Texto e Edição vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: Carlos Guimarães e Rui Teixeira.
Nurcry + Tarantula + Living Tales
Hard Club (Porto), 08.05.2026
No passado dia 8 de maio, o Hard Club, no Porto, recebeu a primeira das duas datas portuguesas dos espanhóis Nurcry, concertos inseridos na digressão de promoção ao recente álbum “IV”. A noite contou ainda com as atuações dos Living Tales e dos veteranos Tarantula, num alinhamento que juntou diferentes gerações e abordagens ao heavy metal ibérico.
Os primeiros a subir ao palco da Sala 2 foram os Living Tales, ainda perante um público que entrava lentamente no recinto. A banda não facilitou logo de início e arrancou com “Labyrinth”, um dos temas mais complexos do mais recente “Hades”, seguindo depois para “Reckoning”, retirado de “Persephone”. Já habituados aos palcos do Norte do país, os Living Tales mostraram preocupação em renovar o alinhamento habitual dos últimos concertos, procurando oferecer algo diferente aos presentes.
Apesar das limitações ao nível da iluminação e de um som onde a guitarra acabou por ficar demasiado discreta face ao volume da bateria, o grupo conseguiu captar atenções através da sua qualidade técnica e da poderosa interpretação vocal de Ana Isola. Após “Mirror Cage”, a reta final acabou por elevar ainda mais a atuação, com “Hades” e a sempre arrepiante “Rising” a deixarem uma excelente impressão.

Embora fossem os cabeças de cartaz oficiais da noite, os Nurcry subiram ao palco ainda antes dos Tarantula. Oriundos de Leganés, os espanhóis nasceram da visão de Ángel Gutiérrez em 2021, rodeando-se desde então de jovens músicos talentosos para, num curto espaço de tempo, lançarem já quatro álbuns de originais. Apenas desde 2024 Ángel assumiu também a guitarra ao vivo, notando-se ainda alguma natural insegurança no domínio do instrumento em palco.
Com três guitarristas, baixo, bateria, vocalista principal e vocalista de apoio, os Nurcry apresentaram um heavy metal energético, maioritariamente cantado em espanhol. A reação inicial do público revelou algum desconhecimento da banda, algo evidente durante “Perros del Infierno”, “La Enfermedad” e “Contra Viento y Sol”. No entanto, a entrega dos músicos — especialmente do carismático Kike Fuentes — rapidamente começou a conquistar os presentes.
A ligação intensificou-se quando Kike, entre músicas, começou a elogiar a cidade do Porto, afirmando em tom descontraído que Madrid “era uma merda comparada com o Porto”, comentário que arrancou aplausos e gargalhadas. “Enseñame a Sentir” foi um dos pontos altos da atuação, antecedendo uma introdução de bateria que abriu caminho para “Nuclear Goodbye”, um dos temas em inglês do grupo. Já em “Grita”, os Nurcry colocaram literalmente o público a gritar em uníssono, encerrando depois com “El Muro”, “Cuéstion de Rock & Roll” e “Latidos de Pasión”.
Tal como acontece com muitas bandas espanholas, os Nurcry são daqueles nomes que inicialmente podem soar estranhos ao ouvido, mas que rapidamente se entranham graças à sua autenticidade e capacidade de criar empatia com o público.

Convidados especiais destas datas portuguesas, os Tarantula regressaram praticamente a casa, apesar de já não atuarem no Porto há bastante tempo. A primeira metade do concerto acabou por ser algo morna, centrando-se sobretudo em temas mais recentes como “The Voice Inside”, “Dark Age”, “Afterlife” e “Storm”.
Tudo mudou, contudo, quando o público finalmente avançou alguns passos e se aproximou do palco. A energia transmitida pelos presentes acabou por contagiar a banda, que respondeu com uma das melhores atuações dos últimos anos, fazendo recordar os enormes concertos dos Tarantula ao vivo há mais de duas décadas.
Também o alinhamento contribuiu decisivamente para essa transformação. Após “Nature of Sin”, foi a vez de “You Can Always Touch the Sky” elevar ainda mais a interação entre banda e público, criando um ambiente de verdadeira comunhão dentro da Sala 2. “Changes Coming” e “We Go with the Flow” prepararam depois terreno para uma reta final recheada de clássicos que toda a gente aguardava.
“End of the Rainbow” e “Lusitania”, retiradas do mítico “Kingdom of Lusitania”, foram recebidas com enorme entusiasmo, tal como “Not the End”. Já “Dream Maker” e “Face the Mirror” confirmaram porque continuam a ser dois dos temas mais marcantes da carreira dos Tarantula.
O encerramento da noite ficou reservado para a já habitual celebração coletiva ao som de “Smoke on the Water”, dos Deep Purple, com elementos dos Nurcry e Living Tales a juntarem-se aos Tarantula em palco. Um momento de festa e confraternização que serviu de culminar perfeito para um evento que certamente ficará na memória de quem marcou presença no Hard Club.




