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Fotos: Ruben Silvestre.
Texto: LordSir SetePeles.
Edição vídeo: Carlos Guimarães
Captação vídeo: LordSir SetePeles e Ruben Silvestre.

Nada na Alma do Alentejo Fest
Pavilhão dos Sabores – Beja, 21.06.2025

O segundo dia começou como era expectável com calor brutal, afinal, estávamos em pleno coração do Alentejo, onde o sol castiga sem dó e o metal grita mais alto que o calor.

A abrir hostilidades estiveram os Biolence, praticantes de um death/thrash metal musculado, ofereceram um concerto competente, coeso e cheio de garra, já com provas dadas e sempre profissionais, mostraram que merecem muito mais reconhecimento na cena nacional. A sua atuação foi poderosa e competente, o arranque ideal para uma intensa e longa jornada.

Da região de Lisboa vieram os Karbonsoul, death/gothic metal, carregado de emoção. A vocalista Mafalda, incansável do início ao fim, mostrou ser dona de um vozeirão invejável, puxando constantemente pelo público com uma entrega impressionante, foi uma atuação sombria e poderosa.

O ponto alto da noite e para muitos de todo o festival foram os lendários Benediction. O que se passou ali foi mais do que um concerto, foi um ritual de comunhão entre banda e público. A banda britânica demoliu o Pavilhão com uma sequência de clássicos que deixou tudo em êxtase. Intensos, humildes, profissionais até ao osso os Benediction ofereceram uma atuação inesquecível. Era visível a felicidade estampada nos rostos dos músicos, e quando isso acontece, o público sente, responde e transforma o momento em algo grande, foi verdadeiro espírito heavy metal que ali se viveu, suor, respeito e entrega total de ambas as partes.

Seguiram-se os Esoteric, mestres do funeral doom/death metal esotérico, taciturno, arrastado, introspectivo, um mergulho no abismo emocional. Os laivos de psicadelismo e ambiencia soturna criaram um momento quase litúrgico, um verdadeiro “descanso do guerreiro”, com densidade emocional esmagadora.

Quando se achava que nada mais podia surpreender, vieram os Nagasaki Sunrise e foderam tudo. Aquilo não foi só um concerto. Foi um murro no estômago, uma descarga de thrash metal/punk, com feeling, atitude e intensidade como já raramente se vê. “Puta que pariu caralho”, isto é heavy metal! que ninguém ouse discordar. Se esta banda não representa a verdadeira essência do género, então não sei o que é Heavy Metal. Uma atuação absolutamente explosiva, que ficará como um dos momentos mais brilhantes do festival.

Para fechar a noite com um sorriso nas trombas, ainda houve espaço para um bailarico cheio de humor corrosivo, piadas secas e muito avacalhanço com os Quinteto Explosivo. Uma forma descomprometida de terminar uma noite intensa, provando que o metal também sabe rir de si próprio e que o underground é acima de tudo, uma celebração da liberdade.