Os Outless são uma jovem banda do Norte de Portugal à procura de firmar um lugar no underground nacional. Em abril de 2025 lançaram o seu EP de estreia “Rip The Mask”, com o qual esperam ganhar uma maior notoriedade e continuar a dar concertos poderosos e enérgicos.
Estivemos à conversa com eles para conhecermos um pouco melhor o seu percurso, o seu processo criativo e as suas ambições.
Os Outless já existem há alguns anos, podem resumir sucintamente a história dos Outless, qual a cidade de origem e como surgiu a ideia de criar a banda, qual a formação atual e os membros que já passaram pelo grupo?
Tudo começou pela vontade da Amy e do Kirk, atuais baixista e guitarrista de criar uma banda de metal que juntamente com Leão na bateria, Rui na outra guitarra e Roberto na voz formaram os “Lords of Revolution”. O Roberto deixou banda e eu lugar ao atual frontman Chlodwig, a par disso o coletivo altera também o nome para Outless. A próxima alteração deu-se na guitarra com a saída de Rui, o Mike aceita o convite e assume a segunda guitarra. Estava assim fechada a primeira formação da banda, onde nasceram algumas das músicas que ainda hoje fazem parte do setlist. Em 2021, uma nova alteração, sai o Leão e o Luís Pereira agarra nas baquetas. Por esta altura o mundo estava a passar pela pandemia de COVID-19, mas à medida que fomos largando as máscaras, o underground nacional foi abrindo as portas aos Outless. Os dois anos que se seguiram foram intensos para banda, demos um número significativo de concertos, gravarmos dois singles, um vídeo clip, e compusemos aquele que viria a ser em 2025 o EP “Rip The Mask”. No final de 2023 a última grande saída, Luís Pereira deixa a banda e durante o ano de 2024 cumprimos os concertos já agendados com o Rafael Silva como baterista provisório, tendo no início de 2025 a entrada do Hugo Leal fechado a atual line up da banda, que ano após ano dá provas da sua resiliência.
A sonoridade dos Outless anda ali na zona do metalcore com influências thrash e com muito groove. Concordam com esta “etiqueta” e quais as vossas principais influências e inspirações no mundo da música?
De facto, definir Outless num estilo não tem sido uma tarefa fácil. Contudo adoramos essa etiqueta. É certo que andamos na zona do metalcore, com uma sonoridade bem metal moderno, temos uma influência gigante de thrash e o groove é a chave de tudo nas nossas músicas. Como qualquer banda, por sermos um coletivo de pessoas, há inúmeras influências diferentes que ditam a inspiração individual de cada músico. Como banda, talvez bandas como Trivium, Lamb of God, Parkway Drive são aqueles que temos mais como mentores.
O lançamento do EP “Rip The Mask” é um marco na carreira da banda, mas que demorou algum tempo a ser concretizado, quais as principais razões para terem demorado este tempo todo a terem cá fora o vosso primeiro registo?
Existiram vários fatores que determinaram a demora na saída o EP. O primeiro de tudo é que somos todos músicos amadores, e claro está, com outros empregos e trabalhos além da banda. O nosso guitarrista Mike foi pai em 2023, o que lhe tomou algum tempo pessoal e consequentemente tempo disponível para assuntos da banda. A saída do Luís e a procura por um substituto à altura, pôs 2024 fora dos planos apesar de termos tudo pronto para tal. Mas o mais importante de tudo é que nunca tivemos pressa, preferimos fazer as coisas bem, dentro das nossas limitações técnicas, financeira, etc.

Contem-nos um pouco como funciona o vosso processo criativo e de composição das músicas. Quem escreve as letras e qual a fonte de inspiração que serviu de base às faixas deste EP?
Até à data temos trabalhado de forma convencional, todos juntos numa sala de ensaios experimentamos riffs que normalmente saem ou do Kirk ou do Mike, e quando algo soa bem tentamos perceber o que a música pede e compomos a partir daí. Como chegamos ao tema e muitas das vezes ao nome da música, é que já é mais complexo. Houveram músicas que tinham o instrumental e decidimos a partir daí como se iria chamar a música e, por conseguinte, a letra, que normalmente fica a cargo do vocalista Chlodwig, como por exemplo a “Symphony of The Fallen”. Houveram músicas em que alguém teve uma ideia para um nome e para o tema da música, e agora é preciso fazer uma música que encaixe naquele nome e naquele tema, como por exemplo a “Not Too Bad” e a “Broken Man’s Land”.
Uma das faixas obrigatórias e que já toda a gente espera ouvir nos vossos concertos é a cover dos Queen “Show Must Go On”. Como surgiu a ideia de fazer esta cover e a decisão de a incluir no EP foi algo que vos pareceu lógico?
A dada altura pareceu-nos interessante fazer uma versão nossa de uma música que fosse do conhecimento da grande maioria das pessoas. Como isso aconteceu durante o tempo de confinamento imposto pela pandemia, a escolha da música acabou por ser fácil. Esse processo de pegar numa música de alguém tão grande como os Queen e com todo o respeito torna-la nossa, acabou por ter um impacto gigante dentro da nossa sala de ensaio, pois foi o que nos manteve ocupados focados e próximos quando tudo estava praticamente fechado. Incluir essa faixa no EP não só nos pareceu lógico como essencial, pelo impacto teve em nós como banda, pelos elogios que recebemos sempre que a tocámos ao vivo e porque, modéstia à parte, a vemos como um dos nossos melhores trabalhos.

Como têm sido as reações ao vosso a EP, tanto da critica especializada, como dos vossos fãs e público em geral?
A grande parte das pessoas que nos seguem já tinham ouvido a maior parte das músicas, ou seja, aqui as críticas e os elogios já foram dados ao longo dos tempos. Agora o nosso foco é esperar que as promotoras de eventos como festivais e concertos em geral ouçam e nos façam um convite, temos imensa vontade de agitar os palcos por este país fora.
O concerto de apresentação do EP foi na 4815-Associação Cultural em Lordelo Guimarães, como correu esse concerto e quais os planos futuros para a promoção e divulgação deste vosso primeiro trabalho?
O concerto de apresentação do EP superou em larga escala as espectativas que tínhamos. Após algumas tentativas falhadas de fazer o evento noutros locais, chegamos à conclusão que seríamos nós mesmos a organizar a nossa festa de lançamento do EP. O 4815 pertence a amigos pessoais nossos e Lordelo é a terra natal do nosso vocalista, portanto aceder ao espaço foi mais ou menos simples, a partir daí foi fazer o melhor que sabíamos para proporcionar o melhor evento possível tanto ao público como às bandas e staff. E conseguimos ter cerca de 130 pessoas a curtir uma bela noite de metal. Os planos para a promoção deste trabalho, são tocar, talvez saia mais um vídeo clip, mas acima de tudo, conseguir em 2026 tocar em alguns festivais em vários pontos do país, seria muito gratificante.
Qual é a vossa perspetiva e opinião sobre o estado atual do underground nacional? Quantidade e qualidade das bandas, espaços e oportunidades para concertos, condições que são dadas às bandas, etc?
Quando olhamos por exemplo, para as agendas do Caminhos Metálicos, vemos que eventos não faltam e se há eventos há gente envolvida e há público, portanto, podemos assumir que o underground nacional está vivo e de boa saúde, cheio de pessoas talentosas com vontade e ambição, tanto nas bandas como nas organizações, porém não é de todo um sítio fácil e confortável. Temos a acontecer dezenas de festivais de metal de norte a sul do país, durante todo o ano e mesmo assim sem contactos não é fácil conseguir datas em festivais. Em relação a bares a situação é mais grave. Atualmente para além de ganharmos na grande maioria à bilheteira, em muitos locais as bandas é que têm que alugar a sala para tocar. As bandas não são promotoras e assim torna-se difícil, pois tocar de borla até podemos aceitar, pagar para tocar, não muito obrigado! Quando conseguirmos encher uma sala de forma a rentabilizar os valores pedidos pelo aluguer do espaço, provavelmente já não seremos uma banda underground. E depois nem sempre a adesão é a esperada, o metal não é e espero que nunca seja um estilo de massas, portanto é normal que não haja público todas as semanas para todos os eventos a acontecer, safa-se quem for mais mediático ou quem fizer melhor promoção dos seus eventos. Não culpamos as bandas de tributo ou as pessoas por não saírem de casa, porque as pessoas saem de casa, há eventos underground à pinha e há outros às moscas, o underground é assim o underground é o underground, há dias bons e dias menos bons. Ainda assim não nos podemos queixar da receção que temos tido nos lugares onde tocamos, uns mais outros menos mas todos fazem os possíveis para que os músicos se sintam bem, é claro que ninguém oferece mundos e fundos, muitas das vezes não dá nem para a viagens, mas não é isso que nos move, o que nos move é a adrenalina de pisar o palco, as amizades que se fazem em dias de concertos e a sanidade que nos trás ter um propósito de vida.
Finalmente, onde e como vêm os Outless daqui a uns 5 ou 10 anos?
Naturalmente não sabemos onde estaremos daqui a 5 anos, o que nós sabemos é que neste momento temos uma enorme vontade de fazer isto durar por 20 anos. 5 anos passam a correr, se conseguirmos até lá lançar pelo menos um álbum e consagrar o nome dos Outless no underground nacional é porque estamos a fazer as coisas de forma certa e a caminho dos tão esperados 20 anos.
Entrevista por Rui Teixeira (Caminhos Metálicos).


