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Texto, Fotos, Edição e Captação Vídeo: Carlos Guimarães.
Captação Vídeo: Rui Teixeira

Masacre + Repugnator
Sala Mouco (Porto), 23.07.2026

O passado dia 23 de julho ficará para sempre marcado na história do metal extremo em Portugal. Após mais de três décadas de carreira, os colombianos Masacre visitaram finalmente o nosso país para um concerto muito especial na Sala M.Ou.Co., no Porto, aproveitando a ocasião para registar oficialmente a atuação que dará origem a um futuro lançamento em vídeo. O espetáculo centrou-se na celebração dos aniversários de dois dos álbuns mais importantes da sua discografia, “Reqviem” (1991) e “Sacro” (1996), marcos incontornáveis do death metal sul-americano.

A festa começou ainda ao final da tarde, por volta das 18h00, com Fernando Ribeiro, vocalista dos Moonspell, a assumir os comandos da mesa de mistura para um descontraído DJ set na esplanada do M.Ou.Co. Entre clássicos do metal e algumas escolhas menos óbvias, o ambiente foi aquecendo gradualmente, proporcionando o ponto de encontro perfeito para os fãs antes da abertura das portas da sala.

Pontualmente às 20h30, coube aos portuenses Repugnator inaugurar as hostilidades. A jovem formação apresentou uma prestação convincente, mostrando porque começa a afirmar-se como um dos nomes mais interessantes da nova vaga do black/death metal nacional. Com uma sonoridade crua, agressiva e profundamente enraizada na velha escola, o quarteto descarregou um alinhamento intenso, marcado por riffs cortantes, blast beats incessantes e uma atmosfera sombria que conquistou rapidamente a audiência. Uma escolha plenamente acertada para preparar o terreno para aquilo que se seguiria.

Pouco depois, os Masacre subiram ao palco perante um público entusiástico. Apesar de se tratar da primeira visita da banda a Portugal, a sensação era precisamente a oposta. A forte presença da comunidade colombiana e de outros fãs sul-americanos residentes no nosso país fez com que a banda se sentisse praticamente em casa, criando um ambiente de enorme proximidade entre músicos e audiência desde os primeiros acordes.

Um dos grandes destaques da noite foi, sem dúvida, a qualidade sonora proporcionada pela Sala M.Ou.Co. O equilíbrio entre potência e definição permitiu apreciar ao detalhe a execução de uma banda que continua a demonstrar porque é considerada uma das maiores referências do death metal latino-americano.

O alinhamento percorreu alguns dos momentos mais emblemáticos de Reqviem e Sacro, oferecendo aos presentes uma verdadeira viagem pelas raízes do death metal colombiano. Temas como “Cortejo Fúnebre”, “Brutales Masacres” e “Imperio del Terror” foram recebidos com enorme entusiasmo, alimentando sucessivos mosh pits e uma entrega constante do público, que nunca deixou a intensidade baixar ao longo de toda a atuação. De destacar também a prestação vocal irrepreensível de Alex Okendo, que voltou a confirmar o estatuto de um dos vocalistas mais carismáticos da cena extrema.

Se houve um aspeto menos positivo da noite, foi a afluência. Apesar da excelente resposta dos presentes, a Sala M.Ou.Co. esteve longe de esgotar, algo que não faz justiça à importância histórica desta estreia portuguesa nem ao legado de uma banda que ajudou a escrever algumas das páginas mais relevantes do death metal sul-americano.

A despedida aconteceu ao som da extensa “Death Metal Forever”, transformada num verdadeiro hino coletivo. Cantada em uníssono pelos fãs, encerrou uma atuação memorável e simbolizou na perfeição o espírito vivido durante toda a noite: paixão, dedicação e um profundo respeito por uma banda que, apesar de só agora ter chegado a Portugal, deixou claro que nunca deveria ter demorado tanto tempo a fazê-lo.

A estreia dos Masacre no nosso país foi, assim, um sucesso artístico inquestionável. Fica agora a expectativa para o lançamento oficial do registo em vídeo e, acima de tudo, a esperança de que esta primeira visita seja apenas o início de uma relação duradoura entre os pioneiros colombianos e o público português.

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