Texto: Rui Teixeira
Fotos: Adriano Santos
Um Metaleiro Também Chora Fest
Aneuma + Firemage + Tvmvlo + Chaosaddiction + Black Hill Cove + Dallian + Ashes Reborn
Assoc. Roda Moinas (Mealhada), 04.07.2026
Dia 4 de julho foi dia de regressar a Carqueijo – Roda Moinas, para o já obrigatório e imperdível Um Metaleiro Também Chora Fest.
Perante um calor abrasador mesmo sendo já 18h00, os vimaranenses Ashes Reborn entravam em palco para as primeiras hostilidades. E entraram a todo o gás, sem contemplações com o seu thrash bem musculado. O setlist percorreu os 3 LP´s editados, com especial destaque no trabalho de 2024 “In Captivity”, com “Awake in Devastation” abrir o concerto, e faixas como “Life in Captivity” e “Enter The Moshpit” a serem muito bem recebidas. Ainda antes do final, pudemos ouvir “Darkness” o single mais recente da banda, fechando o set com a apelativa “Same Shit, Different Smell”.
Não têm sido muitas as oportunidades de ver Ashes Reborn ao vivo, mas em Roda Moinas mostraram consistência e foram uma ótima abertura de festival.
Ashes Reborn
Vindos de Lisboa, teríamos de seguida os Black Hill Cove em palco. Esta é daquelas bandas que na minha opinião mereciam mais destaque e reconhecimento no nosso underground. Cada concerto que assisto de Black Hill Cove é uma descarga brutal de energia e qualidade, e no Um Metaleiro Também Chora Fest não foi diferente. As sonoridades e influências mescladas pelos Black Hill Cove são várias, mas muito bem trabalhadas, resultando em algo próprio e com identidade. “Ex Tenebris Vita” ocupou boa parte do set, mas faixas como “Angels Fall”, “The Calling” e “The Hunt” que fechou o set, do álbum “Broken” puderam também ser ouvidas, tal como a excelente “Into The Abyss” último single de 2025 que contou com a poderosa colaboração da Ana Cristina Carvalho. Este, foi mais um concerto demolidor de Black Hill Cove que tive oportunidade de assistir.
Black Hill Cove
Os Chaosaddiction são das bandas com mais rodagem no nosso underground, e para quem como eu já os viu tantas vezes, as faixas de “Kintsugi” já se entranharam nos ouvidos e na mente. “Into Chaos”, “Drama King”, “Love Sick”, “Yet I Live” são apenas exemplos disso mesmo e nas quais já não se consegue ficar sem abanar a cabeça ou cantarolar o refrão. Com o calor ainda a massacrar os corpos em cima de palco, mas com as gargantas a serem frequentemente refrescadas, o concerto fluiu sobre rodas, em mais uma bela apresentação dos Chaosaddiction. Destaque para a presença de Jordi na bateria, que substituiu o Gaspar, que conforme foi anunciado “…não está entre nós…, mas está bem”.
Chaosaddiction
Os Dallian eram das bandas que me despertavam mais curiosidade nesta edição. Não só por ser fã do som da banda, mas porque já não os via em palco há muito tempo. A banda sofreu algumas alterações e apresentou-se em formato trio, com o regresso de André Fragoso à bateria. Embora numa fase inicial se tenha notado talvez algum nervosismo ou falta de palco, a banda ofereceu-nos depois um excelente concerto. O seu magnifico álbum de 2018 “Automata” foi a base do setlist, onde faltou a pedida “Sartori”, mas onde pudemos ouvir duas faixas novas, “Prima” e “Ceremonial”. O muito aguardado sucessor de “Automata” está já na sua fase de produção, e a expectativa é grande para conhecer o novo trabalho dos Dallian, uma das bandas mais promissoras e originais do cenário nacional.
Dallian
E quando a noite tomava já conta de Roda Moinas, chegava a hora de nos deleitarmos com uma boa dose de death old school.
E ninguém melhor que os viseenses Tvmvlo para nos oferecer essa descarga de brutalidade. Direto, cru, sem contemplações e tocado com competência, assim é o death metal dos Tvmvlo, que se tornaram nos últimos anos uma referência do estilo no panorama nacional. Sem nunca baixar a intensidade, “When Glory Fades”, “Portals Of Terror” ou “The Cruising Years”, são algumas das faixas obrigatórias e que não podiam faltar, fazendo as cabeças abanar incessantemente. Como sempre, Tvmvlo a ser Tvmvlo no Um Metaleiro Também Chora Fest, com uma atuação arrasadora.
Tvmvlo
Como já vem sendo hábito, o headliner vinha da nossa vizinha Espanha, desta vez com os Aneuma das Asturias. A banda apresenta um som que vagueia entre o death melódico e algumas influências de metalcore. Depois de terem atuado no Ressurection Fest, a viagem foi longa, tendo inclusive a banda pedido desculpas por não ter chegado mais cedo e ter confraternizado com o público e outras bandas. E talvez fruto dessa viagem e do cansaço, a vocalista Laura Alfonso, apresentou-se com alguns problemas de saúde que eram bem evidentes. No entanto, não deixou de se aplicar a 100%, valorizando ainda mais a sua atuação. E de facto, a banda deixou para quem não os conhecia como eu, uma muito boa imagem, mostrando confiança, entrosamento e qualidade. Com três álbuns lançados, o setlist percorreu temas dos três trabalhos, com destaque para “Flesh and Bone” de 2025. Excelente receção da parte de todos os presentes, fizeram com que esta noite tenha com certeza ficado na memória dos Aneuma.
Aneuma
Para fechar a noite e em festa, nada melhor do que um bom folk metal. E foi isso mesmo que os Firemage nos trouxeram, fogo, magia e folk a Roda Moinas.
Com o lançamento do EP “Ignis”, os Firemage tornaram-se rapidamente um fenómeno de sucesso no nosso underground, e cada apresentação é um momento que deve ser vivido intensamente.
“Dance With The Fire”, “The Last March”, “Turn Of The Wheel” ou “My Mother Told Me” fizeram as delícias do público, confirmando os Firemage como uma das forças do nosso folk metal. Aguarda-se agora, a continuidade de “Ignis”, o lançamento de um álbum que cimente a posição d abanda e quem sabe a faça ir para outros patamares. Um final de festa em grande estilo.














































































































































