Fotos e Texto: Nuno Reis.
Sigur Rós
Com Orquestra Sinfonietta de Lisboa e Coro Ricercare
Coliseu do Porto – 13.09.2026
A 13 de setembro, os Sigur Rós trouxeram ao Coliseu Porto Ageas um concerto que se viveu tanto na dimensão do som como na profundidade do silêncio. Acompanhada pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa e pelo Coro Ricercare, a banda islandesa percorreu o seu repertório em duas partes, entre temas de ÁTTA e canções que há muito fazem parte da sua história.
De “Blóðberg”, na abertura, a “Starálfur”, passando por “Vaka” e “Samskeyti”, o alinhamento encontrou uma sala esgotada e inteiramente entregue. Havia algo de raro naquela atenção coletiva: um Coliseu cheio onde o silêncio parecia absoluto. Cada tema parecia pedir um recolhimento quase sagrado, espontaneamente partilhado por todos.
O silêncio era tão profundo que, na segunda parte, até os obturadores das máquinas dos fotógrafos tiveram de ser silenciados. O mais pequeno clique tornava-se uma intromissão naquela escuta. Nem o calor intenso da sala quebrou a concentração: o público aguentou firme, deixando que a música ocupasse todo o espaço. No final de cada tema, a contenção dava lugar a uma explosão de aplausos, como se a emoção só então pudesse encontrar saída.
Com “Ára bátur” e “Hoppípolla” já perto do fim, antes de “Avalon” encerrar o alinhamento, ficou a marca de uma noite de comunhão invulgar. Num Coliseu esgotado, ouvir foi um gesto coletivo — e o silêncio, uma das mais belas respostas à música dos Sigur Rós.















