Texto & Vídeos: Carlos Guimarães
Shores of Death Metal Fest, DRAC (Figueira da Foz) – 08.02.2025
Decorreu no passado dia 8 de fevereiro a segunda edição do Shores of Death Metal Fest, um festival organizado pelos Dark Oath que trouxe à DRAC da Figueira da Foz um cartaz baseado no death metal onde pontificavam os espanhóis Bloodhunter.
A primeira banda a subir ao palco foram os Dercetius que para além de promoverem o seu álbum de estreia “Withered”, lançado em 2023, apresentaram dois novos temas. Abrindo com “Unglorious Past”, “Lost” e “The Last Enchantment”, o grupo lisboeta tocou depois a novidade “Maze of Ice” que surpreendeu pela sua qualidade. Depois de “Hypocrisy”, encerrariam com o seu mais recente single “Oizys”. De destacar neste colectivo a interação dinâmica apresentada pelos dois guitarristas Ricardo Pato (aqui também vocalista) e Mariana Luís.
Depois dos percalços na sua carreira, os Inhuman Architects parecem ter estabilizado a sua formação e entrarem novamente nos eixos. O baterista indiano Dichen Pakhrin foi uma verdadeira e positiva surpresa, dando a segurança rítmica necessária ao som da banda. As guitarras estão a cargo do regressado Fábio Azevedo e de Guilherme Santos, mantendo-se Fábio Infante como vocalista e líder do grupo. Baseando o seu set no EP “Cultus Deorum”, onde se destacou a malha “Shadows From the Void”, o grupo apresentou também o single “Re:birth”, editado em 2024.
Uma das principais atrações do festival era a apresentação ao vivo do álbum “Black and Blue” dos Lysergic. Esta foi também a estreia ao vivo deste grupo criado e liderado por João Corceiro, talentoso guitarrista nacional que aqui assume também as vozes. Apesar do visível nervosismo, os Lysergic passaram o teste com distinção, com malhas como “Lysergic”, “Of Rage and Power” ou “Liquid Lost” a soarem muito bem ao vivo. Referência ainda para o tema “Biography” que, apesar da sua longa duração, manteve o público preso ao que se passava em palco. Muito bem acompanhado por André Vaz (baixo) e Pedro Favas (guitarra), o destaque óbvio para a performance do baterista Filipe Caeiro aka Xinês.
Muito bem rodados em festivais depois da presença este ano no Hard Metal Fest e Xapada Fest, os Rageful vieram à Figueira fazerem o que sabem melhor: death metal old school como mandam as regras. Com um ambiente muito negro e enevoado, a sua atuação abriu com três temas do álbum “Ineptitude” de 2020: “Slavery Ways”, “Membership to Self-Existence” e “Unsocial Network”. Depois passaram para o mais recente split “Misery” de 2024 com “Medical Chaos”, “Apathy” e “Pay to Breath”. A descarga de death metal continuou com um novo regresso ao disco de estreia e provando que são um caso muito sério no death metal nacional.
O tempo de espera pelos Bloodhunter foi demasiado longo pois os espanhóis insistiram em tocar com a sua bateria. Apesar deste contratempo, a banda rapidamente conseguiu captar a plena atenção do público aos primeiros acordes de “A Twist of Fate to Come”. Obviamente que a maioria dos olhos estavam virados para a vocalista Diva Satânica com uma prestação endiabrada. A espanhola comunicou com os presentes em Português do Brasil que muito provavelmente aprendeu durante a sua passagem pelas Nervosa. Mas, para além da vocalista, era bem evidente a qualidade e experiência de palco dos restantes músicos, com destaque para os guitarristas Guillermo Starless e Dani Arcos. O alinhamento foi centrado no último ” Knowledge Was the Price”, com algumas passagens pelo segundo “The End of Faith”, tocando temas temas como “Still Standing Up”, “Spreading Your Disease”, “Nothing Beyond the Realms of Death”, “Never Let It Rest” . Para terminar recordaram o disco homónimo de estreia com “Embrace the Dark Light” e “Bring Me Horror”.
Num festival mais direcionado para as diferentes vertentes do death metal os Prayers of Sanity poderiam sentir-se como um peixe fora de água mas obviamente não foi isso que aconteceu. Tião e companhia pegaram o público pelos colarinhos e deixaram que o seu thrash metal fizesse o resto. Malhas como “Unturned”, “Past Present”, “Hide Your Hate”, “Dead Alive” ou “Religion Blindness” foram desfilando, com os algarvios a percorrerem todos os seus quatro discos. Muito movimento em frente ao palco, tendo sido uma excelente oportunidade para ver uma banda que em 2025 promete andar mais pelo Norte e Centro do País.
Os Bleeding Display fechariam o cartaz do Shores of Death com chave de ouro em mais uma devastadora performance dos lisboetas. Mesmo adoentado, Sérgio Afonso não parava um segundo em palco, com a força e energia que já nos habituou e que fazem dele e da banda um dos expoentes máximos da cena nacional. Neste espetáculo estreou-se Pedro Natal que substitui João Jacinto na formação do grupo. Esta foi também a primeira vez que o jovem guitarrista se apresentou em palco. Do alinhamento destaca-se “Night Stalker”, “BTK”, “Green River Killer” ou “213”. Pelo meio Dan Vesca foi convidado para cantar a “Dark Passenger” com a banda e no final foi tempo para abrir o champanhe para encerrar os concertos dessa tarde/noite.


