Texto e Vídeo: Gonçalo Januário.
Fotos: Ricardo Silva.

Invicta Halloween I
Moonspell + Nu:n
Hard Club (Porto), 31.10.2026

No passado dia 31 de outubro, decorreu na Sala 1 do Hard Club, no Porto, a primeira sessão do Invicta Halloween, evento organizado pela Free Music sob a chancela dos Moonspell. Nesta primeira noite, a sala estava a abarrotar, embora se tenha notado que foram poucos os que assumiram verdadeiramente o espírito da ocasião, apresentando-se devidamente disfarçados para uma noite de Halloween.

A primeira parte esteve a cargo dos portuenses Nu:n, banda de goth rock que asseguraria a abertura nas duas noites do evento. Infelizmente, devido ao trânsito caótico e à dificuldade em encontrar estacionamento na baixa do Porto naquela noite, chegámos apenas à reta final da sua atuação.

A noite, naturalmente, pertencia aos Moonspell. A banda propunha-se interpretar na íntegra o seu mais recente álbum, «Far From God», ao mesmo tempo que celebrava os 30 anos de um dos trabalhos mais marcantes da sua carreira: «Irreligious», disco que, em termos de sonoridade, apresenta algumas das maiores afinidades com o seu mais recente registo.

O concerto arrancou com três temas do novo álbum: «Cross Your Heart», «Far From God» e «Biblical». Na minha opinião, os dois primeiros afirmaram-se desde logo como fortes candidatos a permanecer durante muito tempo nos alinhamentos da banda. Inteligentemente, os Moonspell optaram por alternar entre os dois discos em destaque nesta noite, recuando de seguida até «Irreligious» para recuperar «Opium», «Awake» e «For a Taste of Eternity».

Infelizmente, o som apresentou-se demasiado limpo, faltando-lhe alguma força e peso nas guitarras. A voz e a bateria acabavam por se sobrepor aos restantes instrumentos, retirando alguma profundidade à sonoridade da banda. A juntar a isto, o calor abafado que se fazia sentir no interior da sala também não ajudou à experiência, uma situação que, felizmente, seria corrigida na noite seguinte.

O alinhamento avançou novamente três décadas com «The Great Wolf in the Sky», «Your Promise of Light» e «For the Love of Mortals», antes de regressar ao passado com a sempre bem-vinda «Ruin & Misery». Seguiu-se «A Poisoned Gift», tema recentemente recuperado para os alinhamentos dos Moonspell e que, desde 2017, tinha sido tocado muito raramente. As celebrações dos 30 anos de «Irreligious» trouxeram também «Subversion», um tema que conta apenas com um punhado de interpretações ao vivo e que regressou agora aos palcos pela primeira vez desde 2017.

Com a participação especial de Mariangela DeMurtas, chegou um dos momentos altos para mim, com uma das minhas faixas favoritas: «Raven Claws». A viagem por «Irreligious» prosseguiu com a incontornável «Mephisto» e «Herr Spiegelmann», esta última também recentemente recuperada para o alinhamento da banda.

O regresso a «Far From God» fez-se com «Our Freedom to Fall», antes de o concerto terminar sob a lua e o feitiço de «Reconquista».

Para o encore ficaram reservados três clássicos incontornáveis dos concertos dos Moonspell: «Vampiria» e «Alma Mater», do álbum «Wolfheart», esta última cantada em uníssono por uma sala completamente rendida, e ainda «Full Moon Madness», encerrando assim a celebração de «Irreligious».

Foi (mais) uma noite histórica para os Moonspell, que regressaram finalmente ao Porto e que, na noite seguinte, voltariam a esgotar o Hard Club.

Entre os pontos positivos, destaque para a excelente forma vocal de Fernando Ribeiro e para a constante interação com o público, que acompanhou a banda ao longo de toda a atuação. Pela negativa, ficam o calor excessivo no interior da sala e um som algo desequilibrado, com pouca presença das guitarras e até mesmo dos teclados.