Após o lançamento do muito aguardado “Friend of a Phantom”, os dinamarqueses VOLA continuam a afirmar-se como uma das bandas mais inovadoras da cena prog metal contemporânea. Com uma sonoridade cada vez mais emotiva e humana, o novo álbum mergulha em paisagens introspetivas e existenciais, refletindo os tempos incertos vividos após a pandemia.
Em entrevista ao Caminhos Metálicos, o baterista sueco Adam Janzi partilha os bastidores da criação deste trabalho, o processo fragmentado de gravação, e a inesperada – mas perfeita – colaboração com Anders Fridén (In Flames). Com passagem marcada por Portugal no Comendatio Music Fest, Adam revela o entusiasmo do grupo por subir ao palco nacional, prometendo um espetáculo capaz de elevar e aquecer o coração do público.
Mais do que técnica e peso, os VOLA trazem-nos sensibilidade, identidade e uma visão singular da evolução do metal progressivo. Nesta conversa, ficamos a conhecer o lado mais humano e espontâneo de uma banda que não para de crescer – e de surpreender.
“Friend of a Phantom” é o vosso mais recente lançamento. Como descreverias o som deste álbum em comparação com os anteriores?
Olá desde a Suécia! “Friend Of A Phantom” é um álbum que viaja por paisagens emocionais, tanto elevadas como sombrias. Afunda-se profundamente no desespero e na melancolia, e eleva-se na alegria e na união. Este álbum parece estar mais enraizado nas experiências humanas, focando-se no que é ser humano, lidando com os vários fantasmas que podem surgir ao longo da vida.
Como foi o processo de composição e gravação de “Friend of a Phantom”? Houve desafios ou mudanças na forma como trabalharam em conjunto?
O processo de composição e gravação de “Friend Of A Phantom” foi mais fragmentado do que nos álbuns anteriores. Começámos a escrevê-lo mal tínhamos saído da pandemia, que parecia um momento em que estávamos todos suspensos no tempo, e ainda assim o tempo passava a voar. Como resultado, tivemos de dividir a sessão de gravação em duas partes, escrevendo músicas entre essas duas sessões. Chegámos mesmo a terminar uma música (“Bleed Out”) no estúdio, no último dia da nossa sessão de gravação! Nada disto foi planeado, mas sinto que reflete bem o espírito em que estávamos, num mundo estranho e instável naquela altura.

A faixa “Cannibal” conta com a participação de Anders Fridén dos In Flames. Como surgiu esta colaboração?
Ficámos a saber que o Anders era fã da nossa música, e então foi a um dos nossos concertos durante a digressão pelos EUA. Conversámos um pouco e conhecemo-nos pessoalmente nessa altura. Mais tarde, ao escrevermos “Cannibal”, sentimos que seria muito adequado ter a voz dele na música, por isso, entrámos em contacto com ele. Ele aceitou, e foi assim que tudo aconteceu. Depois, voou até à Dinamarca, onde gravámos o videoclipe.
Este ano, regressam a Portugal para tocar no Comendatio Music Fest. O que pode o público português esperar do vosso espetáculo? Existe algum conceito especial para a digressão deste novo álbum?
Queremos transmitir uma sensação de elevação. Talvez, no final do concerto, todos tenham o coração mais leve e a alma mais quente. Estamos com muita vontade de tocar em Portugal, no Comendatio Music Fest. Era para termos atuado lá há alguns anos, mas a pandemia trocou-nos as voltas. Para mim, pessoalmente, será a minha primeira vez em Portugal. Mal podemos esperar por saudar o público português em breve!

Como vês a evolução da cena prog metal, e onde achas que os VOLA se enquadram nela?
A cena prog metal é algo complexo, pois já está dividida em várias sub-esferas há algum tempo. A sua evolução é lenta, mas acredito que o prog metal está gradualmente a tornar-se parte integrante da cena metal em geral, deixando de estar tão separado dos seus “primos” musicais. A linha entre o prog metal e o metal moderno está cada vez mais ténue. Gosto disso. E como todos nós, nos VOLA, temos gostos musicais tão amplos e variados, isso encaixa perfeitamente connosco.
Por fim, que mensagem gostarias de deixar aos fãs portugueses que vão assistir ao Comendatio Music Fest?
Venham como são, alegres, cuidem uns dos outros, e saibam que têm a nossa mais sincera gratidão por todo o vosso apoio.
Mal podemos esperar para vos ver e partilhar momentos maravilhosos convosco.
Muito amor de todos nós.
Entrevista por António Mota (Caminhos Metálicos).



