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Larvae Records
Maio 2021

Rosa Soares

“The Voice Inside”, o tema que dá início ao álbum, é a voz que nos chama para os restantes temas. Quando o ouvimos ficamos com a certeza de que nos espera um grande álbum, mas curiosos e expectantes. O tema termina com a voz de Jorge a ecoar “Can you hear the voice inside?”. E esta pergunta transforma-se num convite para os restantes 9 temas, convite esse que não demoramos a aceitar. E entramos assim, no segundo tema “The Flame is Still Alive”, onde somos percorridos por aquela energia que nos dá vontade de ir lá para a frente do palco e gritar em uníssono com a banda “The Flame is Still Alive, after all these years”, um tema que é, tal como a própria banda o refere, uma homenagem e um agradecimento a todos os que os têm acompanhado ao longo destes anos. Seguem-se “Ray of Light” e “Naked Truth”, com fabulosos solos de guitarra e os vibratos do Jorge a mostrarem o quanto a sua voz está em forma. “In The Hands of Fate”, o quinto tema, é aquele tema orelhudo, com um baixo a destacar-se de forma magnífica. E chegamos ao tema que foi escolhido para vídeo de apresentação do álbum, “Storm”. Com uma certa raiva contida, mas que ao mesmo tempo deixa algo de esperança, é talvez o tema que mais nos remete para a situação mundial actual: “There´s a storm on the way… waiting till the clouds are gone… waiting for better days to come”.

Segue-se “You can´t change me”, aquele grito de irreverência e de inconformismo, que pode muito bem ser um retrato dos Tarantula, que sempre se mantiveram iguais a si mesmos. Chegamos ao oitavo tema, um tema poderoso, com a bateria a assumir um papel de destaque, forte e rápida, a marcar o ritmo quase sufocante da pergunta “Where do we go from here?”

“Broken Promises”, leva-nos às lembranças de todas as falsas promessas em que já acreditámos. É um daqueles temas introspectivos, com um instrumental brutal, ao qual a belíssima voz de Jorge acresce brilho.

E chegamos ao fim com “Blame”, que tudo deixa em aberto: se por um lado é o finalizar do álbum, por outro lado não o encerra por completo, deixando-nos expectantes ao que será o futuro.

“Thunder Tunes from Lusitania” é um álbum que há muito fazia falta. Forte, cheio de vivacidade, de garra, de adrenalina, com uma seriedade e uma diversidade como só é possível quando já não se tem nada a provar. E os Tarantula não têm! Mas, ao fim de quarenta anos ainda nos conseguem surpreender e neste álbum há algo que se destaca: a dupla Luís Barros e José Aguiar, numa secção rítmica invejável, de fazer as delícias aos fãs das baquetas e das claves de fá. Este é um álbum maduro, feito por gente madura e que requer maturidade para ser ouvido, mas sobretudo para ser entendido em toda a sua dimensão. Se estás ávido de um grande álbum e disposto a seguir aquilo que pode ser descrito como uma história em dez canções, então este álbum é para ti!

Tarantula – “Thunder Tunes From Lusitania”

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