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Texto: Rui Teixeira.
Fotos: Edgar Silva, Nuno Reis e Rafael Correia

Milagre Metaleiro Open Air 2026
Dia 2
Pindelo dos Milagres (São Pedro do Sul), 22.08.2026

Depois de um fantástico dia de abertura, o dia de sábado era também aguardado com grande expectativa e com sonoridades a agradar a um espectro vasto de público.

A abertura esteve a cargo de um dos nomes já consagrados do underground nacional, os thrashers Warout. O muito público presente em frente ao palco, mesmo sendo a primeira banda da tarde era prova disso mesmo, prometendo festa e animação. Com muita estrada em palcos mais pequenos e outros maiores, os Warout mostraram consistência e muito à vontade. Entrada a todo o gás, fazendo abrir as mosh pits logo na primeira faixa, nunca deixaram a bitola cair, como se quer num bom concerto de thrash. Com a plateia a cantar os refrões das músicas, a sintonia foi perfeita, arriscando-me a dizer que foi um dos melhores concertos que vi de Warout. Que início de tarde incrível no palco do MMOA.

As bandas portuguesas continuariam a ser donas do palco, com a entrada de seguida dos Dallian. Regressados aos palcos em 2026 depois de um hiato, a banda apresenta-se agora em formato trio e com o regresso à bateria de André Fragoso. Apresentaram faixas do LP “Automata” bem como temas novos do seu novo álbum que aguarda lançamento. Com um som muito característico, que alia peso e agressividade a influências progressivas, deixaram muita gente de queixo caído com uma prestação de grande qualidade no MMOA. Para quem já os conhecia, foi apenas mais uma confirmação de que são um dos projetos mais interessantes da cena nacional.

De regresso a Pindelo, os Serious Black são daquelas bandas que não sabem dar maus concertos. Power metal com melodias e riffs que entram facilmente no ouvido, sentiram-se em casa no MMOA. Energia, boa disposição e interação constante com o público, confirmaram a boa aposta que foi este regresso, saindo a banda e o público com um sorriso aberto no final do concerto.

Os alemães Crematory seriam de seguida os ilustres convidados em palco. A sua sonoridade gótica/industrial, trouxe muitos fãs ao MMOA e com certeza não saíram dececionados. Que grande prestação destes veteranos, que encantaram por completo a plateia. Temas intemporais como “Tears Of Time” e “Tick Tack” e “rise and Fall” que encerraram o set, fizeram desta passagem por Pindelo um momento para mais tarde recordar. Destaque para a simpatia de toda a banda que depois do concerto se juntou ao público para uma seesão de fotos e autógrafos.

Como é habitual, a presença de “nuestros hermanos” em Pindelo é uma imagem de marca do festival. E os Saurom são uma daquelas bandas que têm já uma história com o MMOA, tendo atuado no festival em 2017 . Era, portanto, expectável que teríamos uma grande festa com os Saurom em palco, e assim foi. A química com o público foi automática e o desfilar dos êxitos que todos esperavam, fizeram do recinto um harmonioso e feliz “party ground”. Com a fantástica Elizabeth Amoedo a abrilhantar ainda mais a performance da banda, esta foi mais uma passagem repleta de êxito dos Saurom pelo MMOA.

Chegava a hora de receber os headliners de sábado, os titãs do thrash alemão Destruction. Liderados pelo icónico Schmier, não é fácil traduzir em palavras a enormidade do concerto a que se assistiu. Brutalidade sonora em todo o seu esplendor, com toda a banda a um nível de fúria e energia incríveis. Abertura com “Curse the Gods”, passando depois por temas históricos como “Nailed To The Cross”, “Mad Butcher”, “Bestial Invasion”, e fechando com “Thrash Til Death” e “Destruction”, fizeram instalar o verdadeiro caos no recinto do MMOA, dando à equipa de segurança o concerto mais trabalhoso de todo o festival. No top de concertos desta edição, a atuação dos Destruction ecoará pelas memórias dos presentes por muitos anos.

A difícil tarefa de fechar a noite à 1h da manhã e depois do headliner, coube aos nossos já bem conhecidos Erzsébet. E que excelente escolha que foi, uma banda com um nome já firme entre os fãs portugueses e com excelentes memórias da estreia no MMOA, conseguiu manter toda a gente com os olhos colados no palco. À agressividade sonora de um black metal sinfónico, junta-se toda uma teatralidade encarnada em diversas personagens pela vocalista Countess Erzsébet, que fazem de cada concerto da banda um momento único a ser apreciado. Se já tinham muitos fãs por terras lusitanas, é certo que conquistaram mais alguns.

Eram agora horas do descanso merecido, para nos prepararmos para um terceiro dia que seria simplesmente épico no MMOA.