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Texto e Fotos: Carlos Guimarães

No passado dia 1 de fevereiro, o Woodstock 69 Rock Bar do Porto recebeu mais uma noite de peso com a presença dos Quinteto Explosivo, El Hija del Carroñero, Neuropsy e Alpha Warhead. Os concertos estavam previstos iniciar-se às 22:30 mas nesta noite a programação teve que ser ligeiramente antecipada, com as bandas a encurtarem também o seu alinhamento. Infelizmente, na noite anterior a sala teve a visita das autoridades devido a queixas de ruído por parte de algum vizinho mais sensível. Incompreensivelmente num evento com estas 4 bandas a sala esteve longe de esgotar, salientando-se no entanto o salutar rejuvenescimento que se tem assistido no público deste tipo de eventos no Grande Porto.

Ainda antes das 22:30 subiram ao palco os Alpha Warhead, jovem quarteto criado em 2019 que trouxe ao Woodstock o seu álbum “Code Red”, editado em 2023. Com um thrash metal que por vezes se mostrava ligeiramente confuso, a banda manteve a energia característica do género e conseguiu conquistar a atenção da maior parte do público presente na sala que demonstrou apreço pela entrega e intensidade do espetáculo. Com o baixista Pedro Silva sempre a procurar destacar-se em palco, há que realçar o à vontade do vocalista e guitarrista Diogo Pereira no papel de frontman da banda. Os Alpha Warhead tocariam ainda o novo “Cabin Fever” terminando a sua atuação com a malha “Fuel to the Fire”.

Os Neuropsy apresentaram uma formação muitíssimo diferente da última vez que os vi, na altura ainda com o saudoso Fábio Abenta na voz. Desde 2023 que a banda tem novos elementos, mantendo-se apenas o Jorge Leitner (baixo) e o João Martins (guitarra) do tempo do EP “Vivisection of the Demented”. Em termos sonoros a banda mostra também algumas diferenças, praticando um death metal mais técnico a roçar por vezes o deathcore. Entre temas dos seus primeiros trabalhos, a banda setubalense tocou ainda o seu novo single “Transcending Limitations”, destacando-se na sua atuação os jogos vocais entre o gutural do vocalista Fily Carvalho e o mais rasgado do guitarrista João Martins, complementado por vezes com as vozes limpas do Jorge Leitner.

Oriundos da Galiza, os La Hija del Corroñero apresentaram temas do seu novo álbum “El Argot de los Muertos”, o sucessor de “Culto Macabro” lançado já há dez anos atrás. O que ouvimos foram temas de death/grind a sucederem-se em catadupa, com malhas como “Enterrado Vivo”, “Hydrophobia”, “Todos vais a morir” ou  “Extirpando el cáncer de Dios”. Nos primeiros temas a banda espanhola tinha apenas meia dúzia de pessoas na sala mas a intensidade do seu som e a sua presença em palco fez com que o restante público se fosse aproximando para assistir ao concerto.

A expressão “And now for something completely different” dos Monty Phyton aplica-se aqui na perfeição. Depois de thrash, death e grind… os Quinteto Explosivo. As versões sadinas do Deadpool subiram ao palco com uma entrada triunfante que culminou… nos acordes de “Wish You Here” dos Pink Floy” que iniciou um medley onde também tocaram Metallica e uns acordes de Nirvana. Com muita animação e loucura o concerto foi-se desenrolando em ritmo desenfreado com versões dos Kalashnikov (“Peace is Dead”, “Warriors of the Hezbollah”), Mamonas Assassinas (“Vira Vira” com a colaboração do “vocalista dos Sepultura”), Irmãos Catita (“Drogado”), Mata-Ratos (“A minha Sogra é um Boi” com uns vocalistas improvisados que criaram um dos momentos mais hilariantes da noite) ou Sepultura (“Territory”). E, surpresa das surpresas 🙂 , também apresentaram músicas dos Quinteto Explosivo como “Queres caralho vai ao talho” ou “Super cacalhão atómico no teu cu”. E, lá pelo meio, ainda foi “fofinho” ver alguns fãs de heavy metal a cantarem a “Sai da Minha Vida” da Maria Fernanda de Sousa (aka Ágata). E quando foram avisados que só podiam tocar apenas mais duas músicas, eles decidiram repetir “Queres caralho vai ao talho”… Senhoras e Senhores, os Quinteto Explosivo! 🙂