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Texto: Rui Teixeira.
Fotos: Edgar Silva, Nuno Reis e Rafael Correia.

Milagre Metaleiro Open Air – Dia 4
Hypocrisy + Thyrfing + Patriarkh + Mercenary + Brainstorm + Art Nation + Manticora + Living Tales + Affaire + Ruttenskalle
Pindelo dos Milagres, 24.08.2025

E era chegado o dia de sábado, dia 3 do MMOA com um cartaz apetecível e que iria deixar muita gente feliz.

O quarto e último dia de festival abriu em grande estilo com os nacionais Ruttenskalle. Com o sol ainda a castigar fortemente o recinto o old school death metal dos Ruttenskalle aumentou ainda mais a temperatura. A abertura foi feita com “Destroyer of The Flesh” do mais recente split da banda com os Rageful e seguiu com três faixas do LP de estreia “Skin’Em Alive”, para depois regressar ao split até final do set com “Chaos”, “Murderous Desire”, “Ritual of The Dead” e a infame “Blood Soaked Cunt”.

Após o final do concerto, o palco foi do baterista Paulo Soares que fez um pedido de casamento ao vivo e aceite. O MMOA também é um lugar de amor.

Mudança radical de estilo no palco 2 com os rockers nacionais Affaire. Com o seu terceiro álbum “En Route” lançado em 2024, a banda tem tido alguma rodagem por esses palcos afora e isso ficou demonstrado no à vontade e confiança com que se apresentou. Riffs e melodias catchy, agradaram aos apreciadores do género. Rock n Roll way of life conjuga-se bem com os Affaire.

No palco 1 teríamos de seguida a estreia em festivais Open Air dos Living Tales. Banda já com uma carreira considerável com quatro álbuns editados, sendo o último o aclamado “Hades” de 2025, a chamada ao MMOA foi muito merecida. Na impossibilidade da presença do seu baixista João Carneiro, tomou o seu lugar o amigo da banda Guilherme e os Living Tales confirmaram tudo o que de bom se tem dito sobre eles, com uma atuação muito consistente e aclamada. O set foi quase inteiramente dedicado ao “Hades”, abrindo com a excelente “Rising” passando depois pela “Persephone”, “Hades”, a pesada e acelerada “River Styx”, “Redemption” e fechando em beleza com a “Reign” que é o hino da banda.

Era agora a vez de assistirmos a uma estreia absoluta em território nacional no palco 2 com os dinamarqueses Manticora. A curiosidade para ver esta banda era grande já que como referido era a sua estreia em Portugal e pessoalmente sou fã da mesma. Muito experientes e com 10 álbuns de estúdio editados, não deixaram os seus créditos por mãos alheias. Uma atuação irrepreensível de power metal com toques progressivos que encantou por completo a plateia. O set abrangeu temas essencialmente do seu mais recente trabalho “Mycelium”, mas foi possível ouvir registos mais antigos como “Echoes of a Silent Scream”, “Slaughter in a Desert Room” e a excelente “A Long Farwell” do álbum “Hyperion” que fechou o set. Ficou o desejo de ver Manticora novamente em solo nacional.

O contingente sueco presente no MMOA teria mais uma aparição com os Art Nation no palco principal. Com uma apresentação cuidada e boa presença em palco foram uma bela surpresa conquistando o MMOA com um power metal cheio de melodia e refrões cativantes. Abriram o set com “Brutal and Beautiful” do álbum “Inception” seguindo depois para faixas na sua maioria do LP de 2025 “Chapter V – The Ascendance” onde se destacaram “Julia” uma homenagem à esposa do vocalista Alexander Strandell, “Halo” e “Need You To Understand” no final. Bela atuação de uma banda da qual fiquei com vontade de conhecer mais dos seus trabalhos.

Um dos melhores momentos do dia quatro no palco 2 seria o concerto dos Brainstorm. Já lá iam uns anos desde a última visita a Portugal e em boa hora regressaram para o MMOA. Com o cair da noite, estes veteranos alemães incendiaram por completo o palco 2 que encheu por completo para os ver. Uma verdadeira viagem no tempo onde nos brindaram com faixas de cinco álbuns, “Plague of Rats”, “Liquid Monster”, Midnight Ghost”, “Soul Temptation”, e “Wall of Skulls” abriram mosh pits, crowdsurfing e muito abanar de cabeças. Visivelmente satisfeita com a receção, a banda classificou esta vinda a Portugal como algo único e motivador. Todos saímos com um sorriso na cara.

Mais uma banda sueca subia de seguida ao palco 1, os Thyrfing. Até aparecer no cartaz do MMOA eram para mim uns perfeitos desconhecidos, mas depois de os pesquisar a sensação foi imediata, obrigatório ver isto ao vivo. E confirmaram tudo o que esperava, um concerto poderoso e intenso de princípio a fim destes representantes vikings. Grande receção por parte do público e a certeza que saíram de Portugal com uma base de fãs bem mais alargada. O set foi muito variado e abrangeu nada mais nada menos que oito álbuns, todos eles de nome quase impronunciável para um português. Ficou o registo de mais uma bela confirmação com estes Thyrfing.

Num dia com muitas bandas do norte da Europa, vindos da Dinamarca os Mercenary seriam mais uma a juntar ao lote. Banda já plenamente consagrada, foi evidente a presença de muitos fãs nas primeiras filas do palco 2 que foram música após música acompanhando o vocalista. Os Mercenary caracterizam-se por um power/death metal melódico e bem musculado com a presença distintiva das teclas que criam uma atmosfera única. A atuação foi verdadeiramente imaculada. O álbum de 2023 “Soundtrack For The End of Times” foi o mais tocado com 3 faixas “Beyond The Waves”, “Burning in Reverse” e “Where Darkened Souls Belong”, mas êxitos mais longínquos foram também revisitados como “Black and Hollow” e “Soul Decision” dos álbuns “The Hours That Remains” e “Architect of Lies” de 2006 e 2008 respetivamente. Uma confirmação plena da grande valia dos Mercenary.

Os reis do death metal sueco regressavam a Portugal e estavam no palco principal do MMOA, um sonho realizado para muitos dos presentes. Liderados pelo carismático e talentoso Peter Tägtren, os Hypocrisy lançaram o verdadeiro caos no recinto num concerto que ficará para a história do MMOA. Com um som a roçar a perfeição o desfilar de malhas intemporais foi incrível, “Chemical Whore”, Fire in The Sky”, “Let The Knife Do The Talking”, “Eraser”, “Final Chapter” e a “Roswel 47” tendo como convidado especial em palco o guitarrista Andrew Smirnov de Dirkschneider. Foi uma loucura coletiva vivida durante 1 hora e 20 minutos que comprovou o porquê dos Hypocrisy estarem num pedestal bem alto do death metal mundial e por mérito próprio. Depois desta demonstração poderosa e impiedosa, a primeira coisa que nos ocorre, é perguntar quando teremos o privilégio de os ver novamente ao vivo. Que regressem muito em breve.

Mas a festa ainda não tinha terminado e no palco 2 estava já tudo meticulosamente preparado para o ritual litúrgico dos Patriarkh. Nascidos da cisão dos Bathushka estes polacos têm um show ímpar e inebriante. Cada elemento da banda é muito mais que um executante musical, já que cada um deles representa um papel específico no ritual que nos é apresentado. Cada gesto, cada movimento é pleno de significado acompanhados por um som pesado e intenso debitado pelas guitarras e bateria.
Estranho para alguns, hipnotizador e profundo para outros, não deixaram ninguém indiferente, fechando de maneira assombrosa a edição 2025 do MMOA.

Até para o ano Pindelo dos Milagres!