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Edição independente
Março 2021

Dico

Em tempos extremamente rigorosos e desafiantes, que configuram não uma, mas múltiplas mudanças de paradigma, os Sullen oferecem-nos um segundo álbum autoeditado, cuja base lírica nos apresenta um conceito intrincado ao nível do desenvolvimento pessoal.
“Nodus tollens” é um neologismo criado pelo escritor e sociólogo John Koening (que, através do seu site tornado livro The Dictionary of Obscure Sorrows se tem dedicado a criar novos vocábulos para definir sensações e sentimentos humanos para os quais ainda não havia definição). Este neologismo expressa o sentimento de insegurança que algumas pessoas sentem ao perceber que as suas vidas já não fazem sentido. Afigura-se então necessária uma mudança de paradigma, que implica uma reavaliação de vida e o preenchimento de antigos vazios.
Musicalmente, a evolução face à estreia, “Post Human”, revela-se impressionante. O quinteto liderado pelo vocalista David Pais aprimorou a níveis estratosféricos o domínio dos instrumentos, mergulhando num universo Prog Metal de corpo inteiro sem, no entanto, embarcar em clichés desnecessários.
A própria duração do álbum, que não chega aos 34 minutos, é exemplo disso mesmo e afigura-se uma opção inteligentíssima. Desta forma, a banda evitou a inclusão de eventuais fillers e contornou a “obrigação” sentida pela maioria dos grupos de Metal Progressivo de gravar temas enormes (neste disco o maior não chega aos sete minutos), resultando em álbuns com mais de uma hora de duração.
Só falta mesmo poder ver os Sullen interpretar estas canções ao vivo logo que a pandemia no-lo permita, porque vai com toda a certeza valer muto a pena.

Sullen – “Nodus Tollens – Act 1: Oblivion”

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