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Texto: Rui Teixeira.
Fotos: Rafael Correia.

UV Almost Fest III
Infraktor + Voidwomb + Junkbreed + Spitgod + Oceans of Apathy + Eden’s Apple
Grupo Recreativo Mocidade Corveirense (Grijó), 08.11.2025

Realizou-se no dia 8 de novembro a 3ª edição do UV Almost Fest, cortesia da Underground´s Voice, a quem desde já parabenizamos pela coragem e resiliência em manter vivo um festival em Vila Nova de Gaia, com votos de que o mesma continue a ser uma realidade.

O cartaz deste ano contava com seis bandas de espectros muito diferentes do metal e as honras de abertura couberam aos leirienses Eden´s Apple. Banda nascida em 2024, era uma das que me suscitava maior curiosidade, já que ainda não os tinha visto ao vivo. Deram-se a conhecer através do seu muito interessante álbum de estreia “Primordial Roots”, que funde influências diversas e resulta num som alternativo.Sendo uma banda muito recente e a primeira de todos os membros da banda, o primeiro destaque vai para o à vontade com que se apresentaram em palco, desinibidos e confiantes ao ponto de desceram de palco para tocar junto do público. Um som coeso em que as variações vocais de Marina entre o tom melódico e os guturais, vão liderando a banda. Set obviamente dedicado ao “Primordial Roots”, que contou com a presença em palco de David Matos (Hate Disposal) na faixa “Echoes of Excalibur” e fechou com a excelente “Eternal Cycle”.Uma bela abertura de festival.

Teríamos de seguida um dos nomes emergentes, ou mesmo já firmados da cena modern metalcore nacional, os Oceans of Apathy. Com a presença habitual dos seus fãs incondicionais na frente de palco, é difícil igualar a energia que esta banda debita em cima de palco em cada uma das suas atuações. Esta presença no UV Almost Fest foi mais uma descarga energética, com o seu frontman Pedro Penides sempre a puxar pelo público. Destaque no set para as faixas obrigatórias “Walls”, “Death Loop”, “Relapse” e “Lighthouse”, que entre riffs e breakdowns poderosos aqueceram a sala da Sociedade Recreativa Mocidade Corveirense.

A terceira banda a subir a palco seriam os Spitgod. O duo é formado pelos irmãos Beatriz e Telmo Cruz que apresentam uma química muito própria entre si. Tendo já visto Spitgod ao vivo por diversas vezes, continua a ser-me difícil definir a sonoridade da banda, alguns dizem que é uma banda de sludge, mas penso que é muito mais que isso, já que o punk, o thrash ou o death metal estão lá bem presentes também. Sempre com uma postura muito descontraída, aliás como o Telmo mencionou, ele não sabe ser sério, colocaram o pessoal a abanar as cabeças durante todo o set. No final, após alguns pedidos para mais uma, lá nos ofereceram uma faixa nova, que nem eles sabiam como iria sair, “vamos lá ver o que vai dar”. E saíram-se bem.

Seria já com os estômagos bem aconchegados com as bifanas e os panados do bar da Sociedade que recebíamos os Junkbreed. Com um novíssimo álbum “Sick of The Scene”, que tem recebido e justamente excelentes reviews, esta era uma ótima oportunidade de ver o seu desempenho ao vivo. E se o álbum me convenceu em pleno, a performance em palco também, não fosse a interrupção para troca de uma corda de guitarra durante uns 10 minutos, que arrefeceu o ambiente e este teria sido um concerto a roçar a perfeição. Com uma sonoridade rock, post hardcore e punk, a banda consegue ao vivo transmitir toda a energia e feeling que resulta de cada tema. O setlist foi um mix entre os seus anteriores LP e EP e claro o novo álbum, com faixas como “Faulty Stereo”, “51 Gone”, “Misantrophe” ou “Dinner in Hell”.

Nome firmado no underground nacional, os Voidwomb traziam de seguida as sonoridades mais extremas a este festival. Quem os conhece já sabe o que nos espera, uma descarga avassaladora de black/death metal. Com uma indumentária a condizer e poses fortes e agressivas, assistimos a um concerto verdadeiramente arrasador tocado com mestria e onde o som esteve impecável. Set quase todo dedicado ao álbum “Spirituall Apotheosis”, mas que teve também uma revisita ao EP de estreia “Altars of Cosmic Devotion”, abriu com “Metempsychosis” e fechou com a extraordinária “Vesselvoid”. Sem dúvida que os Voidwomb deixaram uma marca fortíssima nesta edição do UV Almost Fest, confirmando mais uma vez que são um dos nomes do género a seguir com muita atenção. E fiquemos de facto atentos, porque pelo que consegui apurar deverá vir aí álbum novo em 2026.

A responsabilidade de fechar a noite, ficou a cargo dos thrashers Infraktor. Apresentaram-se em formato quarteto, devido à ausência do seu baixista que se encontrava fora do país. Devido aos atrasos acumulados e porque a noite já ia longa, foram obrigados a cortar algumas faixas do seu set, o que, no entanto, em nada prejudicou a sua atuação. Riffs incessantes mesclados com solos de guitarra ao bom estilo thrash, colocaram a sala a mexer e algumas circle pits foram abertas. Do seu setlist podemos ouvir faixas do álbum “Exhaust” como “Blood of teh Weak”, “Son of a Butcher” ou “Unleash the Pigs”, bem como músicas que integrarão o novo álbum a ser lançado brevemente (malta, está a demorar muito) e que é aguardado com grande expectativa.Um encerramento em beleza desta edição do UV Almost Fest com a energia contagiante dos Infraktor.