Texto e Captação Vídeo: Rui Teixeira.
Edição Vídeo: Carlos Guimarães
Viseu Rock Fest
Vomitory + Bloodhunter + Ufomammut + Dawnrider + Bleeding Display + Dr. Frankenstein + Totengott + Sound of Silence + Cockoroch + Last Piss Before Death
Orfeão de Viseu, 04.10.2025
O Orfeão de Viseu recebeu nos dias 3 e 4 de outubro a edição 10 do Viseu Rock Fest, cortesia da Rocha Produções.
Não nos tendo sido possível estar presentes no primeiro dia de festival, fica a menção merecida às bandas presentes, Helleruin, Simbiose, Zurrapa, As Docinhas e A Voz do Rock.
O dia 4 iniciou com os Spiral Sputnik, banda que apenas assisti à parte final da última música e para a qual fica a menção honrosa de abertura do segundo dia do festival.
Ainda o público começava a chegar ao local a meio de uma tarde solarenga e subiam ao palco os Last Piss Before Death. Com o seu frontman Edgar Alves em grande forma e a agitar permanentemente a plateia, descarregaram o seu Groove metal potente de maneira bastante convincente. Com um único álbum, o homónimo “Last Piss Before Death” editado em 2022 e com o single “Reset” de 2024, aguarda-se um novo trabalho para perceber o rumo e evolução da banda.
A primeira banda a representar a armada espanhola neste dia seriam os Cockoroch vindos de Murcia.Goregrind com muito Groove e boa presença em palco, transformaram este trio numa bela surpresa para alguém que como eu não os conhecia. Com dois LP´s e dois EP´s no seu cardápio, deixaram os apreciadores do género com vontade de ir conhecer um pouco mais destes Cockoroch. Party grind deixou a sua marca em Viseu.
E se há uma coisa que foi marca distintiva deste Viseu Rock Fest foi a variedade de géneros presentes. A provar isso mesmo, a presença dos Sound of Silence de Gijón com o seu metalcore.E que grande atuação, melodias catchy e breakdowns poderosos cativaram a atenção dos presentes. Com letras em espanhol que variam entre o som agressivo e mais melódico foram muito bem recebidos pela plateia e justamente. Com uma carreira que já tem mais de 20 anos e com 5 LP´s editados, os Sound of Silence foram mais uma bela descoberta nesta tarde em Viseu.
Os próximos a subir ao palco seriam os asturianos Totengott, mais uma banda que me era desconhecida e que me surpreendeu pela positiva. Caracterizar a sua sonoridade torna-se um pouco complicado, embora as influências de doom e black/death metal estejam bem presentes. O ambiente criado é sinistro e envolvente o que manteve todos com os olhos fixos e presos ao palco.Com um LP lançado em 2024 “Beyond The Veil” foi este a base da atuação.Mais um grande momento do dia estes Totengott
Com a noite a cair sobre Viseu, tivemos de seguida os nacionais Bleeding Display.Sobejamente conhecidos e um dos nomes mais respeitados do nosso underground, cada concerto dos Bleeding Display é uma descarga de energia que não deixa ninguém indiferente. E no Viseu Rock Fest não foi diferente, liderados pelo Sérgio Afonso a banda ofereceu-nos uma dose incrível do seu brutal death.Cada faixa parecia mais poderosa e brutal que a anterior numa espiral de caos e insanidade que tomaram conta do Orfeão de Viseu.O seu último trabalho remonta já a 2022 “Dawn of a Killer” e aguarda-se ansiosamente novidades de um novo trabalho.Bleeding Display nunca desilude.

Os Dr. Frankenstein trouxeram de seguida mais uma lufada de ar fresco ao festival, com uma sonoridade completamente diferente ao que estamos habituados nos festivais de metal. Intitulada como uma banda de surf rock, formaram-se nos idos anos 90, sendo, portanto, já veteranos de guerra.Confesso que não é o meu estilo, mas provaram que todas as sonoridades têm o seu espaço e a provarem-no foi a quantidade de fãs que lá tinham para os ver. Indubitável, mesmo não sendo apreciador do género, é a qualidade dos músicos da banda e da excelente performance que tiveram, ganhando por direito próprio um lugar de destaque nesta edição do Viseu Rock Fest.
Vindos de terras algarvias e em vésperas de partirem para uma tour europeia, seguiam-se os aguardados Dawnrider. Criados em 2004 nos fundamentos do doom, o seu som vai muito além disso, onde se destacam riffs consistentes e algum psicadelismo à mistura, transformando os Dawnrider numa das propostas mais interessantes do heavy metal nacional atual.Os dois últimos álbuns “The Fouth Dawn” e “Five Signs of Malice” são a prova disso mesmo e o desempenho ao vivo neste Viseu Rock Fest elevou a fasquia da qualidade do festival para um nível muito alto. Hugo Conim e Filipe Relêgo são dois animais de palco, muto bem acompanhados por Diogo Simões nas teclas e Ventura na bateria, deram um concerto irrepreensível e conquistaram por completo o público.

Mais uma banda internacional subia agora ao palco, desta vez os italianos Ufomammut. Este trio reunia grande expectativa à sua volta, sendo prova disso o facto de a sala estar praticamente cheia no momento da sua atuação.A mistura de um doom bastante arrastado com muitos elementos stoner e sludge envoltos num psicadelismo inebriante, transformaram a atmosfera e ambiente vivido no Orfeão de uma maneira impressionante. Muito aclamados tema após tema, colocaram grande parte dos presentes a fazer headbang e a entrar numa outra dimensão.Com uma carreira longa e com muitos LP´s lançados fica o destaque para o “Hidden” de 2024 para quem quiser ir descobrir esta banda. Não se irão arrepender.

E finalmente chegavam os headliners suecos Vomitory, uma aposta forte da organização e que foram a causa de muita gente ter ido a Viseu este ano. E quando vês uma sala a abarrotar percebes que a aposta foi inteiramente ganha.Puro death metal foi o que nos foi servido de princípio a fim, com uma qualidade técnica à prova de qualquer reparo. Com riffs muitas vezes a lembrar Slayer e acelerações repentinas, levaram o Orfeão ao caos total de mosh pits e stage divings incessantes.O último álbum “All Heads Are Gonna Roll” de 2023 foi o destaque do set apresentado, mas onde fizeram claro várias revisitas ao passado.Sem dúvida um marco histórico a presença dos Vomitory neste Viseu Rock Fest e que ficará também na memória de todos.

A noite já ia longa e eram cerca das 2 horas da manhã quando os espanhóis da Corunha Bloodhunter se apresentaram para encerrar esta edição do festival. Fortuna daqueles que se mantiveram firmes e fortes, pois assistiram a mais um grandioso concerto. A banda liderada pela fantástica frontwoman Diva Satanica encontra-se provavelmente num dos seus melhores momentos da sua carreira. Fizeram em 2024 uma tour pelo Japão e China e marcaram presença em 2025 no consagrado Grasspop. Em Portugal, em 2025 esta era a terceira presença da banda, que considera e justamente Portugal como a sua segunda casa.O concerto foi uma prova de consistência e virtuosismo impressionantes, levando o Orfeão de Viseu por uma última vez à loucura total quando o guitarrista Dani Arcos veio tocar para o meio do público e teve direito a um crowd surfing enquanto solava.Os sorrisos de alegria e contentamento, tanto da banda como da plateia na despedida, foi a melhor maneira de fechar este Viseu Rock Fest e que atestam do grande êxito que foi esta 10ª edição.



