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“Inner Self”, lançado a 13 de dezembro de 2024, pela Eclipse Records, e o álbum de estreia dos In We Fall. Apesar de ser a estreia da banda, “Inner Self” é um álbum “para gente crescida” emocionalmente, que exige do ouvinte a vivência de emoções e sentimentos nem sempre fáceis, mas que fazem parte da existência do ser humano. Ao longo das dez faixas que compõem o álbum somos transportados por um labirinto emocional, do qual saímos e ao regressamos, na dualidade da falta de ar e da necessidade de respirar profundamente.

Para conhecermos um pouco mais deste trabalho e dos In We Fall, convidámos os membros da banda para uma entrevista.

Quem são os In We Fall e como nasceu a banda?

Os IWF são uma banda de Vila Real com uma sonoridade que deambula entre elementos de metal alternativo, metal progressivo e grunge. O grupo teve a sua origem no final de 2022 e início de 2023 após uma conversa entre o Carlos Carneiro (guitarrista) e  o Frederico Lopes (baterista) sobre dar início a um projeto de raiz. Pouco tempo depois, falamos com o Daniel Moreira (vocalista e guitarrista) e o Luís Almeida (baixista). Ambos, o Carlos Carneiro e o Daniel Moreira, já tinham algumas ideias de temas originais e tudo se desenrolou de forma fluida a partir desse momento.

Tanto o nome da banda como o nome do álbum de estreia, “Inner Self”, remetem-nos, mesmo sem ouvir as músicas, para o interior emocional, para o “eu” mais profundo, catártico e biográfico – “Looking Inside”.. O que pretendem transmitir com as vossas composições?

No que diz respeito à componente lírica, a mesma aborda os diferentes processos internos humanos, desde a falha, frustração, medo até à superação, e de certa forma existe um certo alter-ego em algumas delas com descrições de vivências não experienciadas. Contudo, todas as letras estão muito ligadas ao que cada um de nós pode passar durante a vida e ao nosso processo de introspeção, dai o nome do álbum “Inner Self”. Tentamos através de cada tema oferecer ao ouvinte uma experiência diferente com a qual se poderá identificar.

Enquanto indivíduos (e não como músicos), qual a vossa relação com a música e de que forma essa relação vos influencia na forma de compor?

Antes de alguém se tornar músico existe sempre uma relação de ouvinte/consumidor da própria música e isso é verdade para praticamente a totalidade da comunidade artística. A uma dada altura da nossa vida (para uns mais tarde e outros mais cedo) somos deparados com uma realidade que nos fascina e com a qual desenvolvemos ao longo do tempo uma espécie de relação umbilical a partir da qual nos vamos apercebendo do poder de transmutação que essa realidade tem, neste caso o plano musical. Portanto esse processo de descoberta infinita, constante audição e de entusiasmo, influencia totalmente o modo como ouvimos a música, como ela nos influencia e como consequentemente acabamos por nos expressar nesse domínio.

Vivi alguns anos em Vila Real por isso conheço um pouco as dificuldades de conseguir “vingar” longe dos grandes centros urbanos “onde tudo acontece”. Como está a ser o percurso de In We Fall: “Hope is Gone” ou “Road to Li(v)e?”

Percebemos a pergunta e é sem dúvida uma maior adversidade sendo uma banda do interior, mas não impossível. O nosso percurso tem sido feito cuidadosamente e todos os passos dados são calculados para de futuro ser claramente…”Road to Li(v)e”.

O público português é fácil de conquistar pela vossa sonoridade?

Achamos que temos uma sonoridade bastante própria e diferente de outras bandas o qual poderá ser um ponto a nosso favor. Achamos que os temas que compõem “Inner Self” são distintos, o que oferece diferentes sensações a quem os ouve. Somos melódicos ou envolventes, mas também sabemos ser pesados quando a música e principalmente a mensagem do tema, assim o pede. Tentamos incluir todos esses elementos de forma orgânica nos nossos temas de forma a criar alguma diversidade a partir do núcleo estilístico do qual partimos desde o início do projeto. O que, esperemos nós, possa atrair um público mais abrangente que veja na nossa música algo com o qual se possa relacionar e retirar prazer ao ouvir.

“Inner Self” foi editado pela Eclipse Records. Como surge a editora para o lançamento do vosso álbum de estreia?

Surgiu de uma forma bastante simples: achamos que a nossa sonoridade é claramente “USA” e dessa forma, enviámos uma pequena demo composta por 3 temas que fazem parte de “Inner Self” e eles passado uma semana responderam com parecer positivo, querendo trabalhar com a banda. Dada a forma como acreditaram no nosso projeto, tivemos a certeza desde o primeiro momento que seria o parceiro indicado para nos promover. Além de tudo, acabam por nos ajudar a mostrar o nosso projeto para fora de Portugal, onde sabemos que existe uma maior facilidade de aceitação para o nosso género musical.  Foi um ponto chave em toda esta equação que culminou como lançamento do nosso álbum de estreia.

Vêem a internacionalização como um objectivo?

O objetivo nuclear sempre foi compor a música que queremos compor, de forma musicalmente autónoma e sem compromissos, querendo sempre partilhar a nossa música com o máximo de pessoas possível. Por isso sim, a internacionalização faz parte dos nossos objetivos. Daí a Eclipse Records estar nesta equação, estando a trabalhar em conjunto para que isso seja uma realidade, a qual esperemos alcançar num futuro próximo. Até agora temos tido algumas pequenas metas que nos têm mostrado algum feedback positivo a nível internacional. Isto verificou-se principalmente em forma de reviews, destacando a nossa presença numa edição da revista britânica Powerplay, que atribuiu ao nosso álbum pontuação máxima em review do mesmo. O facto de termos tido um tema (Road to Li(v)e) incluído numa playlist “All New Metal” oficial do Spotify, também nos ajudou bastante a divulgar o nosso álbum. Pequenas “vitórias” deste género têm contribuído para uma maior divulgação internacional.

Que mensagem gostariam de deixar a quem esteve a ler esta entrevista?

Esperamos sinceramente que quem nos ouve sinta uma ligação com o que fazemos, que partilhe a nossa música e que sigam a banda nas nossas plataformas digitais. Aproveitamos para enviar um forte abraço a quem sempre nos apoiou e agradecer-vos pela entrevista!

Entrevista por Rosa Soares (Caminhos Metálicos).