Texto: Gonçalo Januário.
Fotos: Rafael Correia.
River Stone Fest
Der Weg einer Freiheit + Wolfheart + Godark + Shores of Null + The Ominous Circle + Capela Mortuária + Against Them All + Debunker
Rio de Moinhos (Penafiel) – 19.09.2026
No passado dia 16 de setembro, a localidade de Rio de Moinhos, no concelho de Penafiel, acolheu a décima edição do River Stone Fest. Com um recinto amplo e extremamente acolhedor, o festival confirmou-se, mais uma vez, como um ponto de passagem obrigatório para qualquer apreciador de música pesada.
A tarde começou com os Debunker a abrir as hostes. Formada no Porto em 2011, a banda apresentou o seu Thrash Metal fundido com nuances de Groove Metal. Apesar do calor intenso que se fazia sentir, o público continuava a chegar de forma constante, sendo rapidamente conquistado pela performance enérgica e pelos riffs marcantes do grupo.
Debunker
Seguiram-se os Against Them All, vindos diretamente do sul do país (com elementos do Algarve e do Alentejo). Formados em 2022, trouxeram um Hardcore tradicional e carregado de garra. Numa apresentação onde a energia esteve sempre no topo, conseguiram agitar e pôr em movimento uma plateia cada vez mais composta.
Against Them All
Com a fasquia elevada, subiu ao palco a terceira banda do cartaz: os The Ominous Circle. A escuridão e a intensidade tomaram conta do espaço quando a formação portuense (criada em 2014) surgiu vestida de negro e de rostos cobertos. Apresentando um som cru, pontuado por riffs frios, serrados e vocais rasgados, a banda ofereceu uma atuação de enorme impacto visual e sonoro, envolvendo Penafiel numa autêntica e densa nuvem negra que prendeu o público do início ao fim.
The Ominous Circle
À medida que o sol começava a baixar, chegou a vez dos “jogadores da casa”, os Godark. Formados em 2014, os penafidelenses demonstraram todo o seu potencial através de um Death Metal Melódico técnico e pesado. Jogando em terreno próprio, a execução irrepreensível da banda inflamou a plateia, resultando num visível aumento de entusiasmo e movimentação no moshpit.
Godark
Com a chegada da noite, deram-se as estreias internacionais. Os italianos Shores of Null subiram ao palco para a sua estreia absoluta em solo português. O quinteto entregou uma performance demolidora, equilibrando com mestria a agressividade do Death/Doom com passagens melódicas e melancólicas. Destaque para a prestação vocal, que alternou com enorme versatilidade entre guturais profundos e vozes limpas carregadas de emoção, conquistando por completo a audiência.
Shores of Null
De seguida, a noite prosseguiu com a tempestade vinda da Finlândia: os esmagadores Wolfheart. A banda trouxe consigo uma autêntica atmosfera nórdica e um rasto de destruição sonora. Com uma presença em palco imponente, o seu Death Metal Melódico foi executado com uma precisão técnica impressionante — destacando-se uma secção rítmica demolidora e guitarras perfeitamente sincronizadas. O contraste entre os vocais guturais e as harmonias mais trabalhadas funcionou de forma exemplar, contagiando o público que respondeu com uma recetividade rápida e agressiva.
Wolfheart
Após a descarga finlandesa, chegou um dos momentos mais aguardados da jornada. Estreando-se finalmente em Portugal, os alemães Der Weg einer Freiheit (oriundos da Baviera) provaram por que razão são considerados um dos nomes mais relevantes do Black Metal moderno. Fundindo o peso do género com influências de Post-Black e Blackgaze, a banda reproduziu em palco toda a complexidade e sensibilidade dos seus trabalhos de estúdio. Entre blast beats frenéticos, riffs gélidos e passagens atmosféricas profundas, o concerto foi uma verdadeira viagem mental. Passando por temas do mais recente trabalho (Finisterre, Stellar e outras composições marcantes), a carga percetiva e filosófica das suas letras traduziu-se numa das atuações mais marcantes e memoráveis em solo lusitano este ano.
Der Weg Einer Freiheit
Para encerrar a noite em clima de celebração, nada melhor do que os Capela Mortuária. Vindo de Braga, o grupo transformou o recinto numa autêntica festa. Féis ao seu estilo, descarregaram uma dose cavalar de Thrash Metal rápido, agressivo e repleto de riffs demolidores. Com uma atitude contagiante que uniu banda e público até ao último segundo, fecharam com chave de ouro esta edição histórica do festival.
O River Stone Fest volta a provar que é um evento 100% recomendável para os amantes de Metal, quer nacionais quer internacionais. Fica o destaque para o ambiente fantástico, a organização exemplar e o acolhimento caloroso de toda a staff.
Muitos parabéns à organização pelo 10.º aniversário e longa vida ao River Stone!


































































































































