Banner Top

Texto e Captação Vídeo: LordSir SetePeles.
Edição Vídeo: Carlos Guimarães.

Massacre Metal Fest 2025
Speedemon + Prayers of Sanity + Corpus Christii + Diabolical Mental State + Bleeding Display + Disaffected + Retador + Toxik Attack + Dark Pearl
À-dos-Loucos (Vila Franca de Xira), 03.05.2025

O Massacre Metal Fest 2025 que tem lugar no acolhedor espaço da Associação Recreativa Columbófila, em A-Dos-Loucos, Vila Franca de Xira. realizou-se no passado dia 3, num ambiente descontraído e familiar, onde não faltaram comes e bebes (principalmente bebes) para alimentar e saciar as hordas sedentas de música pesada, numa tarde/noite chuvosa que não inibiu os festivaleiros de comparecerem ao chamamento do som sagrado, com uma casa bem composta a nível de público.

A abrir as hostilidades, os jovens Dark Pearl demonstraram uma surpreendente maturidade musical. Com um som épico e coeso, revelaram-se uma banda promissora, que vale a pena acompanhar de perto. O seu heavy metal clássico, bem executado, foi uma excelente forma de aquecer motores.

Com letras integralmente em português e uma atitude old-school, os Toxik Attack despejaram malhas de thrash direto e eficaz, mantendo a energia em alta e conquistando facilmente o público presente.

Inspirados por Pantera e Lamb of God, os Diabolical Mental State incendiaram a plateia com o primeiro mosh-pit a sério da noite. Groove pesado, riffs cortantes e uma presença em palco arrasadora marcaram a sua prestação.

Foi com os Bleeding Display que o Massacre ganhou contornos verdadeiramente brutais. O vocalista Sérgio Afonso, figura icónica e incansável, trouxe destruição pura ao palco, ensanguentado, machado em punho, foi a personificação da raiva e do caos. Uma atuação memorável, que só pecou pela demora no arranque devido a problemas técnicos alheios a banda.

Vindos de Espanha, os Retador foram uma agradável surpresa. A sua abordagem técnica e energética ao thrash metal, cantado em espanhol, conquistou até os mais céticos. Apesar de pequenos contratempos técnicos, que obrigou a uma ou outra paragem, ofereceram uma atuação quase irrepreensível. O vocalista/guitarrista brilhou com uma entrega impressionante, dividindo-se entre voz, riffs furiosos e solos frenéticos.

Com um legado consolidado no death metal progressivo, os Disaffected apresentaram um set centrado essencialmente no clássico álbum “Vast” de 95. Como esperado, desfilaram temas incontornáveis que deixaram os fãs rendidos à sua mestria técnica e à densidade atmosférica do seu som, José Costa, aqui num registo bem diferente dos seus Sacred Sin mais introspetivo e teatral mas igualmente competente, por trás do kit de bateria estava André Silva dos Corpus Christii que, segundo palavras do Zé Costa, “fez o favor de os safar nesta data” .

Quando os Corpus Christii subiram ao palco, a luz deu lugar à escuridão. Sem concessões, brindaram-nos com um black metal cru, ortodoxo e blasfemo, fiel à velha escola. Uma performance intensa e implacável, de resto como é já apanágio desta instituição do Black Metal Português.

O power trio algarvio Prayers of Sanity trouxe mais uma descarga de thrash acelerado, sem pausas e com alguma crítica e humor à mistura. Apesar de problemas com a ausência do baixo na mistura, mantiveram o público ao rubro com a sua entrega energética e contagiante.

A encerrar a noite e o festival, os anfitriões Speedemon não deixaram os créditos por mãos alheias. Com o novo álbum “Fall of Man” ainda a fervilhar em mãos, deram tudo o que restava. O público, já exausto mas rendido, respondeu com entusiasmo à última descarga de thrash veloz e cortante.

O Massacre Metal Fest 2025 despediu-se em grande, encerrando a sua nona edição com a força e a intensidade que definem este culto à música pesada. Com uma organização exemplar, um ambiente e espaço acolhedores, que uniu uma vez mais, fãs de todas as idades e uma excelente seleção de bandas, apesar de existirem aspetos que podem sempre serem melhorados, “nada é perfeito” o festival consolidou-se mais uma vez como indispensável no calendário do metal nacional. Foi um fim de tarde e noite onde a diversidade sonora se fez ouvir, celebrando a essência de um género que continua a resistir, reinventar-se e reunir tribos sob um mesmo palco.

Até 2026, se os fígados (e os ouvidos) assim o permitirem.