“Alameda” é o álbum de estreia dos Allamedah, banda formada em 2016 por David Bitton (voz e guitarra) e João Faria (bateria). Com uma sonoridade muito própria, usando os idiomas português, inglês e hebraico, Allamedah funde metal moderno com as mais variadas influências onde se incluem o fado ou o rap.
Desde o seu início que os Allamedah nos habituaram â surpresa e â utilização de um humor por vezes sarcástico, como forma de transmissão de mensagens socialmente e pessoalmente desconfortáveis ou inquietantes e as dez composições deste álbum de estreia não fogem â regra.

“Alameda” surge oito anos após a formação da banda. Porquê só agora?
Quando começámos, tanto o David como o Faria estavam nos seus 20 e poucos anos, uma fase de descoberta e crescimento. Ao longo destes oito anos, fomos desenvolvendo a nossa personalidade musical, tanto individualmente como enquanto banda. Este tempo foi essencial para amadurecermos, explorarmos o nosso som e encontrarmos a nossa identidade. Paralelamente, os singles que fomos lançando ao longo do caminho permitiram-nos apresentar-nos ao público de forma gradual, construindo uma relação com quem nos ouve e deixando que as pessoas nos conhecessem aos poucos. “ALAMEDA” é, assim, o reflexo desse percurso e do ponto em que estamos hoje, prontos para partilhar algo mais completo e representativo de quem somos.
David Bitton (voz e guitarra) e João Faria (bateria) são os membros fundadores, que ao longo do tempo se têm feito acompanhar de outros músicos. Quem são os restantes Allamedah de “Alameda” e porquê estas escolhas?
Neste álbum, contamos com a participação do Hugo Capelo no baixo e do João Corceiro na guitarra. Ambos já tocam em Allamedah desde 2021/2022, e essa decisão prende-se com a nossa tentativa de encontrar pessoas, que para além de talentosas, pudessem estar mais alinhadas com as ambições que temos para o futuro da banda.
Como foi o processo de criação e composição de “Alameda”? Os temas foram compostos já a pensar no álbum?
O processo de criação de “ALAMEDA” foi uma combinação entre o antigo e o novo. Já tínhamos algumas músicas compostas que estavam guardadas no nosso “baú”, às quais demos uma roupagem mais atual para este projeto. Além disso, outras canções nasceram entre 2022 e 2023, refletindo o momento em que estávamos enquanto banda.
Apesar de, inicialmente, as músicas não terem sido criadas a pensar no álbum, quando tomámos a decisão de o lançar, começámos a montar as peças do puzzle. Organizámos os temas de forma a que fizessem sentido juntos e transmitissem a mensagem que queríamos passar com este trabalho. Foi um processo muito orgânico, mas também desafiador e recompensador.
Desde o início que utilizam três idiomas: português, inglês e hebraico. Porquê esta opção? Existe algum “critério” para escolher quais os temas em português e quais em inglês ou hebraico?
Essa opção está ligada ao facto do David falar fluentemente as três línguas. O português e o hebraico são as suas línguas maternas, enquanto o inglês funciona como uma segunda língua, tal como acontece com muitas pessoas.
A escolha do idioma para cada tema surge de forma muito natural e está relacionada com o sentimento da música e a mensagem que queremos transmitir. Cada idioma tem uma sonoridade e uma carga emocional próprias, e isso influencia diretamente a decisão. No fundo, deixamo-nos guiar pela essência de cada canção.

Há dois temas de que gostava que nos falasses um pouco: “Zaharim” e “Paz no Coração”. Um é emocional, o outro é como um chamar de público para a frente do palco…
“Zaharim” é um tema que mergulha no mistério da existência e na sensação de sermos “estrangeiros” neste planeta onde nascemos. É uma reflexão sobre o nosso lugar no mundo e a forma como, muitas vezes, nos sentimos deslocados, como se estivéssemos apenas de passagem. É uma música mais introspectiva e emocional, que convida à reflexão.
Já “Paz no Coração” é mais energética e direta, quase como um chamamento ao público para se aproximar do palco. A música aborda o preconceito entre géneros musicais, especialmente aquele que muitas vezes é dirigido ao heavy metal. Mas, acima de tudo, a mensagem é sobre ter paz no coração, independentemente das preferências musicais. No fundo, é um convite para ouvirmos de tudo, sem julgamentos, e simplesmente desfrutarmos da música.
“Alameda” é um disco que nos fala de emoções, de relações com os outros e connosco próprios e das dependências que desenvolvemos em especial do mundo virtual. Onde vais buscar a inspiração: a histórias reais ou “realidades” que crias?
É um misto das duas coisas. As letras são muitas vezes inspiradas em situações ou emoções que têm uma ponta de verdade nas nossas vidas e na forma como as sentimos. A partir daí, desenvolvemos esses pensamentos e exploramos diferentes perspetivas, criando histórias que podem ser tanto reais quanto imaginadas. Tendo esse equilíbrio entre o pessoal e o universal nas temáticas.
Como estão a ser as reações e as críticas a “Alameda”?
Até ao momento, estamos muito felizes com as reações. As críticas têm sido bastante positivas, e temos recebido mensagens nas nossas redes sociais, tanto de pessoas que já acompanhavam o nosso trabalho como de quem nos descobriu mais recentemente. É muito gratificante perceber que “Alameda” está a criar uma ligação com o público e que as pessoas têm recebido bem as nossas músicas e a mensagem que queremos transmitir. O feedback tem-nos dado ainda mais motivação para continuar este caminho.
Em fevereiro vão estar em Itália. Como surgiu esta oportunidade? E por Portugal, o que já podem revelar de 2025?
A oportunidade de participar no RockerSound Fest surgiu através de um convite direto da organização. Quando recebemos o e-mail, ficámos extremamente felizes e, ao mesmo tempo, surpreendidos por saber que a nossa música chegou até lá.
Para 2025, estamos a preparar uma série de concertos de apresentação do álbum, onde vamos tocar “ALAMEDA” na íntegra. Será uma oportunidade para partilhar estas músicas de forma mais próxima com o público.
Entrevista por Rosa Soares (Caminhos Metálicos).


