Texto, Fotos e Edição vídeo: Carlos Guimarães.
Captação vídeo: Carlos Guimarães e Rui Teixeira.
Paula Teles
Quinta de Lourosa (Sousela, Lousada), 21.06.2025
Na passada sexta-feira, 21 de junho, a cantora e compositora Paula Teles apresentou ao vivo o seu novo álbum, “EntreParedes”, num concerto intimista realizado na Sala de Provas da Quinta de Lourosa, em Sousela, freguesia do concelho de Lousada e terra natal da artista. O espaço, apesar de modesto em dimensão e com limitações acústicas para um espetáculo desta natureza, revelou-se ideal para a atmosfera próxima e emocional que marcou a noite, reunindo familiares, amigos e admiradores num ambiente caloroso e cúmplice.
A atuação iniciou-se com “Prólogo”, uma peça instrumental em que Paula Teles se juntou à viola aos irmãos Jorge Lopes, na guitarra portuguesa, e Hélder Lopes, na viola. Inspirado na obra do mestre Carlos Paredes, este tema serviu de introdução simbólica ao universo sonoro e lírico de “EntreParedes”, abrindo caminho para “Ventre”, a primeira canção cantada do novo disco.
O alinhamento seguiu com um equilíbrio entre os temas inéditos e algumas faixas do álbum de estreia “Desencanto”. “A Carta”, com a sua forte carga emocional, foi particularmente marcante. Antes de a interpretar, Paula Teles partilhou com o público o contexto da sua criação, visivelmente emocionada, num momento de grande autenticidade e vulnerabilidade artística.
Seguiram-se temas como “II Acto”, uma das composições mais densas e impactantes do novo trabalho, “Inocência”, retirada do primeiro disco, e ainda “Ponto Cego” e “Re(encarnado)”, esta última apresentada sem a participação do vocalista Bjorn Strid, convidado na versão de estúdio.
Ao longo do concerto, Paula foi desvendando o significado por detrás de cada canção, intercalando o repertório com histórias e reflexões sobre o processo criativo, o que reforçou a ligação afetiva entre a artista e a plateia. A reta final contou com “Desencanto” e “Grito”, também do primeiro disco, mas foi o encore solicitado pelo público que encerrou a noite em tom de celebração: “A Carta” foi novamente interpretada, selando um momento de comunhão emocional.
Apesar das limitações acústicas do espaço, a banda demonstrou solidez e entrosamento em palco. A guitarra portuguesa de Jorge Lopes dialogou com fluidez com a guitarra elétrica de Hélder Lopes, num equilíbrio sonoro bem sustentado pela precisão rítmica do experiente Luís Moreira, um dos nomes mais respeitados da bateria no panorama nacional.
Foi, sem dúvida, uma noite breve mas marcante, que reforça o potencial de “EntreParedes” como uma obra a descobrir ao vivo com maior plenitude. Fica a expetativa de que este novo capítulo da carreira de Paula Teles venha a ser apresentado em palcos com condições à altura da sua ambição artística.














