Texto: António Mota.
Edição Vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: António Mota, Mónica Sousa e Rui Teixeira
Na noite do passado dia 16 de novembro, a DRAC (Direito de Resposta Associação Cultural), na Figueira da Foz, recebeu os franceses First Draft, muito bem acompanhados pelos proggers nacionais Needle.
A noite estava algo fria e a sala tardava em compor-se, algo que atrasou o início de ambas as atuações. Para esse facto, contribuiu o facto de termos um fim de semana carregado de eventos de música mais pesada, o que, inevitavelmente fez dispersar os aficionados deste género musical.
No entanto, com o avançar da hora, a DRAC começou a compor-se e a noite fria deu lugar a dois belíssimos concertos que aqueceram a alma de um número já significativo de curiosos, mas também de alguns fãs das bandas, equipados a rigor.
Os Needle abriram as hostilidades e presentearam-nos com um enorme concerto! Eles continuam a apresentar o seu último álbum,”Fall”, votado nos Caminhos Metálicos como um dos discos do ano de 2023. Este é um disco recheado de belíssimos temas, onde o Prog se mistura com alguns momentos Djent, acompanhados pela belíssima voz da Soraia, que, na minha opinião, é atualmente uma das melhores vozes femininas nacionais dentro do género. A atuação dos Needle assentou quase na totalidade no seu último trabalho e temas como “Fall”, “Castles”, “The Absconder” ou “Elude” (que registamos em multicam) fizeram as delícias dos presentes e mostraram que os Needle, a par de bandas como Apotheus ou Sullen, são atualmente um dos projetos mais interessantes do prog nacional.
Pelo meio, houve ainda tempo para alguns temas mais antigos, do seu EP de estreia “Converge”.
O som esteve a um nível muito bom, o que potenciou ainda mais a excelente performance da banda. Ficamos a aguardar mais concertos dos Needle, pois são sempre eventos dignos de registo.
De seguida, foi a vez do duo francês First Draft subir ao palco. Eles encontram-se a fazer uma tour ibérica com algumas datas para promoção ao seu último trabalho, o EP “Declines Are Long Gone”, de 2022. A banda apresenta uma grande mescla de sonoridades e cruzam de uma forma surpreendente Post-Rock, Shoegaze e o Post-Hardcore.
Vindos da cidade de Tours, quem pensava que dois músicos não conseguem encher um palco, enganou-se redondamente. Desde cedo ficamos contagiados pela energia destilada pelo Duo, com um baixo que funciona ao mesmo tempo como guitarra, sintetizador e que desferiu verdadeiros ataques eletrizantes ao público, alternando com momentos mais calmos e introspetivos. A vocalista/baterista destilou uma energia contagiante, com um estilo de percussão muito próprio e surpreendente, que acompanhava na perfeição cada riff e melodia do baixo.
Os First Draft apresentam canções de grande qualidade e rapidamente captaram a atenção do público presente que, aos poucos, começou a acompanhar a banda com movimentos corporais cada vez mais intensos.
Com o passar dos temas, parecia que os First Draft tinham tocado diversas vezes no nosso país, dada a perfeita simbiose entre a banda e o público presente. O concerto foi uma bela surpresa para mim que não conhecia a banda, mas espero vê-los mais vezes no nosso país.
Apesar das bandas merecerem mais público, foi uma excelente noite de boa música com dois projetos de enorme valor e que, na minha opinião, combinaram muito bem em cima do mesmo palco.


