Banner Top

Fotos: Ruben Silvestre.
Texto: LordSir SetePeles.
Edição vídeo: Carlos Guimarães
Captação vídeo: LordSir SetePeles e Ruben Silvestre.

Nada na Alma do Alentejo Fest
Pavilhão dos Sabores – Beja, 20.06.2025

O NADA Fest – Na Alma do Alentejo, decorreu mais uma vez no Pavilhão dos Sabores, um dos espaços mais carismáticos de Beja, e trouxe consigo uma tempestade sonora que devastou Beja com brutalidade. Desde as primeiras notas até à última descarga de energia, foi um evento que ficará certamente gravado na memória (e nos tímpanos) dos que resistiram até ao fim.

Infelizmente, por motivos profissionais, não me foi possível estar presente no dia 19, data de, entrada livre e receção aos festivaleiros, mas os relatos e testemunhos não deixam margem para dúvidas, foi uma boa noite de heavy metal, com as bandas Gnosis, Dokuga e Cryptosis.

A abertura do primeiro dia coube aos Azzaya, banda de Portalegre formada em 2021 e já com dois excelentes álbuns no currículo. Apresentaram um concerto castigador de black metal cru e agressivo, numa atuação que funcionou como verdadeiro ritual de iniciação para o que se seguiria. O público rapidamente entrou no espírito do festival, intenso e sem contemplações.

Seguiram-se os Vectis, vindos do Porto, com apenas um EP lançado mas já uma reputação consolidada ao vivo e mais uma vez não deixaram créditos por mãos alheias, com uma descarga alucinante de black/thrash old school, executado com precisão e alma, demonstraram por que são considerados uma das grandes promessas do underground nacional, uma atuação vibrante e cheia de energia.

A grande expectativa da noite era a atuação dos lendários Absu, mas infelizmente, cancelaram à última da hora, deixando muitos fãs desiludidos. No entanto os músicos de apoio de
Proscriptor McGovern estavam em Beja, fazendo parte da banda Zemial e naturalmente surgiram como substitutos. Oriundos da Grécia com uma sonoridade que mistura black, thrash e heavy metal, e aquela aura helénica típica da cena grega do final dos anos 80 inícios de 90, os Zemial não defraudaram as expectativas, pelo contrário entregaram um concerto memorável, deixando em êxtase os seguidores mais fiéis e certamente conquistaram novos fãs.

Já a noite ia longa quando os Archgoat, veteranos finlandeses do black/death blasfémico e impiedoso, subiram ao palco e apesar de alguns contratempos que atrasaram o início da atuação, a espera foi largamente recompensada, a banda despejou sobre Beja uma torrente de selvajaria sónica, com uma performance crua, suja e envolta em negrume ritualista “pura magia maléfica”.

Para os mais resistentes, o massacre continuou com os Namek, banda de brutal death/grindcore de Almada, que ofereceram um verdadeiro espancamento sonoro aos corpos já combalidos pela noite, sempre a debitar brita a alta rotação, os Namek provaram porque são uma máquina de destruição em palco, encerrando com uma boa dose de violência visceral.

Para finalizar ainda havia espaço para mais uma última descarga de punk hardcore, em português do Brasil, para os que recusavam baixar os braços, num registo direto, cru e sempre a abrir, os Usmurhaça encerraram o dia 1 do festival.