Texto e Edição Vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: Carlos Guimarães e Rui Teixeira.
No passado dia 30 de novembro, o Woodstock 69 do Porto recebeu o segundo concerto comemorativo dos 30 anos do “Abstract Divinity” dos Thormentor, marcado pela luxuosa reedição deste disco pela Larvae Records. Infelizmente o público nortenho não compareceu em peso a este evento, ao contrário do que tinha sucedido no dia anterior no RCA Club, em Lisboa. E foi pena pois tudo correu dentro da perfeição, desde a prestação das bandas presentes até ao próprio som e ambiente na sala portuense.
A abrir a noite atuaram os Cape Torment, cujo guitarrista Paulo Pereira é um dos mais indefectíveis fãs de Thormenthor no nosso País. Com o Patrick Ribeiro como baterista convidado a substituir o Diego Mascarenhas que recupera de uma cirurgia (as melhoras Diego!), a banda sentiu nalguns raros momentos essa falta de entrosamento. Mas nada que beliscasse a competente atuação da banda, iniciada ao som de “Adamastor” e “Raging in the Dark” do seu EP de estreia de 2016. Depois tocaram algumas malhas mais recentes – parte delas já reconhecidas de concertos anteriores – como “Useless Creation”, “Immolation” (a qual registamos em vídeo) ou “Plague Bearer”. Nas paragens eramos brindados com o humor do vocalista Zé que contrasta com a sua pujante prestação ao vivo. Esperamos agora pelo tão aguardado álbum de estreia.
A noite era dos Thormenthor e que concerto deram eles! Apesar de estarmos ali a celebrar o “Abstract Divinity”, a banda de Almada revisitou toda a sua infelizmente curta carreira, numa viagem ao passado interpretada ao vivo de forma irrepreensível.
Foi ao som do instrumental “Nebula” que o público presente começou a amontoar-se bem junto ao palco para presenciar o mais de perto possível à prestação da banda em temas do disco agora reeditado: “Abstract Divinity”, “Proportional Dream”e “Imaginary Landscape”. Depois veio a primeira das surpresas com “Into the Death”, o tema-título da segunda demo dos Thormenthor, datada de 1988. Aqui Miguel Fonseca recordou as primeiras influências da banda antes de avançar para mais uma do “Abstract…”, a “Nothing Expanded” que registamos em vídeo. Depois voltaram cinco anos atrás na sua história para o tema que deu nome à sua terceira demo, a “Self Immolation”. Depois de mais uma passagem pelo seu único álbum com “Aesthetic Blight” houve tempo para a “Absorbed” e para a versão à “Troops of Doom” dos Sepultura que os Thormenthor prepararam para estas duas noites. A outra surpresa foi terem tocado a “Dissolved in Absurd” da sua demo de 1991, algo preparado especialmente para esse fim-de-semana e que também registamos em vídeo. A nova “Large Hadron Collider” também fez parte do setlist, malha que marcou o regresso da banda à atividade e lançada em 2019. Na reta final do concerto (que durou cerca de 75 minutos) voltaram ainda ao “Abstract…” com “Karma’s Retribution”, ao “Pulverising” de 1991, terminando com o primeiro tema de sempre composto pelos Thormenthor, a “Cynical Hypocrisy” da primeira demo de 1988. Sem dúvida uma noite memorável que esperemos se repita num futuro próximo pois os Thormenthor. para além de provarem a sua importância na “nossa” história. mostraram que ainda têm muito para dar à cena nacional.


