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Texto: Rui Teixeira.
Fotos: Edgar Silva, Nuno Reis e Rafael Correia

Milagre Metaleiro Open Air 2026
Dia 3
Pindelo dos Milagres (São Pedro do Sul), 23.08.2026

Domingo 23 de agosto, último dia do MMOA 2026, será uma data para recordar por muitos anos.

Se poderia haver já algum cansaço acumulado, isso não se fez notar quando os bracarenses Capela Mortuária subiram ao palco. Aliás, se há coisa que não há com Capela Mortuária é descanso. Ritmo frenético e sempre nos limites essa a imagem de marca da banda, “não para, ninguém para…” era a palavra de ordem, e o headbang e o mosh pit corresponderam em pleno. Pelo meio da atuação tivemos ainda uma substituição de baterista, com Luís Moreira a assumir e Jordi a dar uma perninha nos vocais. Mais uma banda portuguesa que tomou de assalto o palco do MMOA e fez por merecê-lo, provando que a aposta no que é nacional é de facto uma aposta segura, tanta a qualidade que temos por cá.

Desconhecidos para uma grande parte dos presentes (eu incluído), os espanhóis Sovengar, fizeram tudo para se fazerem notar nesta edição do MMOA. E conseguiram-no plenamente, numa prestação que teve um pouco de tudo, desde dragões em palco, o vocalista a cantar no meio do público e até uma visita ao bar para um cocktail explosivo. Uma verdadeira viking party, que marcou muito positivamente este dia de fecho do MMOA.

Os indianos Girish and The Chronicles (G.A.T.C.), chegavam a Pindelo com os créditos de uma banda que fez abertura para Guns’n’Roses na sua terra Natal, elevando assim as expectativas. Boa presença em palco e temas “catchy” de hard rock e heavy mais tradicional, animaram a plateia e arrancaram bastantes aplausos. Este seria um bom aquecimento para o que nos esperava daqui em diante.

Mr Blaze Bayley não precisa de apresentações, e quando subiu ao palco do MMOA a reação da plateia foi imediata. Com um set quase totalmente dedicado a Iron Maiden, apenas a abertura do set com “Doctor Doctor” (cover de UFO) e “Born as a Stranger” do próprio Blaze, saíram desse registo. A fórmula do sucesso era garantida e muitos refrões foram cantados em uníssono pelo público, fazendo deste concerto um momento único para os fãs mais nostálgicos de Iron Maiden. Sempre muito simpático e grato pelo apoio dado pelos fãs ao longo dos anos, Blaze não se cansou de mencionar isso mesmo, recordando inclusive a primeira visita a Portugal aquando da sua presença nos Iron Maiden. Que grande momento esta passagem de Blaze Bayley pelo MMOA.

Por esta altura e conforme as previsões meteorológicas apontavam, as nuvens negras começaram a pairar sobre Pindelo. E alguém consegue imaginar um cenário melhor para receber os gigantes Belphegor?

Logo após a entrada em palco dos austríacos, uma densa neblina caiu sobre o recinto e a atuação foi acompanhada de chuva torrencial, raios e trovoada. A atuação da banda, inspirada por toda esta envolvente foi absolutamente arrasadora. Uma parede sonora poderosa, suportada por um som irrepreensível, deixou todos aqueles que não arredaram pé, em absoluto êxtase com o que estavam a presenciar. Será caso para dizer que tudo se conjugou na perfeição, a primeira vez que choveu numa edição do MMOA, neblina, raios, trovões e Belphegor em palco, fizeram deste concerto um daqueles que orgulhosamente iremos dizer durante muitos anos “eu estive lá”. Inesquecível.

Com a chuva já a começar a dar algumas tréguas, mas com o recinto completamente encharcado, corpos molhados, mas almas lavadas, o espírito de resistência de todos foi algo incrível, e logo de seguida assistiríamos a mais um concerto fantástico dos grandes Primal Fear.

Os alemães são um dos nomes incontornáveis do power/speed metal, a banda de Mat Sinner e Ralph Scheepers incorporou desde 2024 a guitarrista Thalia Bellazecca, que para além da qualidade técnica transmite alegria e simpatia em palco. Uma performance de excelência que levou o público ao rubro, com uma setlist que percorreu 8 álbuns da extensa carreira da banda e terminou com “Metal Is Forever”. Mais um momento sublime nesta noite de encerramento do MMOA, que nos deixou a todos com um sentimento de satisfação por estarmos ali naquele momento.

Acrescentados quase à última hora ao cartaz os finlandeses Insomnium tinham a responsabilidade de fechar este terceiro dia. E com tudo o que foi aqui descrito, não era uma tarefa fácil, mas de facto este dia do MMOA estava destinado a ficar na história e os Insomnium assinaram um concerto fabuloso. Com o seu death melódico, combinando agressividade com momentos mais nostálgicos e melódicos executados tecnicamente de forma espantosa, justificaram o estatuto de headliners. A base do setlist os álbuns “Heart Like a Grave” e “Shadows Of Dying Sun”, onde pessoalmente destaco a faixa “While We Sleep”, impossível não emocionar.

Encerrava assim a edição 2026 do MMOA. Apesar de todas as dificuldades, a organização e todos os envolvidos conseguiram colocar de pé uma edição que será recordada para SEMPRE.
Obrigado e até 2027!