Nascidos em 2024 na Marinha Grande, os Eden’s Apple são uma das apostas mais promissoras do metal nacional. Com uma sonoridade que funde influências do metal sinfónico e death metal melódico, a banda estreia-se agora com “Primordial Roots”. À conversa com a banda, exploramos as raízes deste projeto, as inspirações por trás do disco e o que o futuro lhes reserva.
Dêem-nos a conhecer a história da banda, quando e como foi formada, quais as motivações que vos levaram a iniciar a banda e qual o line up atual e membros que passaram pela banda.
A banda nasceu no início de 2024, da vontade partilhada de criar música pesada, original e com identidade. Conhecemo-nos através de grupos de Facebook da zona de Leiria, uma daquelas coincidências certeiras, e rapidamente percebemos que estávamos todos na mesma sintonia: queríamos fazer algo nosso, sem filtros nem fórmulas.
O projeto começou a ganhar forma à medida que nos juntávamos em ensaios, ideias fluíam e a ligação musical (e pessoal) tornou-se mais sólida. Poucos meses depois, o João, que já era conhecido do David, entrou para a banda e ajudou a cimentar o groove que procurávamos no baixo.
Atualmente, a formação conta com a Marina Silva na voz, David Rodrigues e Guilherme Rodrigues nas guitarras, João Carvalho no baixo e Francisco Mendes (Kiko) na bateria. É esta a base com que estamos a construir o nosso som, passo a passo, com peso, entrega e muito entusiasmo por aquilo que ainda está para vir.
Qual o background musical dos elementos da banda (formação musical e bandas anteriores)?
O João e o Guilherme são autodidatas no seu instrumento. O David tem formação de 2 anos no Conservatório, mas foi com tutoriais e treino de composição que encontrou o seu estilo. O Kiko estudou bateria no Hot Clube de Lisboa. A Marina teve aulas particulares de canto, com foco no canto lírico, já em idade adulta, é certificada pela Associated Board of the Royal Schools of Music, continua a evoluir como vocalista e foi na banda que começou a explorar técnicas de canto gutural. Esta é a primeira banda de todos nós e isso traz um entusiasmo extra a cada ensaio e concerto.
A sonoridade alternative metal dos Eden´s Apple é uma mescla de influências que vão desde o metalcore, thrash e sinfónico, eu diria até com “Epica” vibes. Concordam com esta abordagem? Quais as vossas principais influências individuais e como banda?
No início, tentámos encaixar-nos num género mais específico, mas depressa percebemos que, com a diversidade de influências que trazemos, isso seria complicado. O metal alternativo é, provavelmente, o que melhor define o nosso som atualmente. Cada um de nós vem de backgrounds diferentes dentro do metal, e essa variedade permite que as nossas músicas cresçam de forma orgânica, sem limitações nem fórmulas fixas.
Individualmente, o David traz influências do thrash clássico, como Metallica, Megadeth e Exodus. O João inspira-se em Jinjer, Trivium, Dream Theater, Metallica e Avatar. O Guilherme prefere a sonoridade do metalcore, com bandas como Spiritbox e Ice Nine Kills. O Kiko tem fortes influências de nu metal e alternativo, como Avenged Sevenfold e Slipknot. Já a Marina é fã de bandas com forte presença sinfónica, como Epica, Nightwish, Cradle of Filth e Fleshgod Apocalypse, algo que marca bastante o seu estilo vocal e acrescenta uma camada melódica importante às nossas músicas.

Como foi o processo criativo do “Primordial Roots” tanto a nível sonoro como lírico? O nome do álbum induz uma viagem ao passado, qual o significado que procuram com este título?
O processo criativo começou pela parte instrumental. Os guitarristas compunham a base das músicas, a bateria acompanhava e ajudava a dar direção rítmica e depois o João aprimorou a linha de baixo com mais profundidade e textura. Só depois é que entrava a parte lírica, em que a Marina se inspirou na energia e nas atmosferas que cada instrumental transmitia para construir as letras. Foi um processo muito orgânico, onde a música guiou a narrativa.
E o nome do álbum resume tudo: “Primordial Roots”. Abordamos as nossas raízes mais profundas, as forças antigas que ainda definem quem somos. Num mundo cada vez mais desconectado da sua essência, saturado de tecnologia e onde o tempo parece escasso e fugaz, este álbum é o nosso grito ao que nos torna verdadeiramente humanos.
As letras do álbum transportam-nos para universos imaginários e paralelos, qual a principal fonte de inspiração para a construção das letras?
“Primordial Roots” é uma jornada sonora, inspirada na mitologia celta, batalhas épicas e reflexões existenciais. Cada faixa convida a explorar as forças invisíveis que moldam quem somos: o amor, a honra, a coragem e o legado. As letras são narrativas que atravessam tanto conflitos internos, como lutas externas, sempre com um foco claro: manter viva a chama dos nossos valores, mesmo quando tudo à nossa volta parece desmoronar.
Este álbum é sobre reencontrar aquilo que nos constrói, não só como indivíduos, mas como espécie. É um mergulho num solo ancestral onde vivem os mitos que ainda nos habitam, as feridas que carregamos e a necessidade constante de renascer. Acreditamos que só entendendo de onde viemos é que podemos verdadeiramente seguir em frente.
A faixa “Echoes of Excalibur” conta com a participação especial do David Matos (Hate Disposal), o que procuraram acrescentar com os vocais do David neste tema?
A “Echoes of Excalibur” foi a segunda música que compusemos, e desde cedo sentimos que precisava de uma força extra nos vocais. Como na altura a Marina ainda não explorava o gutural, procurámos uma voz que trouxesse mais agressividade. Pelo potencial vocal do David Matos, que já conhecíamos bem pelo trabalho nos Hate Disposal (e por ser marido da Marina), foi a escolha óbvia. O contraste das duas vozes criou a intensidade que procurávamos para o tema.
Como surgiu a escolha do Low Wave Studios? Podemos esperar a edição física deste trabalho?
Escolhemos o Low Wave Studios por ser um estúdio de confiança na nossa zona, já com um histórico sólido e boas referências. Apesar de não ser um estúdio unicamente dedicado ao som pesado, o trabalho que fizeram com os Stone Dead, em Good Boys, chamou-nos à atenção pela clareza e peso da produção. Sentimos que era o sítio certo para dar vida às nossas ideias e ficámos bastante satisfeitos com o resultado.
Quanto ao formato físico, sim! Estamos a preparar o lançamento em CD de forma independente, com previsão para o próximo mês e não descartamos a hipótese de vinil, se houver procura suficiente.
O álbum é ainda muito recente, mas quais são as reações que têm tido, tanto da parte do público como da critica dita especializada?
Apesar de ser o nosso primeiro trabalho e ainda muito recente, as reações têm sido bastante positivas e até surpreendentes. Começámos a conquistar um público assíduo que não são só os amigos e conhecidos, mas também outras pessoas que estão a seguir o nosso trabalho com interesse. Nos concertos, sentimos mesmo que a energia passa e que a música está a ser apreciada a sério.
Da parte da crítica especializada, a receção também superou as expectativas. A Underground’s Voice referiu o nosso álbum como um possível candidato a “álbum do ano”, e os Caminhos Metálicos colocaram-nos no 2.º lugar no top de discos do mês de maio, com uma cotação de 7.9. Para uma estreia, não podíamos pedir melhor.

Vocês já têm no curriculum alguns concertos, como tem sido a experiência em cima do palco e qual a recetividade aos vossos concertos?
A experiência em palco tem sido muito gratificante. Sentimo-nos confiantes e confortáveis a tocar juntos e felizmente temos encontrado equipas técnicas de som e luz que nos apoiaram de forma exemplar. Sendo estas as nossas primeiras experiências em palco, temos vindo a crescer e a aprimorar a nossa performance a cada atuação. Acreditamos que esta evolução é visível, tanto para nós como para o público, e motivadora para continuar a melhorar. E o público tem sido incrível! Já nos disseram que estamos a reacender a chama do metal que andava meio adormecida aqui na zona centro. Nós adoramos puxar pela malta e passar uma boa energia.
Quais os planos para promoção do álbum? Algum vídeo clip? Teremos os Eden’s Apple a viajar pelo país?
A semana passada fizemos as gravações para um videoclipe que sairá muito em breve e será um dos pontos fortes da promoção do álbum. Como somos nós a tratar da distribuição do álbum, temos apostado na presença ativa nas redes sociais e na divulgação direta.
Com o álbum cá fora, o foco agora é levá-lo a palco mais vezes. Estamos a contactar espaços e bandas para nos acompanhar, de norte a sul do país, com o objetivo de concretizar a nossa primeira tour nacional. A vontade de mostrar este trabalho ao vivo é enorme e estamos a fazer por isso.
Por último, quando se forma uma banda temos sempre sonhos e objetivos, quais os sonhos e objetivos dos Eden´s Apple?
Estamos numa fase de foco total, com os olhos postos em levar os Eden’s Apple o mais longe possível. Queremos crescer, criar mais e melhor, e levar o nosso som a novos palcos, dentro e fora de Portugal. O sonho? Ser reconhecidos pelo que fazemos e nunca perder aquilo que nos move desde o início: fazer música com identidade e deixar a nossa marca.
Entrevista por Rui Teixeira (Caminhos Metálicos)


