Banner Top

Texto e edição vídeo: Carlos Guimarães.
Fotos: Nuno Reis.
Captação vídeo: Carlos Guimarães, Nuno Reis.

H.E.A.T. + Hitten
Hard Club (Porto), 08.03.2026

No passado dia 8 de março, o Hard Club, no Porto, recebeu uma verdadeira celebração do hard rock melódico com os suecos H.E.A.T. e os espanhóis Hitten. Apesar de o público dedicado a este género já não ser tão numeroso como em décadas passadas — algo visível numa Sala 1 que ficou pouco acima de metade da sua capacidade —, o entusiasmo e a devoção dos presentes provaram que o espírito do hard rock continua bem vivo.

Ainda à hora de jantar, coube aos Hitten inaugurar a noite. Oriundos de Múrcia e com cerca de quinze anos de carreira, o quinteto trouxe consigo um hard rock melódico que remete diretamente para o imaginário sonoro dos anos oitenta. O concerto arrancou com “While Passion Lasts”, “Mr. Know It All” e “Blood from a Stone”, três temas retirados do mais recente álbum da banda, editado em 2023.

O grande destaque da atuação recaiu, sem dúvida, sobre o vocalista Alex Panza, dono de uma voz poderosa e capaz de atingir registos agudos com aparente facilidade, conquistando rapidamente a atenção do público. A dupla de guitarristas também mostrou qualidade técnica e presença em palco, embora por momentos se tenha notado alguma falta de coesão rítmica — possivelmente fruto da preocupação em privilegiar momentos mais exuberantes e visuais em detrimento da solidez rítmica.

Ao longo do concerto houve ainda espaço para “Eyes Never Lie”, a balada “Something to Hide” — construída de acordo com o manual clássico de como compor uma power ballad dos anos oitenta — e a acelerada “Twist of Fate”. Um dos momentos mais divertidos da atuação surgiu com um duelo de guitarras no meio do público, gesto que agradou particularmente aos presentes. A despedida dos espanhóis fez-se ao som de “Heat of the Night”, encerrando uma prestação sólida e bem recebida.

Os H.E.A.T. provaram porque são hoje um dos nomes incontornáveis da nova vaga de hard rock melódico surgida já em pleno século XXI. Inspirados por bandas que marcaram a década de ouro do género — como os Europe —, os suecos mantêm viva essa herança com energia renovada e uma forte ligação ao público.

Desde o primeiro momento ficou claro que a banda vinha determinada a conquistar a sala. A abertura com “Disaster”, “Rock Your Body” e “Dangerous Ground” colocou imediatamente a plateia a cantar e a reagir aos constantes desafios lançados pelo carismático vocalista Kenny Leckremo. Embora o grupo esteja atualmente a promover o mais recente álbum “Welcome to the Future”, soube equilibrar os temas novos com alguns dos seus clássicos mais celebrados, entre os quais “Hollywood”.

A energia manteve-se sempre elevada, com momentos marcantes em temas como “Rise”, “Nationwide”, “Losing Game” e “Set Me on Fire”, este último interpretado com Leckremo a assumir também a guitarra acústica. Em “Beg Beg Beg”, os suecos surpreenderam ao inserir um excerto de “War Pigs” dos Black Sabbath, num dos muitos momentos em que a voz do público se fez ouvir quase tão alto quanto a da banda.

Seguiu-se o inevitável solo de bateria protagonizado por Lars ‘Don Crash’ Jarkell. Mais do que uma mera demonstração técnica, o momento transformou-se numa pequena peça de entretenimento, arrancando gargalhadas e alguns suspiros quando o baterista decidiu, a meio da performance, livrar-se da t-shirt — gesto que provocou especial entusiasmo numa parte do público.

A reta final do concerto foi percorrida em ritmo acelerado com “Back to the Rhythm”, “Running to You” e “Living on the Run”, passando ainda por “1000 Miles” e “One by One”, antes da despedida com “A Shot at Redemption”.

No final, ficou a sensação de uma noite muito bem passada: descontraída, enérgica e dominada pelo melhor que o hard rock melódico tem para oferecer. Mesmo sem casa cheia, quem marcou presença no Hard Club teve direito a um espetáculo vibrante que reafirmou a vitalidade deste género e a paixão inabalável dos seus seguidores.