Texto e captação vídeo: Rui Teixeira
Edição vídeo: Carlos Guimarães
River Stone Winterfest
Equaleft + Blame Zeus + Chaosaddiction + Spiralist + Viledog + Nothisera
Rio de Moinhos (Penafiel), 21.03.2026
Dia 21 de março, foi dia de regressar à vila de Rio de Moinhos em Penafiel, para a versão Winter Fest do River Stone.
Como é habitual, seis bandas divididas em dois blocos de atuações, tendo as honras de abertura cabido aos portuenses Nothisera. E foi de facto um excelente início, mesmo com o público ainda a chegar, os Nothisera tiveram o mérito de prender a atenção de todos, com uma atuação segura e consistente. Sonoridade pesada, com muito Groove e várias influências, onde destaco a boa capacidade técnica dos músicos. Com dois EP´s editados “Edicius I” e “Edicius II”, ficaram-me no ouvido faixas como “Vacuum” e “Neo”, numa atuação que provou ser uma boa escolha para abertura do festival.

Os thrashers Viledog, seriam os próximos a entrar em palco. Representantes da nova vaga do thrash nacional, encarnam em pleno o que é viver o thrash metal, atitude, energia e muito suor. E quando a vibe que vem do palco é esta, a consequência imediata são as mosh pits e muito headbang que foi o que se viveu na sede do Grupo de Bombos Amigos de Cima. Com um EP recém-lançado “Appetites”, desfilaram os temas desse registo e terminaram em grande com duas covers, “Pornocultura” dos Capela Mortuária e “Creeping Death” dos Metallica.

Seguiam-se os Spiralist, projeto do multi-instrumentista Bruno Costa. E esta era uma oportunidade única, já que são raras as aparições da banda em concerto nos dias que correm. Com o álbum “Violent Feathers” de 2025 em carteira e que foi segundo o próprio Bruno um defining statement para a banda, a prestação ao vivo foi soberba e arrebatadora. Desde o início a atmosfera criada pela sonoridade alternativa, industrial e shoegaze, envolveu todos os presentes, que fixaram os olhos em palco sem os de lá tirar por um momento que fosse. O set que contou com uma participação especial de Miguel Inglês, foi quase na totalidade dedicado ao “Violent Feathers”, com faixas como “Underbelly”, “Parasites”, “Deeper” e “Baptism by Fire”, tendo iniciado com “Sun Ra” de “Eternal Ressurrance” e fechado em grande estilo com “Deus Ex Machina” do EP “The Future EP”. Um dos momentos altos deste River Stone Winter Fest a presença dos Spiralist.

Já de barrigas reconfortadas e com o cartaz de setembro divulgado (vale a pena ir consultar as surpresas), entramos no segundo bloco de atuações com os consagrados Blame Zeus. Como é hábito o seu clube de fãs ocuparam a frente do palco mantendo a energia e a animação sempre em alta. Com temas que já todos conhecemos de cor, o setlist abriu com “No” e “Speechless” tendo depois passado entre outras pelas obrigatórias “Left For Dead” e “For The Strong and The Faithful”, fechando com “Implode” e “Burning Fields”. Em vésperas de partirem para alguns concertos na Europa, os Blame Zeus provaram estar em grande forma e prontos para conquistar novos palcos.

Os Equaleft são dos nomes mais respeitados e consistentes do nosso underground e provam-no a cada concerto. Liderados pelo carismático Miguel Inglês, acompanhado de músicos de excelência, os Equaleft detonaram o palco do River Stone com o seu groove demolidor. Com a adesão do público a ser plena, o que levou Miguel Inglês a descer do palco e juntar-se à festa, desfilaram temas como “Hymns of Obedience” a abrir, “New False Horizons”, Fragments”, “Wavering” e “Invigorate”, terminando com a brutalidade de “Heartless Machine” e “We Defy” cantada por todos em uníssono. No final, a distribuição de húngaros adoçou as bocas dos mais gulosos.

Para fechar a noite, tivemos em palco os Chaosaddiction. Talvez sendo a banda com mais rodagem no panorama underground nacional, isso ficou bem evidente na forma como as faixas foram debitadas incessantemente, mesmo com Rui Alexandre a queixar-se que estava a ficar sem voz, Gaspar foi assegurando na bateria as vocalizações mantendo a prestação a correr sobre rodas. Com um álbum novinho em folha a ser editado dentro de dias, assistimos quase que a uma pré audição do que aí vem, “Kintsugi”. Mesmo com a hora avançada a plateia manteve-se firme e enérgica, presenteando a banda com uma excelente reação. O set terminaria em beleza com a já habitual cover de “Davidian” dos Machine Head.
Até Setembro River Stone Fest!



