Texto e Vídeos: Rui Teixeira
The Hole of the Damned
The Small Hours + Living Tales + The Voice Aeternal
Buraco Pub (Ovar), 24.10.2026
No dia 24 de outubro, aconteceu o “The Hole Of The Damned”, no Buraco Pub, em Ovar, sob o desígnio da palavra da perdição e da mensagem dos condenados dos The Small Hours. Convidados para esta eucaristia profana, tivemos os espanhóis The Voice Aeternal e os portugueses Living Tales.
Coube à banda galega The Voice Aeternal, proveniente de Vigo, a abertura da noite. Em formato de sexteto, no qual se destaca a presença de um teclista ao vivo — algo cada vez mais raro nos dias que correm —, foram uma bela surpresa para quem, como eu, não os conhecia. Com a voz de Pilar Dafonte muito bem colocada e afinada, misturam o metal progressivo com diversas outras sonoridades, como o folk e até algumas pitadas de jazz, numa fusão que resultou muito bem nesta apresentação ao vivo. Abriram o set com “Innocent Eyes”, seguindo-se temas que ficaram no ouvido, como “Hypnotized”, “Paradise” e o mais recente single, “Siren Song”. Destaque ainda para o encerramento do concerto com “The Voice Aeternal”, que em disco contou com a participação especial de Danny Cavanagh.
Um belo início de serão com os The Voice Aeternal, que, para além da música, trouxeram simpatia e boa disposição.
Os nossos já bem conhecidos Living Tales foram os seguintes a fazer estremecer o Buraco. Com uma rodagem impressionante, a banda apresenta uma coesão a toda a prova, fazendo variar os seus alinhamentos em cada nova apresentação. Com alguns fãs indefetíveis na plateia e Ana Isola a comandar energicamente a festa, este foi mais um momento de comunhão entre a banda e o público. Desta feita, o set arrancou com “Rising”, passando de seguida por “Hades”, “Immortal” e “River Styx”, tema que fez abrir o circle pit. Seguiram-se “Redemption” e, a fechar, “Reign”, com o refrão a ser cantado por toda a sala. Os Living Tales colocaram a energia, o ambiente e a temperatura no ponto certo, preparando o terreno para recebermos os The Small Hours.
A banda de Lordelo apresentou o som mais pesado da noite e rapidamente conquistou a sala, que se encontrava bem composta. Sob a égide de António Costa, a banda faz de cada concerto um verdadeiro ritual, pleno de intensidade, sofrimento nas palavras e peso sonoro bem doseado. Ora cantados em português, ora em inglês, os guturais profundos misturam-se com declamações litúrgicas inebriantes.
O alinhamento teve início com “Silent Demise” e “Valley Of Sorrows”, seguindo-se “Memories Of Broken Days”. Para terminar, foram apresentados os três atos de Quimera: “Deus Quis”, “Veneno” e “Destino”.
Uma atuação convincente de uma banda que tem demonstrado uma evolução deveras positiva nas suas performances ao vivo.


