Banner Top

Texto e Vídeo: Carlos Guimarães.
Fotos: Nuno Reis.

Laurus Nobilis Music Fest 2026
Dia 3
Louro (Famalicão), 18.07.2026

YouTube player
YouTube player

O terceiro dia do Laurus Nobilis Music Fest abriu no palco principal com os Viledog, banda vencedora do concurso Laurus Metal Battle. Este jovem grupo oriundo do Porto é uma das propostas mais promissoras da nova vaga do thrash metal português. Em palco, apresentou sobretudo temas do seu EP de estreia, Appetites, dando o pontapé de saída para mais um grande dia de festival.

No palco secundário, instalado na Casa do Artista Amador, atuaram os Thorndale que, apesar da reduzida assistência, proporcionaram alguns momentos de grande qualidade com a sua fusão de heavy e doom metal. Assente em riffs densos, grooves sólidos e uma interpretação vocal intensa, o quarteto neerlandês conquistou gradualmente a audiência através de uma atuação madura e muito bem executada.

Se ainda existiam dúvidas quanto à qualidade dos Godark, estas ficaram totalmente dissipadas com a sua atuação no palco principal. A banda penafidelense apresentou-se extremamente coesa e com um nível de execução elevadíssimo, embora a qualidade do som proveniente do P.A. nem sempre lhes tenha feito justiça. A maturidade do grupo ficou bem patente, com os temas do mais recente álbum, Omniscience, a ganharem uma dimensão adicional ao vivo, destacando-se o excelente trabalho das três guitarras. Os Godark têm todas as condições para dar mais um importante passo na sua carreira.

Embora ainda estejam no início do seu percurso, os Haunted Minds revelaram uma postura muito segura em palco e demonstraram uma clara preocupação em oferecer mais do que uma simples atuação musical. A forte componente visual e a dinâmica dos músicos acrescentaram um impacto extra ao espetáculo, confirmando que os Haunted Minds são um projeto com ambição e argumentos para crescer na cena nacional.

A par dos Godark, os Morgu foram outra das grandes confirmações no palco principal do Laurus Nobilis. A banda albanesa tinha atuado na Casa do Artista Amador na edição anterior, enchendo por completo o palco secundário. Desta vez, a passagem para o palco principal revelou-se mais do que justificada, proporcionando um dos momentos mais atmosféricos do dia, conduzindo o público por uma viagem sonora intensa, onde a agressividade e a melodia coexistiram de forma exemplar.

No palco secundário, os Faemine apresentaram um registo bastante distinto do restante alinhamento do dia. A banda lisboeta demonstrou uma maturidade assinalável, conciliando o peso do metalcore com melodias envolventes, ambientes cinematográficos e uma prestação vocal de enorme versatilidade. Pela qualidade demonstrada, não restam dúvidas de que é uma banda feita para grandes palcos.

A par de Abbath, os Atrocity eram uma das principais atrações desta derradeira jornada. Liderados pelo carismático Alex Krull, os alemães proporcionaram uma verdadeira viagem pela extensa carreira de uma das bandas mais influentes do death metal europeu. Com mais de três décadas de atividade, demonstraram porque continuam a ser uma referência incontornável, conciliando brutalidade, técnica e uma presença em palco irrepreensível. O único senão da atuação foi o som, com várias oscilações no volume das guitarras e alguns problemas técnicos ao longo do concerto, que arrancou com “Desecration of God”, “Death by Metal” e “Fire Ignites”. Sempre em constante comunicação com o público, Alex Krull liderou uma atuação marcada ainda por temas como “Malicious Sukkubus” e “Bleeding for Blasphemy”, culminando com as incontornáveis “B.L.U.T.”, “Shadowtaker” e “Reich of Phenomena”, já no encore. Mais do que um simples concerto, os Atrocity ofereceram uma verdadeira celebração da sua história.

YouTube player

A Casa do Artista Amador ainda deve estar a recuperar da autêntica descarga proporcionada pelos Grog. A veterana formação portuguesa subiu ao palco determinada a recordar porque continua a ser um dos nomes mais respeitados do underground extremo nacional, oferecendo uma atuação avassaladora, sem concessões e marcada por uma intensidade praticamente constante. Com a sala completamente cheia, os Grog alimentaram-se da energia transmitida pelo público, enquanto Pedro Pedra manteve uma interação permanente, espontânea e descontraída com as primeiras filas. Sem dúvida, um dos momentos mais explosivos de todo o festival.

Todos esperavam por ele e ele não desiludiu. Abbath, figura incontornável da história do black metal, foi o responsável por encerrar o Laurus Nobilis Music Fest 2026. O lendário guitarrista e vocalista norueguês regressou a Portugal acompanhado por uma banda irrepreensível para apresentar um alinhamento que percorreu a sua carreira a solo, mas que prestou uma especial homenagem ao legado dos Immortal, arrancando uma resposta entusiástica dos muitos fãs que permaneceram até ao último instante do festival. A entrada em palco foi recebida com enorme entusiasmo e “To War!” inaugurou o espetáculo da forma mais intensa possível. Entre temas próprios como “The Artifex”, “Acid Haze” e “Ashes of the Damned”, e clássicos dos Immortal como “One by One”, “Beyond the North Waves”, “In My Kingdom Cold”, “Tyrants” e “The Sun No Longer Rises”, Abbath teve sempre o público na mão. “Winterbane” mergulhou uma vez mais o recinto na atmosfera épica e gélida que sempre caracterizou o seu universo musical, antes de “The Sun No Longer Rises” colocar um ponto final memorável na atuação. No final, Abbath despediu-se laconicamente do público e abandonou o palco, sem regressar para o encore que muitos ainda esperavam. Muito para além da pintura facial ou da imagem icónica que o tornou reconhecido em todo o mundo, foi a qualidade das composições, a excelência dos músicos e a enorme capacidade de comunicação com o público que fizeram deste concerto um dos grandes momentos do Laurus Nobilis Music Fest 2026, encerrando da melhor forma mais uma edição memorável do festival.

YouTube player