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Texto e Edição Vídeo: Carlos Guimarães.
Fotos: Nuno Reis.
Captação Vídeo: Carlos Guimarães, Nuno Reis e Rui Teixeira.

D.A.D. + The 69 Eyes
Hard Club (Porto), 16.01.2026

Na noite de 16 de janeiro, o Hard Club, no Porto, foi palco de uma intensa celebração do rock nórdico, com os dinamarqueses D.A.D. e os finlandeses The 69 Eyes a proporcionarem um concerto memorável, marcado por atitude, carisma e uma forte ligação ao público português.

Coube aos The 69 Eyes abrir a noite e a banda oriunda de Helsínquia não perdeu tempo a impor a sua identidade dark rock, carregada de um glamour soturno e inconfundível. O alinhamento percorreu várias fases da carreira, equilibrando temas mais diretos com momentos de atmosfera densa e hipnótica, agradando de sobremaneira aos “vampiros” nortenhos presentes na sala.

Canções como “Devils”, “Don’t Turn Your Back” e “Feel Berlin” criaram desde cedo um ambiente envolvente, com a cativante versão de “Gotta Rock” (original dos Boycott) a justificar plenamente o regresso da banda a Portugal. Depois do novo single “I Survive”, ouvimos “Betty Blue”, “I Love the Darkness”, “Wasting the Dawn” e “Gothic Girl” que mantiveram o nível da atuação bem elevado, com o vocalista Jyrki 69, sempre de óculos escuros, a demonstrar estar em excelente forma apesar dos seus 57 anos. A reta final trouxe clássicos incontornáveis como “Brandon Lee” e um encore composto por “Framed in Blood”, “Dance d’Amour” e a inevitável “Lost Boys”, esta última com Fernando Ribeiro (Moonspell) como convidado especial. Com uma presença em palco segura e uma estética que continua a definir o seu ADN, os The 69 Eyes provaram porque permanecem uma referência maior do gothic rock europeu — e porque 25 anos de ausência dos palcos portugueses foram, de facto, tempo a mais.

Após uma breve pausa, os D.A.D. tomaram conta do palco e transformaram o Hard Club numa verdadeira festa de rock’n’roll. Donos de um percurso longo e respeitado, e com várias passagens anteriores por Portugal, os dinamarqueses apresentaram um alinhamento sólido, repleto de temas icónicos e momentos de grande interação com o público.

O concerto arrancou com a energia contagiante de “Jihad” e “1-2-3”, seguindo-se clássicos como “Girl Nation”, “Rim of Hell” e “Ridin’”, que fizeram a plateia cantar em uníssono. Cada elemento da banda é um espetáculo por si só, mas o grande destaque estético foi, sem dúvida, para o baixista Stig Pedersen, com o seu visual excêntrico e as constantes trocas de baixo — incluindo os já lendários modelos de duas cordas, o foguetão e a azeitona, que se destacaram na reta final do concerto. Pelo alinhamento surgiram ainda pérolas como “Grow or Pay” e “Point of View”, sempre executadas com a habitual irreverência da banda.

A interação com o público e entre os próprios músicos foi constante, especialmente entre o frontman Jesper Binzer e o baterista Laust Sonne, reforçando a estreita relação que os D.A.D. mantêm com o público nacional. Para a parte final ficaram reservados “Monster”, “Everything Glows” e “Bad Crazy”, mas todos sabiam que ainda faltavam os grandes hinos da carreira. “Laugh ’n’ a ½” surgiu no seu habitual registo acústico, antecedendo a icónica “Sleeping My Day Away”, estendida por mais de oito minutos e com o público novamente a assumir um papel central. “After Dark” encerrou a noite em clima de celebração total.

O concerto de D.A.D. e The 69 Eyes no Porto foi muito mais do que uma simples passagem por Portugal: foi uma demonstração clara de vitalidade, longevidade e paixão pelo palco. Duas bandas com identidades distintas, mas unidas por uma entrega total e por uma ligação genuína ao público.