 2021)

Ouvir Siddharta é como ler as cartas trocadas entre dois amantes ou um diário solitário onde os sentimentos foram traduzidos em palavras. A nostalgia, a dor da perda ou do não poder ter, a saudade, a distância, a superação, caracterizam as criações às quais a voz de Fernando Pleite dá a profundidade necessária para que cortem as camadas superficiais da alma e se instalem nas profundidades do ser, onde enterramos as memórias. Mas se a voz dos Siddharta consegue rasgar memórias com o seu timbre agudo, também consegue embalar emoções com toda a sua doçura e profundidade.

Apesar de pouco, ou quase nada, conhecidos por cá, recomendo a sua audição.

Discografia

2001 – “Octubre” – Siddharta
2004 – “Todo o Nada” – Siddharta
2011 – “Morir de Cero” – 7Lunas
2016 – “III” – Siddharta

Rosa Soares
01.08.2021

Contratiempos # 4 | Siddharta

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