Texto: Rui Teixeira.
Edição Vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: Hugo Cruz e Rui Teixeira.
No sábado, dia 12 de Outubro, realizou-se no Pátio do Sol (Barcarena) a 1ª edição do Power Stage Fest – Girl Edition. Totalmente dedicado às vozes femininas, esta é uma iniciativa que se saúda e vem confirmar a cada vez maior importância e preponderância do sexo feminino no cenário do heavy metal.
O Festival contou com 4 bandas portuguesas e 2 espanholas onde se destacaram as vozes de Beatriz Mariano (Okkultist), Patricia Pons (Synlakross), Mafalda Hortas (Karbonsoul), Raquel Subtil (Secret Chord), Melanie (Dissidents) e Liliana Silva (Inner Blast).
Com início marcado para as 17h00, os Inner Blast entraram em palco às 17h15. Devido ao atraso, o setlist dos lisboetas teve que ser encurtado e percorreu os seus dois álbuns onde pudemos ouvir entre outras, a faixa cantada em português “O Teu Veneno”. Durante a atuação ficou um agradecimento da banda ao seu baterista, que se encontra num período difícil devido a problemas de saúde, mas que, mesmo assim, fez questão de estar presente e dar 100% nesta atuação.
Uma atuação muito competente onde o maior destaque vai para os dotes e alcance vocais da Liliana, que varia entre voz melódica, growls e tons de soprano de ópera. Sem dúvida impressionante!
De seguida, subiriam ao palco os espanhóis Dissidents que se depararam com problemas técnicos de som, originando um atraso superior a uma hora, resultando daqui um corte no seu setlist de 4 faixas.
Na sua primeira atuação fora do seu país de origem, a banda apresentou-nos uma sonoridade de metal alternativo com influências de hardcore e punk que ficou bem expressa na faixa “Headache”. Com um álbum novo no bolso, “Fatum” lançado em 2023, o setlist foi em grande parte dedicado a este novo trabalho.
Não fossem os problemas atrás mencionados e esta teria sido uma estreia em grande em solo lusitano, já que a banda conseguiu angariar mais alguns fãs e a sua atuação foi bastante positiva.
Com o acumular de atrasos, a organização viu-se obrigada a retirar do programa o horário previsto para o jantar, e iniciando a atuação dos Secret Chord vindos de Coimbra.
Também aqui problemas técnicos antes do início da atuação, desta vez com o microfone do guitarrista Carlos Pereira, originou uma espera de cerca de 20 minutos até estar tudo resolvido, o que levou a alguma impaciência por parte da banda.
Este concerto marcava a 50ª atuação ao vivo do grupo e a despedida do baterista Afonso Martins e do baixista Nuno Fidalgo, entrando agora a banda numa fase de reestruturação enquanto se aguarda o lançamento do seu novo álbum em 2025.
O seu setlist que sofreu também o corte de uma faixa, baseou-se no álbum “Aurora” e no EP “Dimensions of a Dream”, destacando-se a poderosa atuação da Raquel Subtil, que inclusivamente desceu à plateia para iniciar uma mosh pit. Isto motivou também o guitarrista Carlos Pereira a vir tocar para o meio da plateia, naqueles que foram dois momentos de excelente conexão com o público.
Fica o registo em vídeo de “Everything Repeats” num concerto que levou ao rubro o Pátio do Sol que registou nesta atuação a maior assistência da noite:
E passávamos de seguida para os sons mais extremos com a presença dos lisboetas Karbonsoul. A banda apresentou-se em formato quarteto devido à impossibilidade de um dos seus guitarristas estar presente.
Formados em 2007 e liderados pela imponente presença da Muffy, eles debitaram sem dó nem piedade o seu death metal sobre o Pátio do Sol. Com um setlist encurtado devido aos atrasos, também eles tiveram um problema técnico durante a sua atuação, mas isso não ensombrou em nada um concerto consistente e demolidor, em que os growls profundos e obscuros da Muffy não deixaram ninguém indiferente. Do seu setlist fizeram parte faixas do EP “3Logy” e espera-se ansiosamente a edição prevista para 2025 do seu álbum “Inferivs”. Fica o registo vídeo da atuação dos Karbonsoul, com a música “Rotting in Gluttony”:
Os espanhóis de Valência Synlakross são já bem conhecidos do público nacional, pois já marcaram presença na Assembleia do Metal em 2019, no Laurus Nobilis em 2023 e muito recentemente no Faro Alternativo de 2024. Mas esta visita a Lisboa, infelizmente não posso dizer que tenha sido a mais pacifica. Tudo começou com os desentendimentos entre o guitarrista da banda e o técnico de som da sala ainda antes do concerto começar e que se prolongou durante a atuação da banda, com momentos inusitados e muito pouco habituais com discussões várias. Resultou daqui que a banda teve o pior som da noite, mesmo perante os pedidos que iam sendo feitos para acertos no som e que levou mesmo a Patricia Pons a dizer “We came in peace”.
Mesmo assim, justiça seja feita, a banda deu tudo em cima de palco e demonstrou claramente que é um coletivo forte e com aspirações a outros palcos. Se com todos os problemas registados, eles mesmo assim conseguiram dar um concerto marcante e convincente, o que seria com todas as condições reunidas. Liderados pela Patricia Pons, a quem há um ano atrás, foi diagnosticada uma doença que diziam a impediria de subir aos palcos novamente, ela demonstrou que não há impossíveis e é um exemplo de força e resistência. Com um álbum novinho em folha “Mental Parasites”, aproveitaram para nos apresentarem várias faixas novas como “Mental Breakdown”, “Freak” e esta “Drama Queen” que aqui fica o registo vídeo.
Para fechar a noite, tivemos os headliners Okkultist. Banda lisboeta formada em 2016 e liderada pela incrível e talentosa Beatriz Mariano, foram uma ótima escolha para final de festa.
Os Okkultist têm traçado ultimamente um percurso de internacionalização muito interessante e consistente, tendo marcado presença em vários festivais em países como Espanha, Chéquia, Bélgica e Alemanha. Esta rodagem resulta numa máquina bem oleada e assim sendo assistimos a uma grande atuação dos Okkultist. Durante cerca de 1 hora e 15 minutos debitaram uma missa negra, um ritual profano que conquistou todos os resistentes ainda presentes já a altas horas da noite.
O setlist teve principal incidência no seu muito aclamado álbum de 2023 “O.M.E.N.”, mas também se ouviram faixas do “Reinventing Evil” de 2019 tal como esta “Back from the Dead” da qual vos deixamos o registo em vídeo.


