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DyMM P&M
Agosto 2020

Dico

É possível juntar de forma harmoniosa e fluida Black Metal Sinfónico com Metal Neoclássico sustentados em influências de Heavy, Thrash e Death Metal (a par de Música Ambiental) em apenas 18’26” distribuídos por três temas instrumentais?
Sim, e o compositor, produtor e multi-instrumentista portuense Flávio “Kebras” (guitarrista dos Afterbleeding e The Blood of Tyrants) prova-o no EP de estreia a solo, P.A.T.O., autoeditado, em que gravou todos os instrumentos e programou a bateria e as orquestrações.

Se no tema de abertura, «Symphony of Despair», Kebras bebe inspiração nos Sirius e Zyklon, em «The Burning Feathers» a toada apocalíptica transversal à generalidade do EP adensa-se, bem como o profundo sentimento transmitido pela música.
Efetivamente, Kebras é daqueles projetos passíveis de fazer os incautos questionarem-se sobre como pode a brutalidade sonora revelar-se tão bela, revigorante, catchy (sim, abundam nestes temas riffs e melodias que não nos saem da cabeça) e aprazível aos sentidos. Melodia e extremismo em pleno equilíbrio.
«Anatidaephobia», que abre o CD-compilação Shredding Extravaganza, encerra este EP da melhor forma, igualmente com solos magistrais baseados em arpejos e estruturas cuja execução, há três décadas, todos julgávamos meramente acessíveis a guitar-heroes de outras latitudes como Yngwie Malmsteen, Jason Becker, Marty Friedman, Vinne Moore, Tony McAlpine e outros.

Embora tendo passado algo despercebido, P.A.T.O. ainda está bem a tempo de ser descoberto pelos fãs. Razão: é, indiscutivelmente, um dos melhores discos nacionais do ano passado. E não há um único momento em que sintamos a falta de um vocalista neste registo profundamente inspirado, ao nível da melhor produção estrangeira.

Kebras – “P.A.T.O.”

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