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Napalm Records/Alma Mater
Fevereiro 2021

Carlos Guimarães

Mais uma vez os Moonspell decidem surpreender e poderá não ser fácil compreender este “Hermitage” depois de um “1755”, pois a orientação definida para este novo disco está a anos-luz do imediatismo do seu antecessor. Pelas reações não  tem havido meio-termo: ou se adora ou se odeia. Mas aqui irei tentar manter algum distanciamento (difícil para quem acompanha a banda praticamente desde o início) e analisar este trabalho pelo que ele efetivamente me parece ser.

Não sendo um disco fácil de assimilar à primeira audição, primeiro estranha-se um pouco estas divagações mais progressivas nas composições, com muitos (para alguns demasiados) momentos lentos e contemplativos, dos quais “All Or Nothing”, “Entitlement” ou “Without Rule” são exemplos máximos. Depois vamos absorvendo a riqueza das diferentes texturas aqui presentes e entendemos melhor este trabalho. Encontramos riffs fantásticos como os presentes em “Common Prayers”, “Hermitage” ou “Hermit Saints” e destapamos outras influências para além de uns óbvios Pink Floyd. Em “Hermitage” somos transportados para um transe auditivo aqui e ali interrompidos com o único defeito deste disco: nalguns momentos mais limpos é visível a dificuldade do Fernando Ribeiro em cantar num registo vocal que não é naturalmente o seu.

Alguns poderão não apreender bem este “Hermitage”, principalmente se é um daqueles fãs acérrimos dos primeiros discos, e isso é compreensível. Mas também não deixa de ser verdade que este é um disco maduro (algo natural para uma banda prestes a completar trinta anos de carreira) e pontilhado de momentos brilhantes de composição dos quais gostava de destacar o instrumental “Solitarian”.

Moonspell – “Hermitage”

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