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Texto e Fotos: Rui Podence

Z LIVE ROCK FEST – DIA 3
Recinto IFEZA (Zamora – Espanha), 13.06.2026

O terceiro dia do Z! Live Rock Fest arrancou sob um calor ainda mais intenso do que nos dias anteriores. Junho em Zamora não dá tréguas, mas nem as temperaturas sufocantes conseguiram travar a resistência dos milhares de festivaleiros, que voltaram a encher o recinto para mais uma jornada de metal em todas as suas formas.

A abertura ficou a cargo dos Latzen, veteranos bascos de power/thrash metal que regressaram aos palcos com a mesma agressividade que os tornou uma referência no circuito underground espanhol. Sem recorrer a grandes artifícios, entregaram um concerto direto, intenso e eficaz, suficiente para despertar um público que ainda procurava abrigo do sol, mas que rapidamente respondeu à descarga de energia vinda do palco.

Seguiram-se os Romanthica, que trouxeram uma mudança de ambiente com o seu gothic rock melódico, algures entre os HIM e os Paradise Lost. A banda catalã apresentou-se sem baixista e acabou por ser prejudicada por uma mistura de som onde a voz surgiu demasiado destacada, retirando alguma profundidade às atmosferas que as suas composições normalmente criam. Ainda assim, foi um momento apreciado pelos fãs do género, oferecendo um contraste interessante num cartaz dominado por sonoridades mais extremas.

Os alemães Dominum elevaram imediatamente os níveis de animação. A sua combinação de power metal moderno, riffs pesados e uma estética assumidamente inspirada no cinema de terror voltou a provar porque são uma das bandas mais divertidas da nova geração. Liderados pelo carismático “Dr. Dead”, transformaram o recinto numa verdadeira festa de mortos-vivos, com direito a uma versão muito bem conseguida de “Thriller”, de Michael Jackson, que encaixou na perfeição no conceito da banda. Um concerto descontraído, contagiante e tecnicamente sólido.

A mudança de registo foi radical com a entrada dos Krisiun. O trio brasileiro continua a ser uma verdadeira máquina de guerra do death metal, exibindo uma precisão impressionante e uma intensidade que parece desafiar os limites físicos. Os riffs devastadores, a velocidade constante e a violência sonora fizeram deste um dos concertos mais extremos do festival, confirmando porque continuam, mais de três décadas depois da sua formação, entre os nomes mais respeitados do death metal mundial.

Vindos de Milton Keynes, os TesseracT trouxeram uma intensidade completamente diferente. Mestres do progressive metal moderno e pioneiros da estética djent, ofereceram um espetáculo de enorme qualidade técnica, onde polirritmos complexos, ambientes atmosféricos e explosões de peso coexistiram de forma natural. A prestação revelou uma banda absolutamente segura do seu valor, capaz de construir paisagens sonoras densas sem nunca perder impacto. Um dos concertos mais sofisticados do cartaz.

Quando os Soziedad Alkoholika subiram ao palco, percebeu-se imediatamente que aquele seria um dos momentos altos do festival. A veterana banda espanhola foi recebida como verdadeira instituição, numa demonstração de respeito e devoção por parte do público. O thrash metal incendiário, aliado a uma entrega absoluta e a uma presença em palco esmagadora, transformou o recinto numa autêntica explosão de energia. Mais do que um concerto tecnicamente irrepreensível, foi uma celebração da ligação entre banda e fãs, daquelas que dificilmente se esquecem.

Os cabeças de cartaz da noite foram os Epica, que corresponderam plenamente às expectativas. Os neerlandeses continuam a afirmar-se como uma das maiores referências do symphonic metal, apresentando uma produção imponente e um espetáculo visual à altura da sua dimensão musical. Simone Simons voltou a demonstrar porque é uma das vozes mais marcantes do género, conciliando potência, elegância e uma enorme presença em palco. O contraste entre a sua voz lírica e os growls de Mark Jansen manteve-se como uma das imagens de marca da banda, enquanto o alinhamento foi crescendo em intensidade até uma reta final marcada por fogo, peso e momentos verdadeiramente épicos.

Já depois da meia-noite, foi a vez dos Brothers of Metal assumirem o comando da festa. Apesar da cenografia praticamente inexistente, o coletivo sueco não precisou de grandes adereços para conquistar o público. O power metal inspirado na mitologia nórdica, interpretado por oito músicos completamente entregues ao espetáculo, encheu o palco de energia. As constantes interações entre os três vocalistas, os refrões prontos para serem cantados em uníssono e a boa disposição contagiante transformaram o concerto numa celebração viking em plena Zamora.

O encerramento ficou entregue aos Lèpoka, uma das principais referências do folk metal espanhol. Como já é habitual, proporcionaram uma autêntica festa, combinando melodias tradicionais, muito humor e uma energia inesgotável que fez o público esquecer, por alguns momentos, o cansaço acumulado de três dias intensos de festival.

Assim terminou mais uma jornada memorável do Z! Live Rock Fest. Entre o calor abrasador, a diversidade do cartaz e uma sucessão de excelentes atuações, Zamora voltou a confirmar porque se tornou um dos festivais de metal mais importantes da Península Ibérica. Nós estaremos, sem dúvida, de regresso no próximo ano.