Texto: Rui Teixeira.
Edição Vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: Rui Teixeira
Porto Prog Night
Phase Transition + Rei Bruxo + Needle + Living Tales
Auditório CCOP (Porto), 25.10.2025
Dia 25 de outubro de 2025 foi o dia para se fazer história no metal progressivo nacional, com a primeira edição do Porto Prog Night.
O Auditório da CCOP bem no centro da invicta encheu-se para assistir a uma noite que seria memorável, que confirmou que o rock/metal progressivo transborda qualidade em Portugal, e é capaz de encher salas. Um sucesso absoluto que esperemos seja para continuar.
As honras de abertura couberam aos já nossos bem conhecidos Living Tales. Com o seu symphonic metal com toques progressivos bem refinados, conquistaram uma plateia já muito bem composta que não lhes regateou aplausos. Abriram o set com a faixa que dá nome ao seu último álbum “Hades”, para depois fazerem duas incursões a temas mais antigos, “Mirror Cage” do álbum “Mirror” e a fantástica faixa de mais de 14 minutos “Odissey” do álbum “Persephone” que foi o ponto alto da atuação. Regressaram depois ao “Hades” com “Labyrinth” e “Persephone” que encerraram o set. Mais uma excelente atuação para juntar ao catálogo dos Living Tales, num início de noite fulgurante.

Vindos de Guimarães, os Needle são uma das propostas mais entusiasmantes do prog nacional e neste Porto Prog Night não só o provaram como elevaram a fasquia a um nível muito alto.
A banda encontra-se neste momento em fase de composição do seu novo álbum, e enquanto não nos apresentam temas novos, vão-nos deliciando com os êxitos dos seus trabalhos anteriores o EP “Converge” e o LP “Fall”. Músicas como “Calliope”, “The Absconder”, “Castles” ou “Collision” são obrigatórias e levaram o auditório CCOP ao rubro. O quinteto composto por Soraia Silva, Tiago Sousa, Luís Pereira, Luís Costa e Kevin Mota formam um coletivo forte e coeso e esta apresentação foi com certeza uma das melhores da história da banda, simplesmente fenomenal.

A proposta seguinte a subir ao palco foram os Rei Bruxo. Banda composta por músicos de excelência e bem conhecidos de vários outros projetos musicais, só a sua presença, mesmo para quem não os conhecer é uma garantia de qualidade inequívoca.
Com um trabalho novo editado em setembro deste ano, “O Quarto Fechado” é um álbum-livro que é uma peça obrigatória para qualquer amante do rock/metal progressivo.
Sendo a única banda da noite que nunca tinha tido oportunidade de ter visto ao vivo, era portanto a que me despertava maior curiosidade e expectativa.
Expectativas superadas, a banda consegue transpor para palco todas as emoções que transmite no LP, transportando-nos em alguns momentos para algo transcendental. Um destaque especial para Marcelo Aires na bateria que está num nível estratosférico. Rei Bruxo um nome a fixar.

Depois de três prestações intensas e de qualidade, cabia aos portuenses Phase Transition fechar em beleza a noite.
Esta era uma noite especial como mencionou a Sofia Beco, pois pela primeira vez iriam ter a oportunidade de tocar na integra o seu novo álbum “In Search of Being”, uma reflexão sobre as diversas fases da vida.
A jogar em casa perante uma sala a abarrotar e que conhecia perfeitamente as músicas que ouvia, gerou-se um clima de cumplicidade e festa entre a banda e os fãs, tornando este momento de facto muito especial. Pelo meio alguns ensaios de circle pits e crowdsurfing animaram ainda mais a festa. Destaque para a homenagem sentida à recentemente desaparecida mãe do baterista da banda Maia, que uniu toda a sala num aplauso enorme.
A atuação acabou em apoteose com a faixa “The Other Side” que contou com a presença em palco da poderosa voz de Ricardo Pereira (Moonshade/Firemage) e com o lançamento de balões gigantes.
Os Phase Transition confirmaram em palco o que o seu último LP já tinha significado, um passo firme e em frente na carreira da banda.



