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Fotos e Texto: Edgar Silva.

Machine Head
LAV Lisboa ao Vivo (Lisboa), 28.04.2026

 

A noite de Machine Head em Lisboa ao Vivo não foi apenas mais um concerto — foi, sem exagero, uma noite memorável, daquelas que se contam vezes sem conta nos dias que se seguem. 

A festa começou bem cedo, numa autêntica peregrinação ao LAV. Ainda com o sol a marcar presença, já a fila se estendia de forma impressionante, com a malta completamente em puro êxtase para ver e ouvir os enormes Machine Head. O ambiente era de celebração: pessoal a tirar fotografias uns com os outros, abraços entre amigos que já não se viam há algum tempo, muita confraternização e, claro, uns bons canecos à mistura. Era daqueles momentos que, logo ali, se percebia que ficariam para mais tarde recordar — uma tarde/noite que, para muitos, ficará gravada na memória. 

Quando o relógio bateu as 20h e as portas finalmente abriram, foi impossível não notar os sorrisos estampados nos rostos. Uns correram desenfreadamente para garantir lugar na linha da frente, outros desviaram-se para o merchandising da banda, enquanto muitos simplesmente absorviam o momento, conscientes de que algo grande estava prestes a acontecer. Não demorou muito até o LAV ficar completamente lotado, criando aquele ambiente sufocante — no melhor sentido — que só salas cheias conseguem proporcionar. 

O aquecimento surgiu ao som de “Bohemian Rhapsody”, dos Queen, cantada em coro por uma audiência já totalmente entregue. Era o prenúncio perfeito. De repente, as luzes apagam-se, o videowall ganha vida com o vídeo de entrada da banda e, um a um, os elementos entram em palco. A reação? Delírio absoluto. 

Sem tempo a perder, o arranque faz-se com a brutalíssima “Imperium”, do clássico “Through the Ashes of Empires“. E logo ali ficou evidente: os seguranças perceberam que não ia ser uma noite fácil — e fizeram, diga-se, um excelente trabalho ao longo de todo o concerto. Sem deixar respirar, seguem com “Ten Ton Hammer”, de “The More Things Change”…, e a intensidade sobe ainda mais. Mas como ainda não tinham aquecido o suficiente, avançam para “Choke on the Ashes of Your Hate”, de “Of Kingdom and Crown”. Aí, o caos instala-se: cerveja pelo ar, crowdsurfing constante, mosh com fartura — uma entrada deliciosa onde o público português teve um papel fundamental para que a noite se tornasse memorável. 

O setlist — que percorreu várias fases da carreira — continuou a disparar com “Now We Die”, “Blood for Blood” e “Blood Sweat Beers”, mantendo a energia sempre no máximo. Mas um dos momentos mais impactantes da noite surgiu em “Is There Anybody Out There?”. O cenário transformou-se: luzes e videowall pintados com as cores de Portugal, num gesto que deixou o público completamente rendido aos Machine Head. Quando a música termina, dá-se um daqueles momentos espontâneos que não se explicam — vivem-se: a sala inteira transforma-se num coro e entoa “Seven Nation Army”, dos The White Stripes, na já icónica versão portuguesa: “Esta merda é que é boa”. Pele de galinha. 

Mas ainda havia muito para tocar. “This Is the End”, “Slaughter the Martyr” e outros temas reforçaram a consistência de um alinhamento pensado ao detalhe, sempre com a resposta do público à altura. 

E depois chega um dos momentos mais arrepiantes da noite: “Old”, do mítico Burn My Eyes. No refrão, o público canta em uníssono com uma intensidade tal que até os mais fortes sentiram o impacto. É nestes momentos que se percebe a verdadeira ligação entre banda e audiência — algo que vai muito além de um simples concerto. 

Para a reta final, Machine Head guardaram uma sequência simplesmente demolidora: “Catharsis”, “Bulldozer”, “From This Day” e “Davidian” elevaram ainda mais a fasquia, preparando o terreno para o inevitável encerramento com “Halo”. Um hino, uma catarse coletiva, uma despedida em grande com um público que deu absolutamente tudo naquela sala. 

Os Machine Head não precisam de provar nada a ninguém — mas, ainda assim, fazem-no sempre. São uma banda enorme, com um nome que vai muito além de fronteiras, e que continua a demonstrar uma entrega e intensidade em palco absolutamente avassaladoras. 

Depois de uma noite assim, fica no ar a pergunta inevitável: será que voltam a Portugal em 2027? Se depender do público que encheu o LAV e transformou este concerto numa verdadeira celebração, a resposta só pode ser uma — têm de voltar.