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Texto: Carlos Guimarães (CG) e Rui Teixeira (RT).
Fotos: Nuno Reis.
Edição Vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: Carlos Guimarães, Nuno Reis e Rui Teixeira.

Laurus Nobilis Music Fest – Dia 2
Soen + Morgu + Dust Bolt + Kaius + Sacred Sin + Dreadcult + Enemy of Reality + No One Alive + Cabodano
Louro (Famalicão), 19.07.2025

O segundo dia do Laurus Nobilis Music Fest, em Louro, celebrou o ecletismo dentro do espectro do metal com um cartaz que percorreu várias latitudes e sonoridades — do thrash teutónico ao death melódico albanês, do metal sinfónico grego ao progressivo sueco. Uma jornada marcada por energia contagiante, momentos surpreendentes e atuações memoráveis.

A tarde começou com um verdadeiro vendaval vindo da Galiza. Os Cabodano, vencedores da mais recente edição do concurso Laurus Metal Battle, estrearam-se em grande no palco principal com um espetáculo teatral e irreverente. Vestidos de padres e com uma presença cénica quase litúrgica, destacaram-se especialmente pela performance do vocalista Buitre, uma figura carismática e enérgica que não largou o público durante todo o concerto. A banda, que canta em galego, mostrou estar não só à altura do desafio como pronta para palcos bem maiores. A sua fusão entre identidade cultural e intensidade musical revelou-se uma aposta certeira para abrir o dia. (CG)

Seguiram-se os também galegos No One Alive, um dos projetos apurados no Laurus Metal Battle. Com um heavy rock musculado e emocional, liderado por Valentín Fernández, figura imponente e vocalista de grande entrega, a banda conquistou o público com uma atuação suada e genuína. A base de fãs que já traziam das eliminatórias sentiu-se em casa, e a interação entre banda e audiência deu à atuação um calor especial. (RT)

O metal sinfónico tomou conta do palco com os Enemy of Reality, diretamente da Grécia. Inicialmente algo contidos, os músicos rapidamente se libertaram das amarras e elevaram o espetáculo com passagens épicas e atmosferas cinematográficas. A vocalista Iliana Tsakiraki foi o destaque absoluto — poderosa, expressiva e tecnicamente exímia. O momento mais marcante chegou com a interpretação da canção tradicional grega “De Se Thélo Piá”, que encantou mesmo os menos habituados ao estilo. Uma atuação crescente e recompensadora. (CG)

Já com experiência de palcos nacionais, os Dreadcult vieram da Galiza mas com o seu vocalista brasileiro radicado em Portugal a assumir a linha da frente. O metalcore da banda fez levantar poeira e corações. Com uma atitude descontraída, mas profissional, houve tempo para piadas, momentos em português e até um apelo divertido à compra de merchandising — “senão não temos como voltar a Espanha!” A presença forte em palco e o frenesim que causaram marcaram-nos como uma das surpresas positivas do dia. (RT)

Quando os Sacred Sin sobem ao palco, sabe-se que se vai assistir a uma lição de história do metal português. A celebrar os 25 anos do emblemático “Anguish… I Harvest”, a banda provou mais uma vez porque é uma das instituições do género em Portugal. Com José Costa a comandar com segurança e Tó Pica em grande forma nas seis cordas, o concerto foi sólido, coeso e cheio de atitude. Um verdadeiro pilar do cartaz de sábado. (CG)

Vindos de Itália, os Kaivs não eram dos nomes mais falados do cartaz, mas saíram como uma das revelações do dia. Com uma dose brutal de old school death metal e um vocalista irreverente — que arriscou diversas expressões em português com sucesso — conquistaram a plateia. O seu vocalista entregou-se de corpo e alma, literalmente: foram várias as vezes em que se lançou em crowdsurfing, num crescendo de comunhão com o público. A reação calorosa foi tão evidente que a banda prometeu regressar em breve a Portugal. Uma atuação visceral. (RT)

Os alemães Dust Bolt provaram porque continuam a ser uma das melhores bandas da nova geração de thrash europeu. Se em 2018 no Vagos ou em 2022 no River Stone já tinham deixado boas impressões, aqui em Louro superaram todas as expectativas. Com um setlist poderoso — onde se destacaram “Toxic Attack”, “Killing Time”, “Trapped in Chaos” e “Rhythm to My Madness” — incendiaram o recinto. O momento mais icónico chegou quando Lenny B., guitarra e voz, desceu até ao meio do público com o seu microfone e fez do recinto o seu próprio palco. Arrebatador. (CG)

Com um nome ainda desconhecido para a maioria, os Morgu chegaram da Albânia com o seu álbum de estreia “Oceangrave”, lançado este ano. O seu som, entre o death metal atmosférico e o doom, com a presença distinta de um teclista, criou uma aura hipnótica. Lentos, densos e arrepiantes, proporcionaram uma atuação quase ritualista, de olhos fechados e cabeça a balançar lentamente. Uma banda que se destacou pelo ambiente criado, provando que nem sempre é preciso velocidade para esmagar. (RT)

A noite culminou com os aguardados Soen, cabeças de cartaz indiscutíveis do dia. Os suecos liderados por Joel Ekelöf trouxeram toda a sua elegância e intensidade emocional ao palco. Desde a abertura com “Sincere” até ao encore com “Antagonist” e “Violence”, a atuação foi de uma sofisticação rara. O público, que em boa parte tinha feito a viagem até Louro para os ver, rendeu-se desde os primeiros acordes. Temas como “Martyrs”, “Deceiver”, “Unbreakable”, “Monarch” e “Lotus” compuseram um set irrepreensível. A comunhão entre banda e plateia foi profunda e comovente, fechando o segundo dia do Laurus Nobilis da melhor forma possível. (CG)