No dia 29 de março decorreu na cidade da Praia (Cabo Verde) o festival Grito Rock Praia. Nas edições anteriores este festival contou com bandas nacionais de rock e metal como os Tales from the Unspoken, Vira Lata e Serrabulho. A nossa ligação a este evento criou-se o ano passado com a divulgação que fizemos à presença dos Serrabulho na ilha de Santiago e este ano o Caminhos Metálicos foi apoio oficial do Grito Rock Praia.
A convite da ARTiKUL CJ estive presente na edição deste ano com o bónus de viajar na companhia dos amigos e praticamente vizinhos Revolution Within. Após uma longa viagem chegamos à Praia e, para além da simpática temperatura, fomos muito bem recebidos pela organização. Na noite de sexta-feira estivemos presentes no Grito Encontro onde, num ambiente formal e amigável na Casa da Sogra, se fez a receção das várias bandas presentes no evento: Anamika, Djunta Raiz, Vamar & Band, os austríacos VxPxOxAxAxWxAxMxC e os Revolution Within. Foi nesta noite que tivemos a nossa primeira experiência com o grogue e sentimos a afabilidade dos cabo-verdianos.
Podem ficar aqui com um breve resumo desta primeira parte da viagem:
No dia do festival e após o soundcheck foi tempo de alguns experimentarem a cachupa e, no meu caso, um fantástico bife de atum. Mantendo o tom pessoal desta reportagem, posso afirmar que a gastronomia de Cabo Verde é realmente fantástica. Antes de rumarmos ao Plateau, fomos aproveitar o bom tempo na Praia da Quebra Canela e ouvir (e ver) música ao vivo acompanhados por uma Strela Kriola.
O Grito Rock, para além da música ao vivo, é um evento cultural. Entre o dia 20 e dia 30 ocorreram várias iniciativas, tendo sido o dia 29 o culminar. Às 17:40 ocorreram as boas vindas, a atuação da banda local mais tradicional Djunta Raíz e outras iniciativas. Pouco antes das 20:00 – hora estranha para um espetáculo de goregrind – entravam em palco os Vaginal Penetration of an Amelus with a Musty Carrot ou VxPxOxAxAxWxAxMxC para facilitar. Com apenas guitarrista e vocalista (bateria, baixo e samplers saiam de um computador), estes austríacos tiveram inicialmente dificuldade em conquistar o público porque, ainda mais àquela hora, ninguém estava à espera de ver dois homens vestidos com bata branca a debitar riffs pesados e a cantar em growl e pig squeal. Mas depois do primeiro impacto conseguiram cativar uma boa parte do público. Podem ver aqui alguns momentos da sua atuação:
Após a homenagem a Teresinha Araújo e a presença em palco de Soren Araújo e Vamar Martins, atuariam os Anamika, os atuais representantes do heavy metal cabo-verdiano, onde toca o guitarrista Miguel Gonçalves (ex – Tales for the Unspoken). Banda com muito potencial, com a particularidade de cantar em crioulo e que tem um vocalista que é um verdadeiro sósia do ator Kevin Hart.
Pouco depois das 23:00 entrariam em palco os Revolution Within que tiveram o público na mão desde a introdução “Nebula”. Perante um Plateau cheio onde nem 20% eram realmente fãs de metal, o grupo nacional conseguiu com a sua energia e presença em palco transformar o concerto numa celebração. A alegria estava espelhada nos rostos em palco e no público, pois neste último caso é, para alguns, a única oportunidade que têm para verem uma banda de heavy metal em palco. Já tinha, à distância, percebido o ano passado que o Grito Rock é um festival muito especial e, este ano, in loco confirmei esta impressão. Muito por culpa do público que rumou ao Plateau, com muita mente aberta e sedento de novas experiências.
Após o festival foi tempo de rumar ao Kebra Kanela para a Grito Rock Jam Session. Um excelente ambiente se criou entre os músicos e público em geral nesta noite, só faltando realmente um pouco mais de Rock na Jam Session.
Podem ficar aqui com o vídeo multicam de 3 temas dos Revolution Within ao vivo, o aftermovie e as fotos gentilmente cedidas pelo Torquato Tavares Jr.:
Concerto - Fotos por Torquato Tavares Jr.
O último dia foi mais cultural, com uma visita à Cidade Velha e a oportunidade de conhecermos melhor a História de Cabo-Verde.
Foi sem dúvida de coração cheio que saímos da Praia rumo a Portugal. Pessoalmente quero deixar um agradecimento muito especial ao César e ao JóJó da Artikul CJ pela excelente organização, hospitalidade e possibilidade de ter vivenciado esta experiência e ao Raça, Matador, Flávio, Tiago e Tó-Zé “Val Kilmer”, porque seria difícil ter estado em melhor companhia. Agradecimento ainda ao incansável Ildo e restante staff, aos músicos das bandas, à Diana, à Sams e a todos com os quais nos cruzamos nestes dias.
Texto: Carlos Guimarães



























































