Texto: Rui Teixeira.
Fotos: Soraia Martins, Fon Valcarcel Gil, Ricardo Alves.
River Stone Festival 2025
Hate + Sylvaine + Pyogenesis + Destinity + Music in Low Frequencies + Mortuorial Eclipse + Unfleshed + The Chapter
Rio de Moinhos (Penafiel), 20.09.2025
Decorreu no sábado dia 20 de setembro em Rio de Moinhos – Penafiel aquele que foi o último dos festivais de verão, o River Stone Fest que já se tornou uma paragem obrigatória para todos os festivaleiros.
O cartaz deste ano teve uma aposta forte da parte da organização, trazendo bandas estrangeiras de renome como os polacos Hate e a norueguesa Sylvaine. Foi sem dúvida uma aposta ganha, tornando esta edição uma das melhores do festival que contou com uma excelente adesão do público.
As honras de abertura foram para os lisboetas The Chapter que debitaram o seu doom metal com laivos de death metal de forma consistente. A abertura foi feita com “Aenima Vipera” e “Angels & Demons” dois temas do seu LP de estreia “Angels and Demons” de 2017 e seguiu depois até final com temas do álbum “Delusion of Consciousness” de 2022.
Com o público ainda a chegar, a banda esforçou-se por trazê-los mais para junto de si, o que é uma tarefa por vezes complicada, mas mesmo assim conseguiu arrancar aplausos merecidos.
The Chapter (Soraia Martins)
Vindos do Porto, os Unfleshed são compostos por músicos sobejamente conhecidos do underground nortenho e o que nos oferecem é um death metal old school. A dose servida neste River Stone Fest foi bruta e impiedosa, sem grandes paragens ou conversas desfilaram faixas do seu único LP “Twisted Path to Mutilation” de 2020, bem como algumas faixas ainda não editadas. Com o fecho da atuação a ser feito com “Canabalistic Homicide” e “Everlasting Insanity” pode-se dizer que o lanche foi de bom gosto.
Unfleshed (Soraia Martins)
A primeira banda internacional do cartaz a entrar em palco seriam os Mortuorial Eclipse. Vindos de Córdoba na Argentina, a banda encontra-se em tour pela Europa, tendo inclusive tocado no dia anterior em Vigo com os nacionais Terramorta e demonstraram uma rodagem e consistência muito apreciáveis. Black metal com tons sinfónicos de boa qualidade e uma presença em palco enérgica e comunicativa levaram às primeiras movimentações no mosh pit.
Com dois álbuns editados “The Aethyrs’ Call” de 2017 e “Urushdaur” de 2018, o setlist foi quase todo dedicado a este último com destaque para faixas como “Arcane Legacy of Astral Numina” e “In Extremis”, mas teve também 2 visitas ao passado com as faixas “Advent of a Sinister Omen” e “At the gates of the Marduk’s Shrine”. Uma bela surpresa esta presença argentina no River Stone Fest.
Mortuorial Eclipse (Soraia Martins)
Mais uma banda em estreia absoluta em Portugal eram os franceses Destinity. Formados em 1999 e com 10 LP´s lançados, eram no entanto desconhecidos para grande parte dos presentes, eu incluído. E em boa hora o River Stone os trouxe a Portugal, já que tiveram uma atuação extremamente meritória e apreciada, com o seu melodic death metal a conquistar a já muito bem preenchida plateia. Com um álbum fresquinho em carteira “Ascension” de 2025, apenas as faixas “Silver Shades” e “Final Fiction” fizeram parte do setlist, tendo o foco recaído em grande parte no álbum “Resolve in Crimson” de 2012, como por exemplo “Aiming a Fist in Enmity” e “The Hatred” que foram as faixas de abertura e fecho do concerto respetivamente. Nota muito positiva para esta presença dos franceses Destinity.
Destinity (Soraia Martins)
Depois de duas estreias absolutas em território nacional, era a hora do regresso dos alemães Pyogenesis. O início foi atribulado, com alguns problemas técnicos com o baixista da banda e até um corte num dedo do vocalista e guitarrista Flo V. Schwarz, mas rapidamente o concerto entrou nos eixos. Visivelmente satisfeitos com o regresso a Portugal após tantos anos, a banda deu tudo em palco, sendo correspondida também pelo público onde foi notória a presença de fãs old school da banda.
O setlist percorreu a longa carreira discográfica da banda, abrindo com “Steam Paves It’s Way” do álbum “A Century In The Curse Of Time”, passou por trabalhos mais recentes com “It´s On Me” e “I Have Seen My Soul” e fechou com a faixa “Don´t You Say Maybe” de 2002, cantada junto das grades com o público, demonstrando todo o clima de cumplicidade conseguido pela banda. Um excelente regresso dos Pyogenesis a Portugal.
Pyogenesis (Soraia Martins)
Um dos momentos mais aguardados e isso sentia-se na plateia era o concerto de Sylvaine, o projeto da multi-instrumentista norueguesa Kathrine Shepard. Depois de um estrondoso concerto em Março de 2023 no Hard Club, esta presença no River Stone Fest foi o grande momento do festival, com um concerto verdadeiramente memorável. Com uma sonoridade que mistura o black metal e o shoegaze com similitudes a Alcest, banda com a qual Kathrine já colaborou, a atmosfera criada é hipnótica e as variações vocais de Kathrine entre os clean vocals e fry screams resultam na perfeição. A presença simpática e angelical de Kathrine conquistou por completo o público, acompanhada por excelentes músicos que tornaram a noite fria num momento quente e inesquecível.
O set incidiu principalmente no seu último álbum “Nova” de 2022, sendo a abertura com a faixa “Nova” e destaque para as incríveis “I Close My Eyes So I Can See” e “Mono No Aware”.Incluiu ainda duas faixas em norueguês “Morklagt” e “Eg Er Framand”, servindo para uma piada do tipo, não importa que vocês não percebam o que estou a cantar porque os meus companheiros de banda também não.
Sendo um género de som que não vemos muito no contexto de festivais, Sylvaine provou que existe lugar para todos, tornando-se a estrela da noite.
Sylvaine (Soraia Martins)
Sylvaine (Ricardo Alves)
Os polacos Hate eram os headliners do festival e chamaram muita gente a Rio de Moinhos, ansiosos por ver ou rever estes mestres do blackened death metal depois de uma atuação demolidora no Laurus Nobilis de 2023.E não saíram desiludidos, cada concerto dos Hate é uma descarga brutal de energia com riffs poderosos e dilacerantes que levaram o River Stone à loucura com mosh pits violentos e headbang permanente.
Faixas obrigatórias como “Erebos”, “Bellum Regiis” e “Rugia” que dão nome a três álbuns da banda não podiam faltar, num setlist que revisitou ainda os álbuns “Crusade:Zero” e “Auric Gates of Veles” e terminou com “Wrists”.
Mais uma aparição para recordar dos Hate que apenas pecou por escassa e por um saída um pouco “estranha” de palco, sem despedidas ou agradecimentos.
Hate
A noite já ia longa e o cansaço também quando os Music In Low Frequencies subiram ao palco já depois das 2h da manhã. Missão ingrata mas ao mesmo tempo desafiante para a banda de Braga, que mais uma vez não deixou os seus créditos por mãos alheias. Os resistentes ainda eram em número considerável e não se arrependeram pela espera, com o trio Mariana Faísca, Sérgio Ferreira e Diogo Vale a manterem a fasquia elevada das suas apresentações ao vivo. Som cru, poderoso e inebriante do seu magnífico “Catharsis”, envolveram o público numa despedida perfeita para a edição de 2025 do River Stone Fest.







































































































