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Os Alhándal são uma banda andaluza, original de Fuengirola, Málaga, com um som muito próprio, de bases no rock, nuances electrónicas, tons andaluzes, flamenco, guitarra espanhola, influências árabes e tantas outras, que fez o seu percurso inicial com o nome de Tyr e uma sonoridade mais pesada.

As suas origens remontam a 1996, com as primeiras actuações ao vivo em 1997, quando a composição da banda era bem diferente daquela com que os conheci. Em maio de 1997 gravaram a sua primeira maqueta de 5 temas, “En un reino lejano” e no verão desse mesmo ano, ganham o primeiro prémio do certame Rock and Surf, em Fuengirola. Após várias datas em diversos locais, terminam o verão com actuações na Feria de Mijas e nas Jornadas da Juventude e Desporto de Ceuta, esta última junto de bandas como Los Marañones y Espino.

Após várias mudanças na banda, Yiyi Vega dá voz aos Tyr. Seguem-se várias actuações, das quais se destaca a abertura para os Mago de Oz, e a banda volta a ter algumas saídas de elementos: em julho de 1999, Juan Zagalaz (ex-Dhunna) integra a dupla de guitarras, e no final de agosto actuam na primeira data do Festival Mijas Rock, onde partilham o palco com bandas como Baron Rojo, Avalanch ou Tierra Santa.

Em outubro, a banda grava o seu primeiro álbum, nos estúdios Sound Passion de Vallekas, Madrid, mas as tentativas de edição não foram bem sucedidas, apesar de a banda continuar a dar concertos, tocando com bandas como Stratovarius, Rhapsody,  Metalium ou Avalon.

Os convites para actuações ao vivo não param e em julho de 2001 os Tyr participam num dos eventos mais importantes do heavy europeu – o Festival Rock Machina, onde abrem cartaz para Symphony X, Lacuna Coil, In Flames, Kamelot e Gamma Ray, entre outros. E é também no final desse mesmo ano, mais precisamente em novembro, que o primeiro álbum, homónimo, é finalmente lançado, pela Dynamo Records (da editora madrilena Locomotive music). Com “TYR” na estrada, os Tyr seguem para cenários como o Viñarock 2002 e após o Verão a banda decide entrar em estúdio para gravar novos temas.

Em 2003 a banda reduz as suas aparições, fazendo-o apenas em situações pontuais. É também nesta altura que Hugo Martín assume os teclados, sendo esta a formação da banda mais estável até então.

Em 2004 regressam à actividade e recomeçam a trabalhar os novos temas, sendo já perceptível uma mudança na sua sonoridade, muito da responsabilidade dos arranjos de Juan Zagalaz.  A banda entra em estúdio no verão desse ano, para uma produção que se estende até final de 2005, coincidindo este período com uma viagem de Juan Zagalaz para os Estados Unidos, onde permanecerá cerca de um ano com o objectivo de terminar os seus estudos musicais. A banda decide então que o lançamento do disco só acontecerá com o regresso de Juan, em finais de 2006. E assim, “Hipokrisia” vê, finalmente, a luz do dia e com ele uma tournée que passa pelas principais cidades da Península Ibérica, incluindo Lisboa, a 8 de dezembro de 2006, na sala Culto Club. Destaca-se, neste trabalho, a colaboração de Carlos Escobedo, baixista e vocalista de Sôber, no tema que dá nome ao álbum. Ganham o primeiro prémio do concurso U-Play, o que lhes abre as portas para Festivais como como Metrorock 2007 ou Viña Rock 2008. No entanto, este é um álbum que não teve a repercussão merecida.

O ano de 2008 marca o regresso de Juan Zagalaz aos Estados Unidos, durante 3 meses. Após o seu regresso a banda começa a trabalhar em novos temas e é no decorrer desse ano que a transformação de Tyr em Alhándal começa a dar os primeiros passos. Em estúdio, para um trabalho comemorativo do XXX aniversário do álbum Mezclalina de Tabletom, continuam com algumas aparições ao vivo, até à finalização do novo projecto, no início de 2009. É então que a banda adopta o novo nome – Alhándal – e lança, no final de 2009 dois temas em adiantamento do seu álbum de estreia “Raices”: uma versão do tema de Triana “En el lago” e um original “Abril”. Lançam também um single, com uma versão inédita e diferente da que apareceria no trabalho final, de “Ininteligible” e uma cover acústica de “Mar de Cristal” de Tyr.

O novo projecto é apresentado ao vivo, no Teatro Las Lagunas de Mijas e o álbum “Raices” é lançado a 5 de março de 2010 e reeditado no final de 2011. Voltam a fazer uma tournée, com início no ano 2012 e que passa pelas principais cidades Ibéricas, incluindo novamente Lisboa. Nesse mesmo ano, o conhecido e icónico dono da Radio Mariskal, Vicente Romero desfia-os para fazerem uma versão do tema de Smash “El Garrotín” para ser lançado em single na revista La Heavy, single esse que seria lançado a 11 de julho de 2012 e distribuído na revista desse mês, contendo também uma versão de “Paseando por la Mezquita”, de Medina Azahara.

O segundo álbum da banda, lançado a 15 de dezembro de 2012 é um marco na carreira dos Alhándal. “Rotta”, duplo álbum conceptual baseado na narrativa de Miguel Ángel De La Linde, é muito mais que um álbum musical. Descrito nas próprias palavras da banda: “Rotta é a epopeia da vida, um hino ao espírito humano indomado. É um ciclo de ascensão e queda, de culpa e redenção. É a história de Jacob, um jovem paralítico numa cadeira de rodas, cujo destino, que não era outro senão o ostracismo e o esquecimento, muda repentinamente quando Carter, um prestigioso médico, o encontra por puro acaso durante as férias na cidade natal do jovem. “

(“Rotta es la epopeya de la vida, un canto al indómito espíritu humano. Es un ciclo de ascenso y caída, de culpa y redención. Es la historia de Jacob, un joven aquejado de parálisis cerebral y postrado en una silla de ruedas, cuyo destino, que no era otro que el ostracismo y el olvido, cambia de repente cuando Carter, un prestigioso médico lo conoce por pura casualidad mientras pasaba las vacaciones en la villa natal del joven.”)

O álbum conta com a participação de vários artistas, como Ángel San Juan, de Tierra Santa, que representa o alter ego negativo de Jacob num dos temas, Gema Vau, vocalista de Biosfear representando Danae, e Silvio Bergamini como a voz de Jacob na reta final da sua vida. Contou ainda com a colaboração de músicos como Virgilio Meléndez e Verónika Nahapetya nas guitarras, José Alcántara no oboe y Coki Giménez (M-Clan) na persurssão.

Um ano depois de “Rotta”, surge, em 2014, o novo álbum com o título “Retales”. É composto, na sua maioria, por versões de diversos artistas espanhóis, que constituem os retalhos que dão nome a este trabalho. Uma permanente conjugação de hard-rock e flamenco, em versões de grandes clássicos que Alhándal toca ao vivo, de onde se destaca o imortal “Paseando por la Mezquita” de Medina Azahara que Yiyi canta en dueto com Manuel Martínez, o próprio vocalista dos Medina Azahara.

Em 2016 surge o último trabalho da banda, “Donde empieza el tiempo”, um álbum que mistura rock sinfónico com sons andaluzes, conseguindo ainda ter espaço para algumas nuances progressivas. Este álbum é o primeiro que conta com Germán Villén nos teclados, após a saída de Hugo Martín. Todo este álbum está repleto de guitarras, melodias, poesia, que encorpam a voz de Yiyi que cresce a cada tema.

Actualmente, e lamentavelmente, os Alhándal encontra-se sem actividade enquanto banda desde 2018, continuando YiYi Veja e Juan Zagalaz com os seus projectos a solo.

Rosa Soares
17.10.2021

Contratiempos # 5 | Alhándal

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