Reportagem e fotos por Edgar Silva.
Bad Religion + Agnostic Front + Strung Out + Trinta & Um + Belvedere + Crim
Sala Tejo da Meo Arena (Lisboa), 11.05.2025
Há noites que ficam para sempre gravadas na memória dos fãs. A Sala Tejo da Meo Arena foi palco de uma celebração ímpar do punk rock, reunindo gerações num cartaz de luxo que ofereceu intensidade, energia e paixão do primeiro ao último acorde. Crim, Belvedere, Trinta & Um, Strung Out, Agnostic Front e Bad Religion assinaram um alinhamento histórico, capaz de satisfazer os mais exigentes amantes do género.
A jornada sonora teve início com os catalães Crim que não perderam tempo a impor ritmo e atitude. Com a sala ainda a compor-se, entraram com tudo e não deixaram ninguém indiferente. O seu punk rock direto, com letras em catalão e uma presença de palco assertiva, aqueceu o ambiente e preparou o terreno para uma tarde e noite de pura catarse musical.
Crim
Seguiram-se os canadianos Belvedere, mestres do skate punk melódico, que trouxeram consigo uma descarga de energia frenética e melodias orelhudas. A banda mostrou porque é uma referência no estilo, com um setlist que reuniu alguns dos seus melhores temas como “Happily Never After”, “Elephant March”, “Closed Doors” ou “Good Grief Retreat”, com uma entrega que fez a plateia vibrar. A fluidez das guitarras, os coros intensos e a interação constante com o público marcaram uma atuação que foi muito mais do que competente — foi arrebatadora.
Belvedere
Os Trinta & Um, representantes maiores do punk rock nacional, não deixaram os créditos por mãos alheias. A banda lisboeta mostrou porque continua a ser um dos nomes mais respeitados da cena portuguesa, com uma atuação cheia de garra, paixão e uma ligação emocional com o público que poucos conseguem alcançar. Os temas emblemáticos como “LVHC” e “O Cavalo Mata” foram cantados em uníssono, numa verdadeira comunhão entre banda e fãs. Foi uma celebração do punk feito em Portugal e uma demonstração de vitalidade da cena local.
Trinta & Um
Depois de tantos anos de ausência dos palcos lisboetas, os Strung Out regressaram em força, trazendo consigo a intensidade que os caracteriza. A Sala Tejo acolheu com entusiasmo o regresso da banda californiana, que brindou os presentes com faixas como “Blueprint of the Fall”, “Analog”, “Everyday” ou “Bring Out Your Dead” ou . Com uma energia avassaladora, riffs acelerados e uma performance sólida, os Strung Out provaram que o tempo só fortaleceu a sua arte. A interação calorosa com os fãs reforçou a atmosfera de comunhão e nostalgia.
Strung Out
O tom subiu ainda mais com os lendários Agnostic Front, nomes incontornáveis do hardcore nova-iorquino. Com mais de três décadas de estrada, Roger Miret e Vinny Stigma lideraram um verdadeiro assalto sonoro que combinou agressividade, honestidade e entrega. A Sala Tejo transformou-se num campo de batalha emocional com temas como “My Life, My Way”, “United Blood”, “For My Family” e “Gotta Go”. O público respondeu à altura, criando um mosh pit intenso mas respeitador — como manda a velha escola. Entre músicas, Miret partilhou histórias e mensagens de união, recordando o espírito comunitário do hardcore. Um concerto memorável que misturou brutalidade sonora com coração e que terminou como sempre com a cover de “Blitzkrieg Bop” dos Ramones.
Agnostic Front
A noite culminou com a presença majestosa dos Bad Religion, uma instituição do punk rock mundial. Com mais de 40 anos de carreira, a banda norte-americana ofereceu uma performance que equilibrou com mestria técnica, emoção e mensagem. Greg Graffin, sereno mas imponente, liderou a multidão por um alinhamento que percorreu diferentes fases da banda, com hinos como a abertura “Recipe for Hate”, “New Dark Ages”, “Do What You Want”, “21st Century (Digital Boy)” e, no encore, “Sorrow” e a incontornável “American Jesus”. A intensidade das letras, carregadas de crítica social, aliada à execução irrepreensível, transformaram a Sala Tejo num verdadeiro santuário do punk. Foi um final épico para uma noite que já era lendária antes mesmo de terminar.
Esta noite de 11 de Maio ficará nos anais do punk rock em Portugal. Não foi apenas um concerto — foi uma ode a décadas de resistência, melodia e atitude. Um encontro entre passado e presente, onde cada banda deixou uma marca indelével e cada fã levou consigo uma história para contar.


















































































