Texto: Carlos Guimarães
Edição Vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: Carlos Guimarães e Nuno Reis.
No dia 14 de dezembro decorreu em Zamora uma noite de heavy metal ibérico, integrada na FHLIM (Feria Hispano Lusa de la Industria Musical). Numa parceria com o Milagre Metaleiro – Associação Cultural, rumaram a terras espanholas duas das mais emblemáticas bandas nacionais: os Tarantula e os Xeque-Mate.
Apesar do imenso frio que se fazia sentir naquele início de noite (o evento começou por volta das 19:00 locais), a Plaza Mayor de Zamora esteve bem composta, com muitos fãs nacionais da zona de Trás-os-Montes presentes.
Apesar dos seus 35 anos de carreira, esta foi a primeira vez que os Xeque-Mate atravessaram a fronteira nacional. Abrindo com “Ritual”, neste concerto assistiu-se à estreia do novo baixista Diego Alves que ajudou e muito a potenciar o dinamismo da banda em palco. Com o Xico Soares a falar em português seguiram com “Não Consigo Manter a Fé” e “Quase Esqueci a Tua Cara”, para depois regressarem ao passado novamente com a “Escrava da Noite” e a “Vampiro da Uva”. Para o final ficaram aqueles que são, na minha opinião, os três melhores temas da banda: “Rastejantes”, “Às do Volante” e “Filhos do Metal”.
De regresso a solo espanhol após alguns anos de ausência, os Tarantula mostraram ainda estarem aí para as curvas, apesar infelizmente serem cada vez mais raras as aparições da banda ao vivo. Abrindo com “Nature of Sin” e “You Can Always Touch the Sky”, o grupo de Valadares passou em revista quase todos os seus álbuns, não faltando o “End of the Rainbow”, “Not the End”, “Dream Maker” e “Freedom’s Call”. Com um comunicativo Jorge Marques a falar um espanhol quase fluente, criou-se ao longo da atuação uma empatia entre a banda e o público.
Infelizmente o set foi encurtado, terminando em apoteose com o “Smoke on the Water”, a versão do tema dos Deep Purple que há já muitos anos não ouviamos ao vivo tocado à maneira dos Tarantula.
Já com a Plaza Mayor quase cheia, com muitas famílias que traziam as suas crianças bem pequenas ainda, entraram em palco os Tierra Santa, a principal atração da noite. Se dúvidas havia quanto ao respeito que o público espanhol tem pelas suas bandas, estas ficariam completamente dissipadas, com pequenos e graúdos a cantarem as letras das músicas deste colectivo fundado em 1997.
Abriram com “Un Viaje épico”, “Rumbo a las estrellas” e “Indomable” e o que se seguiu foi um longo desfilar dos melhores momentos da carreira da banda de Logroño. Não faltaram “Ícaro”, “La Sombra de la Bestia” (estes dois temas podem ver aqui), “Pegaso”, “Tierras de Leyenda”, “La Leyenda del Holandés Errante” com a grande aclamação a surgir no final com “Legendario” e “La canción del Pirata”. No entanto, foi notório nalguns momentos a falta de entendimento entre o líder Ángel San Juan e o baterista que, pelo que nos apercebemos, não era o habitual dos Tierra Santa. Apesar dos arranques em falso e de alguma frieza por parte de Ángel na comunicação com o público, o este saiu dali satisfeito, a avaliar pelos seus rostos sorridentes.
A diferença nas mentalidades entre o lado de cá e de lá da fronteira esteve bem vincada neste evento. Conseguiriam imaginar um concerto destes numa Praça Municipal nacional, com o camarim das bandas a estar situado numa sala de reuniões duma Câmara Municipal? Pois… Mas foi isso que se passou em Zamora.


