Texto: Rui Teixeira.
Fotos: Edgar Silva, Nuno Reis e Rafael Correia
Milagre Metaleiro Open Air 2026
Dia 1
Pindelo dos Milagres (São Pedro do Sul), 21.08.2026
Decorreu entre 21 e 23 de agosto a XVII edição do Milagre Metaleiro Open Air em Pindelo dos Milagres, que trouxe a muito desejada mudança (definitiva) para a sua nova casa no Parque das Cruzinhas. Palco único e três dias de música, confraternização e amizade, que seriam memoráveis, reforçando a singularidade e espírito que se vive neste festival.
O primeiro dia do festival, arrancou com a jovem e promissora banda nacional Gnosis. Apresentaram o seu muito interessante álbum de esteia “Within // Without” lançado no corrente ano, de forma soturna e imersiva, onde a teatralidade é parte importante de toda a performance construída em palco. Todos os que já se encontravam no recinto receberam a atuação de forma calorosa, numa abertura que surpreendeu apenas os mais desatentos ao nosso underground, com os Gnosis a provarem que são um valor seguro e a ser seguido atentamente.
Gnosis | Fotos: Nuno Reis
De seguida o palco seria dos espanhóis de Zamora Death & Legacy. Com algumas presenças já em solo nacional, não eram, portanto, desconhecidos do público, estando no ativo desde 2013 e já com quatro LPs editados, o último dos quais “D4rk Prophecies” de 2023. Liderados pela presença carismática da sua vocalista Hynphernia, debitaram o seu death melódico de forma competente, mas que em minha opinião deixou um pouco a desejar em termos de energia e interação com o público.
Death & Legacy | Fotos: Rafael Correia
Muito aguardada era a atuação dos Gwydion, porta estandartes do folk metal nacional. E de facto, a festa instalou-se em Pindelo com os Gwydion a assinarem uma atuação de grande nível, com animação e agitação de princípio ao fim. Um concerto carregado de emoção e nostalgia, onde foi erguido pelo público uma bandeira gigante com a foto e menção “Hail Daniel”, fazendo com certeza correr algumas lágrimas de saudade. Um dos pontos marcantes deste primeiro dia a excelente atuação dos Gwydion no MMOA 2026.
Gwydion | Fotos: Nuno Reis
Os primeiros representantes da armada sueca seriam os Enforcer. Com uma carreira de já mais de 20 anos e muitos trabalhos editados, ofereceram-nos uma descarga incrível de heavy/speed metal, recebida com muito agrado pelo público cada vez mais numeroso no recinto. Executantes de excelência, elevaram a fasquia a um nível bastante alto, para o que viria de seguida. Este tipo de sonoridade sempre foi muito acarinhado pelo MMOA e os Enforcer foram uns dignos representantes do mesmo.
Enforcer | Fotos: Edgar Silva
Seguir-se-iam os também suecos The Haunted. Veteranos de guerra, sabem como colocar em polvorosa um festival. E assim foi no MMOA, com riffs poderosos debitados incessantemente, o mosh pit não parou e a segurança não teve sossego com o crowdsurfing. A energia brutal que emanava do palco fez-se sentir em todo o recinto, transformando esta atuação dos The Haunted uma das mais intensas e memoráveis do primeiro dia, abrindo o caminho para os headliners que viriam a seguir.
The Haunted | Fotos: Rafael Correia
Os Paradise Lost são uma banda de culto, que passou por sonoridades diferentes ao longo da sua carreira, mas que nunca deixou de ter uma legião de fãs numerosa e fiel. Por isso mesmo este regresso a Portugal era aguardado com grande expectativa, tendo o recinto uma moldura humana fantástica à hora dos britânicos subirem a palco. E que concerto fenomenal nos proporcionaram, com temas que percorreram a sua longa discografia e que deixou todos os presentes em euforia total. Com um som a roçar a perfeição, é muito difícil colocar um defeito ou fazer uma crítica ao que se assistiu em palco, com uma performance dos Paradise Lost que entra com certeza para a galeria dos melhores momentos da história do festival.
Paradise Lost | Fotos: Nuno Reis
Para fechar a noite, os nacionais Ethereal subiram a palco já depois da 1h da manhã. O seu último trabalho “Downfall”, valeu-lhes a conquista de uma nova geração de fãs depois de um hiato de edições, e isso foi evidente nas camisolas da banda que se viam no recinto. Embora enfrentando alguns problemas técnicos, conseguiram ultrapassar isso com uma excelente entrega e profissionalismo, animando e colocando o público a cantar os refrões.
Estava assim concluído o primeiro dia com um balanço muito positivo, sendo hora de recarregar baterias para mais dois dias que se previam intensos.













































































































































