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Zero Massive é uma banda portuguesa cuja identidade combina peso intenso e atmosferas expansivas, inspirada na ligação natural dos portugueses ao mar. A sonoridade da banda reflete a vastidão dos oceanos e a imensidão da atmosfera, com composições instrumentais e experimentais de caráter progressivo, conduzidas por um trio de guitarra poderosa, baixo distorcido e percussão esmagadora.

Após vários anos dedicado à música e a diversas experiências em projetos de diversos estilos musicais desde 1995, Pedro Porto Fonseca fundou os Zero Massive, consolidando a visão da banda em 2023.

Em 2024, com a entrada de Mike Ghost (produtor), João Colaço (baterista) e Pedro Simão (baixista), o projeto ganha vida, trazendo à tona anos de exploração musical e paixão pelo som pesado e progressivo que resultaram no seu álbum de estreia homónimo.

Pedro, sendo tu o frontman deste projeto, gostava de explorar um pouco a tua evolução pessoal e de que forma as tuas raízes musicais têm impacto em Zero Massive. Fala-nos um pouco sobre o processo que levou a este resultado final. Como é que as tuas experiências musicais no colégio militar e a influência de bandas como Sepultura e Nine Inch Nails moldaram a tua abordagem atual à composição nos Zero Massive?

Boas, amigos! Antes de mais, quero agradecer pelo apoio a ZM e pelo vosso excelente trabalho em divulgar e apoiar a música hard, tanto cá dentro como lá fora.

A minha ligação à música começou bem cedo. O meu avô era músico multi-instrumentista, mas destacou-se no saxofone alto, tendo chegado a tocar numa big band. Creio que foi por influência dele que comecei a aprender saxofone aos 9 anos. Por coincidência, nessa altura foi comprada uma aparelhagem Hi-Fi lá para casa, e isso revelou-se uma grande descoberta para mim. Passei horas a ouvir os discos de vinil do meu pai (Deep Purple, The Who, Kiss, entre outros). Acredito que este início foi fundamental para criar a ligação profunda e eclética que tenho com a música desde sempre. Desde tocar standards no saxofone até ouvir hard rock em casa, fui absorvendo diferentes universos musicais.

Como referiste na pergunta, a minha ida para o Colégio Militar foi um verdadeiro ponto de viragem. Lá, tive contacto com praticamente todas as bandas de metal, hardcore e industrial que estavam em alta no início dos anos 90. Isso foi tão marcante que decidi dizer aos meus pais que, afinal, o que eu queria mesmo era tocar guitarra elétrica com distorção!

Formei a minha primeira banda em 1996 e, entre 1997 e 1998, tive várias experiências em bandas de metal. Em 1999, enquanto frequentava o Conservatório de Música em Caldas da Rainha, fui convidado para uma banda que já tinha algum público. Embora o conservatório tenha sido uma experiência enriquecedora (apesar de não ser grande fã da teoria musical, porque o que eu queria era fazer a minha música), foi nessa banda que gravei, pela primeira vez, um EP em estúdio.

Essa banda acabou em 2001 e, nesse mesmo ano, formámos os CAIM. Com os CAIM, toquei e compus utilizando guitarra folk. Gravámos um EP e dois álbuns, tudo de forma independente, sem editora. Acredito que foram estes anos a tocar guitarra folk, juntamente com algum contacto com o jazz no conservatório, que me moldaram enquanto compositor de música metal.

Ao longo deste percurso, a descoberta constante de novos álbuns e estilos musicais foi sempre uma prioridade para mim. Sempre que posso, estou a ouvir música!

Depois de uma longa jornada musical desde Bat Tail até agora, qual foi o momento decisivo que finalmente te levou a formalizar os Zero Massive e de que forma se distingue dos teus projetos anteriores?

Foi por volta de 2010 que comecei a escrever alguns riffs e a conceber a ideia de formar uma banda instrumental de três elementos. A guitarra folk, por si só, já não me satisfazia por completo. Foi nessa altura que me deram a conhecer algumas bandas de metal progressivo que estavam a emergir, e isso despertou em mim a vontade de criar e lançar música que realmente amo! Não posso deixar de mencionar a importância que teve para mim a primeira vez que ouvi TOOL.

Verifiquei uma ligação conceptual da vossa música ao mar e, tratando-se de um projeto instrumental, sem conteúdo lírico, na tua opinião, de que forma é que a vossa música nos transporta para o imaginário com ele relacionado?

Cresci e vivo ao lado do mar, e essa ligação é impossível de negar. Desde a adolescência, associo músicas ao mar, sempre como ouvinte, deixando-me levar pelos sentimentos que despertam em mim. Acredito que não serei o único, mas ainda hoje consigo abstrair-me da letra de uma canção e, para mim, a voz assume o papel de uma lead guitar. Penso que isso se deve a todas as horas que passei a ouvir música sem perceber inglês quando era mais novo.

Com este álbum, tentei criar uma viagem de 45 minutos, dinâmica, potente e com diferentes texturas, muitas delas inspiradas no fundo do mar.

O vosso trabalho revela uma forte identidade sonora. Prova disso, é que não o consigo catalogar facilmente (nem é minha intenção). Como descreverias o processo de encontrar o equilíbrio entre o peso intenso e atmosferas mas introspetivas que caracteriza a vossa música?

Penso que, nas diferentes respostas acima, já abordo esta questão; mas acredito que foi este meu percurso, super eclético como músico e ouvinte, que moldou tudo.

A qualidade deste álbum salta à vista e, para o resultado final, contaste com a colaboração de algumas pessoas. Como foi trabalhar com colaboradores como Mike Ghost, João Colaço e Pedro Simão na formação da sonoridade definitiva de Zero Massive? Que impacto tiveram no resultado final?

Penso que lanço ZM na altura certa da minha vida, combinando toda a experiência acumulada na música com o orçamento necessário para fazer este álbum da melhor maneira possível!

O Mike (produtor) é o grande responsável por ZM soar como soa e alcançar esta mescla de sonoridades. Ele compreendeu imediatamente a minha ideia e o conceito. A nossa ligação foi brutal desde a pré-produção. Basicamente, este álbum foi criado por mim e pelo Mike no seu estúdio.

O João Colaço (bateria) foi uma escolha natural. Foi com ele que testei os primeiros riffs de ZM em 2010, e demos-lhe bastante liberdade criativa. Para mim, ele é um animal naquilo que faz!

O Pedro Simão (baixo), amigo de muitos anos, é alguém com quem sempre partilhei gostos musicais e alguns palcos. Fiz questão de que estivesse presente neste álbum e também ao vivo.

Não me canso de dizer: este álbum é um sonho antigo concretizado! E já estou a pensar no segundo álbum!

Optaste por lançar o álbum em vinil e em formato digital. Algum motivo em concreto para teres excluído o formato CD?

Todos sabemos que, cada vez mais, o formato físico está obsoleto. O vinil, para mim, fez todo o sentido devido à ligação da minha infância com os discos do meu pai e ao crescimento do público para o vinil.

Apresentaram o álbum no passado dia 8 de novembro. Tens mais concertos planeados? Podes levantar um pouco o véu?

Quero muito apresentar no Norte, mas ainda não tenho uma data definida. Ao mesmo tempo, estou sempre à espera de algum convite. Gostava muito de dar a conhecer os ZERO MASSIVE!

Entrevista por António Mota (Caminhos Metálicos).

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