Texto: António Mota (AM) e Rui Teixeira (RT).
Fotos: Rafael Correia
The Skull Room Rock Fest
Outsite Mouco (Porto), 29.11.2025
Abrir o festival com os In We Fall foi, sem dúvida, uma excelente escolha: a banda entrou em palco com energia e convicção, funcionando como o arranque ideal para aquilo que se esperava ser uma noite carregada de rock e metal. O público que já se fazia sentir na plateia respondeu desde as primeiras notas: o feedback foi claramente muito positivo, com energia visível, empatia e boa química entre banda e audiência.
Musicalmente, os In We Fall demonstraram um rock musculado e envolvente, com riffs firmes, cadências intensas e uma presença sonora que me transportou diretamente para a segunda metade dos anos 90: há algo no timbre, nas melodias e na densidade das guitarras que me fez recordar bandas como Creed ou Days of the New, sem, no entanto, perder identidade própria. Essa mistura de força e melodia funcionou muito bem ao vivo.
O alinhamento andou à volta do álbum de estreia “Inner Self” e foram ouvidos os temas “Road to Live”, “Avoid”, “Ripple”, “Silent war”, “Winter Shades” que fluiram com coerência e intensidade, crescendo até ao final. Encerraram com “Empty Hand”, um fecho forte e marcado que deixou o público motivado para o que viria a seguir. (AM)
In We Fall
A seguir, os Oceans Øf Apathy elevaram de imediato a fasquia. A banda trouxe o seu metalcore moderno e emocional, combinando riffs pesados, breakdowns precisos e momentos melódicos que acrescentaram profundidade à atuação. O público, já em bom número após o impacto inicial dos In We Fall, respondeu com entusiasmo, gerando uma energia intensa que a banda soube canalizar.
Foi uma atuação coesa, agressiva quando precisava e tecnicamente segura, com um vocalista irreverente e a mostrar que a banda tenciona alcançar patamares superiores. Os Oceans Øf Apathy funcionaram muito bem, e ajudaram a uma transição natural para territórios mais pesados sem quebrar o ritmo do festival. (AM)
Oceans of Apathy
Em terceiro lugar, já antes da pausa para jantar, os Three of Me ofereceram um contraste bem-vindo. Com um som mais alternativo e atmosférico, centrado nas composições de “Silence in the Attic”, trouxeram ao espaço uma energia mais melódica e emocional. As guitarras texturadas e vozes limpas criaram um ambiente envolvente, mantendo o pulso rock mas com uma abordagem mais introspectiva.
Foi uma atuação equilibrada, recebida com atenção e apreço, funcionando como ponte ideal entre a intensidade dos Oceans Øf Apathy e o que a segunda parte do festival ainda iria proporcionar. (AM)
Three of Me
Depois de uma pausa para jantar e repor energias, era chegada a hora de mais duas atuações poderosas e devastadoras.
Vindos das Astúrias no país vizinho, os Teksuo faziam a sua estreia em Portugal e eram também a primeira banda internacional a atuar nas edições do Skull Room Rockfest. E foi sem dúvida uma aposta ganha, já que os espanhóis surpreenderam pela positiva. O quinteto apresentou-se no formato quarteto já que o seu baixista não esteve presente, debitando um metalcore com influências death muito bem trabalhado e explosivo. Uma sonoridade bem moderna e agradável, onde os breakdowns explosivos e os guturais profundos a lembrar o incrível Will Ramos (Lorna Shore) fizeram as delícias do público, que correspondeu de maneira entusiasmante.
A banda conta com quatro LP’s editados e encontra-se a preparar um novo trabalho que será lançado em 2026. O setlist foi dedicado em grande parte aos últimos singles que a banda tem revelado como por exemplo “Let It Rain”, “Natural Born Liars” e “Rip My Heart Out”, mas deram-nos a conhecer ainda três faixas novas, “Thirst For Tears”, “Sailing To The Unknown” e “Erased By Mistake”.
Uma estreia em grande dos Teksuo em Portugal, uma banda que vale a pena conhecer se fores fã do género. (RT)
Teksuo
Para fechar a noite, os portuenses Equaleft elevariam os níveis de adrenalina vividos no Mouco ao máximo. Liderados pelo carismático Miguel Inglês e a jogar em casa, conseguiram uma cumplicidade com o público da primeira à última faixa, onde os mosh pits e o headbanging foram incessantes. Nem mesmo uma lesão na perna do Miguel, ocorrida logo na abertura do concerto fez baixar a energia e a intensidade. A dor que era bem patente na face do Miguel era ultrapassada e amenizada com o Groove que emanava do palco, tornado este concerto ainda mais especial.
O “Momentum” de 2024 esteve em destaque com faixas como “Wavering”, “Silent”, “And It Will Thrive”, ou “Heartless Machine”, mas êxitos antigos que são obrigatórios como, “Fragments” e “Invigorate” foram também ouvidos. O set acabou em êxtase total com “We Defy”, cantada em uníssono por todos os presentes e o encore “The Chameleons”.
Fazendo uso de um cliché, Equaleft nunca falha (e os húngaros também não). Um final em apoteose desta edição do Skull Room Fest.










































































